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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu092960
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Infectologia
Paciente de 68 anos, aposentada, refere tratamento para hipertensão arterial e diabetes mellitus regularmente. Apresenta tosse com expectoração amarelada há 7 dias, acompanhada de febre e piora da falta de ar. Fez uso de azitromicina e prednisona 20 mg por dia por 5 dias, sem melhora. Em uso de dipirona a cada 6 horas devido à piora da dor torácica. Paciente refere que seu filho apresentou febre, mialgia, tosse seca e coriza hialina há 10 dias, com resolução do quadro. Devido à piora do quadro, foi levada pelos filhos para o pronto-socorro. Na entrada, encontrava-se consciente, orientada, descorada, desidratada, acianótica, taquipneica, afebril. Frequência cardíaca de 98 batimentos por minuto, frequência respiratória de 32 respirações por minuto, pressão arterial de 110 por 70 mmHg, saturação de oxigênio de 95%, temperatura de 36,8 ºC. Aparelho cardiovascular: bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros audíveis. Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente com estertores crepitantes em base direita. Abdome plano, flácido, indolor à palpação. Realizado hemograma na entrada, que evidenciou hemoglobina de 9,8 mg/dl (valor de referência de 12 a 16), hematócrito de 29,4% (valor de referência de 35 a 45), leucócitos: 16.400, neutrófilos de 84%, linfócitos 12% e monócitos 4%, (valor de referência de 4.500-11.000), plaquetas: 385.000 (valor de referência de 150.000 a 450.000), proteína C reativa: 222 (normal até 1), creatinina de 1,2 mg/dl e ureia de 68 mg/dl; raio-x de tórax com condensação em base de hemitórax direito.A conduta adequada neste caso é:
  1. Aaguardar o resultado das hemoculturas para iniciar o tratamento adequado.
  2. Ba introdução de oseltamivir associado a cefalosporina de terceira geração por 7 dias.
  3. Co tratamento ambulatorial com a introdução de amoxicilina associado a clavulanato por 10 dias.
  4. Do tratamento ambulatorial com a introdução de doxiciclina por 10 dias.
  5. Ea internação hospitalar com a introdução de tratamento empírico com cefalosporina de terceira geração.
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GabaritoE — a internação hospitalar com a introdução de tratamento empírico com cefalosporina de terceira geração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumonia adquirida na comunidade: gravidade e decisão de internação

Gabarito: letra E. A paciente apresenta pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com critérios de gravidade — leucocitose importante, PCR muito elevada, taquipneia, anemia e falha terapêutica ambulatorial —, o que impõe internação hospitalar e antibioticoterapia empírica parenteral com cefalosporina de terceira geração, conforme as diretrizes de manejo da PAC. As demais alternativas ou subestimam a gravidade (tratamento ambulatorial), ou propõem conduta inadequada (aguardar cultura, oseltamivir sem indicação clara).

A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção aguda do parênquima pulmonar adquirida fora do ambiente hospitalar. O diagnóstico é clínico-radiológico: febre, tosse, dispneia, estertores crepitantes e condensação ao raio-X. O ponto central da questão não é o diagnóstico — que está claro —, mas a decisão sobre o local de tratamento (ambulatorial × internação) e a escolha do esquema antibiótico empírico. Essa decisão é guiada por escores de gravidade e por critérios clínicos, e é exatamente isso que a banca cobra.

Os principais escores são o CURB-65 e o PSI/PORT. O CURB-65 avalia: Confusão mental, Ureia > 50 mg/dL, Respiração ≥ 30 irpm, Blood pressure (PA sistólica < 90 ou diastólica ≤ 60 mmHg) e idade ≥ 65 anos. Cada item vale 1 ponto: 0–1 ponto sugere tratamento ambulatorial; 2 pontos sugerem internação breve ou observação; ≥ 3 pontos indicam internação hospitalar, frequentemente em UTI. A paciente tem 68 anos (1 ponto), FR de 32 irpm (1 ponto) e ureia de 68 mg/dL (1 ponto) — CURB-65 = 3, o que por si só já indica internação. Além disso, há outros marcadores de gravidade: leucocitose de 16.400 com neutrofilia de 84%, PCR de 222 mg/L (muito elevada), anemia (Hb 9,8 g/dL) e falha terapêutica com azitromicina + prednisona por 5 dias. A falha do tratamento ambulatorial prévio é, por si, um critério de internação.

Na prática, a conduta correta é: internar, coletar hemoculturas e escarro antes do antibiótico (quando possível, sem atrasar o tratamento), e iniciar antibioticoterapia empírica parenteral. Para PAC internada em enfermaria, o esquema recomendado é cefalosporina de terceira geração (ex.: ceftriaxona) associada a um macrolídeo (azitromicina ou claritromicina) — ou uma fluoroquinolona respiratória (levofloxacino ou moxifloxacino) em monoterapia. A alternativa E menciona apenas a cefalosporina de terceira geração, sem o macrolídeo; ainda assim, é a única alternativa que acerta o essencial: internação + antibiótico parenteral empírico de amplo espectro. As demais erram ao propor tratamento ambulatorial ou conduta inadequada.

A distinção que importa aqui é entre PAC leve (ambulatorial) e PAC grave (internação). Na PAC leve, o tratamento é oral, com amoxicilina, amoxicilina-clavulanato, macrolídeo ou doxiciclina. Na PAC grave, o tratamento é parenteral, hospitalar, com betalactâmico de amplo espectro (cefalosporina de 3ª geração) ± macrolídeo, ou fluoroquinolona respiratória. A banca explora exatamente essa fronteira: as alternativas C e D propõem tratamento ambulatorial para uma paciente que claramente não se enquadra nesse perfil. A pegadinha está em reconhecer que, apesar de a paciente estar estável hemodinamicamente (PA 110×70, SpO2 95%), os critérios de gravidade clínico-laboratoriais e a falha terapêutica impõem internação.

Guarde o critério decisivo: CURB-65 ≥ 2–3, falha de tratamento ambulatorial, leucocitose importante, PCR muito elevada e comorbidades descompensadas apontam para internação. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

PAC: local de tratamento
  • 1Ambulatorial (leve)
    • CURB-65 0–1
    • Sem falha terapêutica
    • Antibiótico oral
  • 2Internação (grave)
    • CURB-65 ≥ 2–3
    • Falha do tratamento prévio
    • Leucocitose/PCR elevadas
    • Antibiótico parenteral
      • Cefalosporina 3ª geração
      • ± macrolídeo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Aguardar o resultado das hemoculturas para iniciar o tratamento é conduta inadequada e perigosa. Em PAC grave, o tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente, de preferência na primeira hora de atendimento. As hemoculturas devem ser coletadas antes do antibiótico, mas não se aguarda o resultado para começar a tratar — o atraso aumenta a morbimortalidade. A conduta correta é coletar as culturas e iniciar o antibiótico empírico de imediato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A associação de oseltamivir com cefalosporina de terceira geração por 7 dias não é a conduta mais adequada. O oseltamivir é antiviral indicado para influenza, e o quadro da paciente é mais sugestivo de pneumonia bacteriana (escarro amarelado, leucocitose com neutrofilia, PCR elevada, condensação lobar). Embora o filho tenha tido quadro viral há 10 dias, a paciente apresenta falha terapêutica com azitromicina e sinais de infecção bacteriana. Além disso, o esquema de 7 dias com cefalosporina isolada, sem macrolídeo, não é o padrão recomendado para PAC internada. A alternativa mistura antiviral sem indicação clara com antibiótico de espectro insuficiente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tratamento ambulatorial com amoxicilina-clavulanato por 10 dias é inadequado para esta paciente. Ela apresenta CURB-65 = 3 (idade ≥ 65, FR ≥ 30, ureia > 50), falha terapêutica prévia e leucocitose importante — critérios que indicam internação hospitalar. Amoxicilina-clavulanato é uma opção para PAC leve ambulatorial, mas não para PAC grave. A alternativa subestima a gravidade do caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Tratamento ambulatorial com doxiciclina por 10 dias também é inadequado. A doxiciclina é uma opção para PAC leve em pacientes sem comorbidades, mas esta paciente tem múltiplos critérios de gravidade (CURB-65 = 3, falha terapêutica, leucocitose, PCR elevada) e comorbidades (HAS, DM). O tratamento deve ser hospitalar e parenteral, não ambulatorial e oral.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A internação hospitalar com tratamento empírico com cefalosporina de terceira geração é a conduta correta. A paciente preenche critérios de gravidade: CURB-65 = 3 (idade ≥ 65 anos, FR = 32 irpm, ureia = 68 mg/dL), leucocitose com desvio à esquerda, PCR muito elevada, anemia e falha do tratamento ambulatorial com azitromicina. A internação é obrigatória, e o antibiótico empírico parenteral deve ser iniciado imediatamente. A cefalosporina de terceira geração (ex.: ceftriaxona) cobre os principais agentes de PAC grave (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, bacilos Gram-negativos). Idealmente, associa-se um macrolídeo para cobertura de atípicos, mas a alternativa E acerta o núcleo da conduta: internar e tratar com antibiótico parenteral de amplo espectro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato se apegar à estabilidade hemodinâmica (PA 110×70, SpO2 95%) e escolher tratamento ambulatorial (C ou D). Mas a gravidade da PAC não se mede só pela pressão ou saturação: o CURB-65 = 3, a falha do tratamento prévio e a leucocitose com PCR elevada são critérios objetivos de internação. Não caia na armadilha de tratar como PAC leve uma paciente que já falhou com macrolídeo e tem múltiplos marcadores de gravidade.

PEGA ESSA DICA!

Para decidir entre ambulatorial e internação na PAC, calcule o CURB-65 na hora: Confusão, Ureia > 50, FR ≥ 30, PA baixa, idade ≥ 65. 0–1 ponto = casa; 2 pontos = internação breve; ≥ 3 pontos = internação. Nesta questão, a paciente tem 3 pontos — internação imediata. Memorize o escore e os critérios de falha terapêutica; eles caem com frequência em provas de clínica médica.

Gabarito: letra E

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