Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
- Código
- vu092957
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Infectologia
- Acovid-19.
- Binfluenza.
- Cvaricela.
- Dsarampo.
- Erubéola.
GabaritoD — sarampo.
Gabarito: letra D. A definição de caso suspeito de sarampo, conforme o Ministério da Saúde, é exatamente a descrita no enunciado: febre e exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal, acompanhados de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente da idade e da situação vacinal. Essa é a definição oficial que dispara a notificação compulsória imediata, e é o que a alternativa D reproduz fielmente.
O sarampo é uma doença viral aguda, altamente contagiosa, causada por um vírus do gênero Morbillivirus (família Paramyxoviridae). Sua importância em saúde pública é enorme: é uma das doenças mais transmissíveis que existem, com alta taxa de ataque em suscetíveis, e pode cursar com complicações graves, como pneumonia, encefalite e panencefalite esclerosante subaguda. Por isso, a vigilância epidemiológica é extremamente sensível: qualquer caso que se encaixe na definição de suspeito deve ser notificado imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial, para que as medidas de bloqueio vacinal e investigação sejam disparadas o quanto antes.
A definição de caso suspeito é um conceito operacional, deliberadamente amplo, para não deixar escapar nenhum caso real. Ela combina três elementos-chave: (1) febre, (2) exantema maculopapular morbiliforme (ou seja, com aspecto de manchas e pápulas, que confluem, lembrando o padrão do sarampo) e (3) direção cefalocaudal (começa na face/atrás das orelhas e se espalha para tronco e membros). A isso se somam os sintomas catarrais clássicos — tosse, coriza e conjuntivite — que são o "3 Cs" do sarampo (cough, coryza, conjunctivitis). A presença de um ou mais desses sintomas, junto com febre e exantema, já configura caso suspeito.
O que diferencia o sarampo das outras doenças exantemáticas febris é justamente essa combinação: o exantema morbiliforme com progressão cefalocaudal e os sintomas respiratórios proeminentes. A rubéola, por exemplo, tem exantema maculopapular róseo, mas geralmente mais discreto, não confluente, e o achado marcante é a linfadenopatia retroauricular/occipital/cervical — não os sintomas catarrais. A varicela tem exantema papulovesicular (lesões em diferentes estágios: mácula, pápula, vesícula, crosta), claramente diferente do morbiliforme. A influenza e a covid-19 podem ter febre e sintomas respiratórios, mas não cursam com exantema maculopapular morbiliforme típico. É essa fronteira clínica que a banca explora.
A notificação compulsória do sarampo é imediata (em até 24 horas), pois se trata de doença de elevado potencial de disseminação, com meta de eliminação. O fluxo inclui a investigação epidemiológica, a coleta de amostras para sorologia (IgM) e biologia molecular (RT-PCR), e a vacinação de bloqueio dos contatos. O diagnóstico laboratorial é essencial para confirmar ou descartar, mas a notificação nunca espera a confirmação — ela parte da suspeita clínica.
Guarde o tripé que define o caso suspeito de sarampo: febre + exantema maculopapular morbiliforme cefalocaudal + um dos 3 Cs (tosse, coriza, conjuntivite). É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
A covid-19, causada pelo SARS-CoV-2, pode apresentar febre e sintomas respiratórios (tosse, coriza), mas não cursa com exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal como manifestação típica e definidora de caso suspeito. A definição de caso suspeito de covid-19 é baseada em síndrome gripal ou síndrome respiratória aguda grave, sem o componente exantemático. A banca coloca essa alternativa para confundir, pois a covid-19 também é uma doença viral respiratória de notificação, mas o quadro clínico descrito no enunciado é específico do sarampo.
A influenza (gripe) é uma doença respiratória viral com febre, tosse, coriza, mas não apresenta exantema maculopapular morbiliforme. O quadro é predominantemente respiratório, sem o componente cutâneo característico. A definição de caso suspeito de influenza é baseada em síndrome gripal (febre + tosse ou dor de garganta + outros sintomas), sem exantema. A presença do exantema no enunciado é o que afasta a influenza.
A varicela (catapora) tem exantema papulovesicular, com lesões em diferentes estágios evolutivos (mácula, pápula, vesícula, crosta) e distribuição centrípeta (mais no tronco), não maculopapular morbiliforme cefalocaudal. Além disso, o prurido é intenso, e os sintomas catarrais (tosse, coriza, conjuntivite) não são proeminentes. A banca coloca a varicela como distrator porque também é uma doença exantemática febril comum na infância, mas o padrão do exantema é completamente diferente.
A alternativa reproduz, com precisão, a definição de caso suspeito de sarampo do Ministério da Saúde: "todo indivíduo que apresentar febre e exantema maculopapular morbiliforme, de direção cefalocaudal, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente da idade e da situação vacinal". Essa definição é o gatilho para a notificação compulsória imediata, e é exatamente o que o enunciado descreve. A combinação de febre, exantema morbiliforme cefalocaudal e os "3 Cs" (tosse, coriza, conjuntivite) é patognomônica do sarampo na prática clínica.
A rubéola tem exantema maculopapular róseo, mas geralmente não é morbiliforme (é mais discreto, não confluente) e o achado clínico marcante é a linfadenopatia retroauricular, occipital e cervical, que não faz parte do enunciado. A definição de caso suspeito de rubéola inclui febre e exantema maculopapular acompanhado de linfadenopatia, não de tosse/coriza/conjuntivite. A banca coloca a rubéola como distrator porque é a outra doença exantemática febril que faz parte da vigilância integrada sarampo-rubéola, mas os critérios clínicos são distintos.
A banca explora a confusão entre sarampo e rubéola, as duas doenças exantemáticas febris que compartilham a vigilância integrada. A diferença crucial está nos sintomas acompanhantes: o sarampo tem os "3 Cs" (tosse, coriza, conjuntivite) e exantema morbiliforme cefalocaudal; a rubéola tem linfadenopatia retroauricular/occipital/cervical e exantema róseo mais discreto. Se o enunciado menciona tosse/coriza/conjuntivite, é sarampo; se menciona linfadenopatia, é rubéola. Com esse critério, você elimina a alternativa E sem hesitar.
Para fixar, monte uma tabela mental comparando as doenças exantemáticas febris:
Doença | Exantema | Sintomas acompanhantes | Direção |
|---|---|---|---|
Sarampo | Maculopapular morbiliforme | Tosse, coriza, conjuntivite (3 Cs) | Cefalocaudal |
Rubéola | Maculopapular róseo, discreto | Linfadenopatia retroauricular/occipital/cervical | Craniocaudal |
Varicela | Papulovesicular (vários estágios) | Prurido intenso | Centrípeta |
Escarlatina | Eritematoso puntiforme, áspero | Faringite, língua em framboesa, sinal de Filatov | Difuso |
Exantema súbito | Maculopapular róseo | Febre alta que some antes do exantema | Tronco → face/membros |
Na prova, leia o enunciado procurando a palavra-chave: se aparecer "tosse/coriza/conjuntivite", a resposta é sarampo; se aparecer "linfadenopatia", é rubéola. Esse é o atalho mais rápido e seguro.
Gabarito: letra D
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