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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu092963
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Infectologia
Os pacientes com diagnóstico concomitante de tuberculose meningoencefálica e infecção pelo HIV possuem indicação de tratamento com medicamentos antituberculose e tratamento antirretroviral (TARV).Em relação à indicação de tratamento, assinale a alternativa correta.
  1. AO tratamento para tuberculose (TB) deverá ser instituído uma semana após a introdução da terapia antirretroviral (TARV).
  2. BPara os pacientes virgens de tratamento antirretroviral, com contagem de LT-CD4+ < 50 células/mm3 , é recomendado o início do TARV em até duas semanas após o início de tratamento da tuberculose.
  3. CNos pacientes com CD4 ≥ 50 células/mm3 , o início da TARV deve ocorrer no início da fase de manutenção do tratamento da TB, a partir da quarta semana.
  4. DOs pacientes coinfectados, já em uso do TARV, com diagnóstico de TB, devem ter o tratamento suspenso por duas semanas para a introdução segura dos medicamentos antituberculose.
  5. EO tratamento para tuberculose e para a infecção pelo HIV devem ser instituídos concomitantemente.
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GabaritoB — Para os pacientes virgens de tratamento antirretroviral, com contagem de LT-CD4+ < 50 células/mm3 , é recomendado o início do TARV em até duas semanas após o início de tratamento da tuberculose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coinfecção TB-HIV: momento de início da TARV

Gabarito: letra B. Para pacientes virgens de TARV com LT-CD4+ < 50 células/mm³, recomenda-se iniciar a TARV em até duas semanas após o início do tratamento da tuberculose — exatamente o que a alternativa B afirma. Essa recomendação consta do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para manejo da infecção pelo HIV em adultos, que orienta o início precoce da TARV nesse grupo para reduzir a mortalidade, sem início concomitante dos dois tratamentos.

A coinfecção tuberculose-HIV é um cenário frequente e exige coordenação cuidadosa entre os dois esquemas terapêuticos. O grande desafio é equilibrar o benefício do controle viral precoce com o risco de síndrome inflamatória da reconstituição imune (SIRI) e de eventos adversos. Por isso, o Ministério da Saúde, com base em ensaios clínicos como SAPIT e CAMELIA e em revisões sistemáticas, estabeleceu prazos específicos para o início da TARV conforme a contagem de LT-CD4+ e a forma clínica da tuberculose.

A regra geral para pacientes com TB pulmonar ou extrapulmonar (exceto meningoencefálica) é:

  • LT-CD4+ < 50 células/mm³ ou sinais de imunodeficiência avançada: iniciar TARV em até 2 semanas após o início do tratamento da TB.

  • LT-CD4+ ≥ 50 células/mm³: iniciar TARV na 8ª semana (início da fase de manutenção da TB).

Essa distinção decorre de evidências de que o início precoce da TARV reduz significativamente a mortalidade apenas nos pacientes com CD4 < 50, enquanto nos demais o adiamento para a 8ª semana não piora o prognóstico e diminui o risco de SIRI.

Caso especial — tuberculose meningoencefálica: o enunciado destaca essa forma clínica. Para TB do sistema nervoso central, a recomendação é postergar o início da TARV para após a fase intensiva do tratamento da TB (dois meses), independentemente da contagem de LT-CD4+. Isso porque o início precoce da TARV não melhora o prognóstico e aumenta o risco de eventos adversos graves, incluindo hipertensão intracraniana e maior mortalidade. Essa orientação específica é o ponto central da questão: a alternativa B, embora afirme a regra geral para CD4 < 50, não se aplica à TB meningoencefálica — mas a banca considerou correta, pois a alternativa B não menciona a exceção e a questão pede a alternativa correta sobre a indicação de tratamento, e a regra geral para CD4 < 50 é exatamente essa.

Na prática, o manejo da coinfecção TB-HIV envolve três cenários: (I) diagnóstico concomitante, (II) TB diagnosticada primeiro e HIV depois, e (III) paciente já em TARV que desenvolve TB. Em todos, o tratamento da TB deve ser iniciado imediatamente, e a TARV é introduzida conforme o grau de imunossupressão, respeitando as interações medicamentosas (especialmente com rifampicina). O início concomitante dos dois tratamentos é contraindicado.

A pegadinha desta questão está na exceção da TB meningoencefálica: o candidato que decora a regra geral (CD4 < 50 → TARV em 2 semanas) pode marcar a alternativa B sem perceber que, na forma meníngea, o prazo é diferente. No entanto, a alternativa B é a única que reproduz corretamente a recomendação para o grupo de CD4 < 50, e a banca a considerou correta. As demais alternativas contêm erros claros.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento para TB deve ser instituído uma semana após a introdução da TARV. Isso inverte a ordem: o tratamento da TB deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico, e a TARV é que é introduzida depois, conforme o CD4. Não há recomendação de esperar uma semana para tratar a TB.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reproduz exatamente a recomendação do PCDT: para pacientes virgens de TARV com LT-CD4+ < 50 células/mm³, iniciar a TARV em até duas semanas após o início do tratamento da TB. Essa conduta reduz a mortalidade nesse grupo, conforme evidências de revisões sistemáticas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que, nos pacientes com CD4 ≥ 50, o início da TARV deve ocorrer no início da fase de manutenção da TB, a partir da quarta semana. O correto é na 8ª semana, que corresponde ao início da fase de manutenção (após a fase intensiva de 2 meses). A alternativa troca o prazo de 8 semanas por 4 semanas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes coinfectados já em uso de TARV devem suspender o tratamento por duas semanas para introduzir os medicamentos antituberculose. Isso é totalmente incorreto: a TARV não deve ser suspensa; ao contrário, deve-se avaliar interações medicamentosas e, se necessário, ajustar/substituir os ARVs, mantendo o tratamento contínuo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que os dois tratamentos devem ser instituídos concomitantemente. O PCDT é explícito: não se recomenda o início concomitante do tratamento da TB e da TARV, devido ao aumento do risco de intolerância, reações adversas e piora da adesão.

Gabarito: letra B

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