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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu092968
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Infectologia
Mulher de 64 anos em tratamento de psoríase com imunobiológico, droga anti-TNF, há 2 meses. Apresenta cefaleia holocraniana acompanhada de febre 38,5 ºC a 38,8 ºC há 3 dias. Fez uso de dipirona, sem melhora do quadro. Evoluiu com confusão mental, sendo levada pelo filho à unidade de pronto atendimento. Na entrada, estava em mau estado geral, descorada, desidratada, acianótica, taquipneica, febril, anictérica. Frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto, frequência respiratória de 32 respirações por minuto, pressão arterial de 100 por 60 mmHg. Saturação de oxigênio de 94%, temperatura de 38,4 ºC. Escala de Glasgow de 13. Presença de rigidez de nuca. Aparelho cardiovascular: bulhas rítmicas normofonéticas sem sopro. Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios. Abdome plano, flácido, indolor à palpação. Realizada tomografia de crânio, que evidenciou edema cerebral difuso. Realizada a coleta de liquor, aspecto turvo, com 684 células com 82% de polimorfonucleares e 18% de linfócitos, proteinorraquia de 104 mg/dl e glicorraquia 32 md/dl. Glicemia concomitante de 92 mg/dl. Exame direto do liquor com a coloração de GRAM: não encontradas bactérias, e cultura do liquor em andamento.A melhor opção terapêutica para este paciente é a introdução de
  1. Aceftriaxona.
  2. Bcefepima.
  3. Cceftriaxona associada a ampicilina.
  4. Dpenicilina cristalina associada a gentamicina.
  5. Eampicilina + sulbactam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ceftriaxona associada a ampicilina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningite bacteriana em paciente imunossuprimido: escolha da antibioticoterapia empírica

Gabarito: letra C. O caso descreve uma meningite bacteriana aguda em paciente em uso de imunobiológico anti-TNF, com liquor turvo, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa (32 mg/dL frente a glicemia de 92 mg/dL). A melhor opção terapêutica empírica é ceftriaxona associada a ampicilina, pois a associação amplia a cobertura para Listeria monocytogenes, agente que deve ser sempre considerado em imunossuprimidos, idosos e gestantes. A escolha se baseia nas diretrizes de meningite bacteriana aguda comunitária, que recomendam a adição de ampicilina à cefalosporina de terceira geração nesses grupos de risco.

A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica que exige antibioticoterapia empírica imediata, antes mesmo da confirmação microbiológica. O diagnóstico é firmado pela análise do liquor, que neste caso mostra um padrão típico de meningite bacteriana: aspecto turvo, pleocitose com predomínio de neutrófilos (82% de polimorfonucleares), proteinorraquia elevada (104 mg/dL) e glicorraquia baixa (32 mg/dL), com relação glicorraquia/glicemia de aproximadamente 0,35, bem abaixo do normal (que é > 0,6). A coloração de Gram negativa não exclui o diagnóstico, pois ocorre em até 30-40% dos casos, especialmente quando a carga bacteriana é baixa ou o paciente já recebeu antibióticos.

Os agentes etiológicos mais comuns da meningite bacteriana comunitária em adultos são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. No entanto, em pacientes com imunossupressão — como aqueles em uso de anti-TNF —, deve-se acrescentar Listeria monocytogenes como agente provável. A Listeria é um bacilo Gram-positivo intracelular que não é coberto pelas cefalosporinas de terceira geração, sendo necessário o uso de ampicilina (ou amoxicilina) para sua cobertura. Por isso, a terapia empírica padrão para meningite em adultos jovens saudáveis é ceftriaxona isolada, mas em pacientes com fatores de risco para listeriose (idade > 50 anos, imunossupressão, gestação, alcoolismo) a recomendação é ceftriaxona + ampicilina.

A escolha da alternativa correta depende, portanto, do reconhecimento do fator de risco para Listeria: o uso de imunobiológico anti-TNF. Esse é o ponto central da questão — a banca testa se o candidato sabe que a imunossupressão por anti-TNF amplia o espectro de agentes etiológicos e exige cobertura adicional. A associação ceftriaxona + ampicilina é a conduta preconizada pelas principais diretrizes (Infectious Diseases Society of America - IDSA) para meningite bacteriana em pacientes com fatores de risco para listeriose. As demais alternativas ou não cobrem Listeria (ceftriaxona isolada, cefepima) ou usam esquemas inadequados para o contexto (penicilina + gentamicina, ampicilina + sulbactam).

A pegadinha da questão está em reconhecer que a paciente, apesar de ter 64 anos (já um fator de risco para listeriose), tem um fator adicional e decisivo: o uso de anti-TNF. Muitos candidatos podem optar por ceftriaxona isolada (alternativa A), que é o esquema padrão para adultos sem fatores de risco, mas esquecem de adicionar ampicilina para cobrir Listeria. A banca explora exatamente essa distinção entre o tratamento padrão e o tratamento modificado por fatores de risco.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ceftriaxona isolada é o esquema empírico padrão para meningite bacteriana comunitária em adultos jovens e saudáveis, cobrindo S. pneumoniae, N. meningitidis e H. influenzae. No entanto, não cobre Listeria monocytogenes, agente que deve ser considerado nesta paciente pelo uso de imunobiológico anti-TNF. A ausência de cobertura para listeriose torna esta alternativa inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cefepima é uma cefalosporina de quarta geração com boa cobertura para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa, mas não é a primeira escolha para meningite bacteriana comunitária. Além disso, assim como a ceftriaxona, não cobre Listeria monocytogenes. Seu uso é mais reservado para meningite nosocomial ou em pacientes com fatores de risco para infecção por Pseudomonas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação de ceftriaxona com ampicilina é a terapia empírica recomendada para meningite bacteriana em pacientes com fatores de risco para listeriose, como imunossupressão (uso de anti-TNF), idade avançada (> 50 anos), gestação ou alcoolismo. A ceftriaxona cobre os agentes comunitários típicos (S. pneumoniae, N. meningitidis, H. influenzae), enquanto a ampicilina adiciona cobertura para Listeria monocytogenes. Esta é a conduta preconizada pelas diretrizes da IDSA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A associação de penicilina cristalina com gentamicina não é o esquema empírico recomendado para meningite bacteriana comunitária. A penicilina tem boa cobertura para S. pneumoniae e N. meningitidis, mas não cobre H. influenzae (produtor de beta-lactamase) de forma confiável, e a gentamicina penetra mal na barreira hematoencefálica, sendo ineficaz como agente único para meningite. Este esquema é mais utilizado em contextos específicos, como endocardite, não em meningite.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A associação de ampicilina com sulbactam não é o esquema de primeira linha para meningite bacteriana comunitária. Embora a ampicilina cubra Listeria, o sulbactam é um inibidor de beta-lactamase que não adiciona cobertura relevante para os agentes típicos de meningite comunitária. A combinação não oferece a cobertura adequada para S. pneumoniae e N. meningitidis que a ceftriaxona proporciona, sendo uma opção inferior neste contexto.

Gabarito: letra C — ceftriaxona associada a ampicilina, pela necessidade de cobertura de Listeria monocytogenes em paciente imunossuprimido por anti-TNF.

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