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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu092972
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Infectologia
Paciente de 24 anos, em tratamento de leucemia linfoide aguda, fez o segundo ciclo de quimioterapia há 7 dias. Deu entrada na unidade de emergência, trazido por familiares, devido à febre há 24 horas e piora do quadro clínico. Na entrada, estava descorado, desidratado, acianótico, taquipneico, febril, anictérico, consciente e orientado. Frequência cardíaca de 112 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24 respirações por minuto, pressão arterial de 90 por 60 mmHg, saturação de oxigênio de 96%, temperatura de 38,2 ºC. Presença de cateter venoso de longa duração em região de subclávia com edema e dor local à palpação na inserção. Aparelho cardiovascular: bulhas rítmicas normofonéticas, com sopro sistólico discreto em todos os focos. Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios. Abdome plano, flácido, doloroso à palpação profunda difusamente. Ruídos hidroaéreos presentes. Realizado hemograma na entrada, que evidenciou hemoglobina de 7,8 mg/dl (valor de referência de 12 a 16), hematócrito de 23,4% (valor de referência de 35 a 45), leucócitos: 240, neutrófilos: 98 (valor de referência de 4.500-11.000), plaquetas: 75.000 (valor de referência de 150.000 a 450.000), proteína C reativa: 156 (normal até 1).A melhor opção terapêutica para esse paciente é a introdução de
  1. Aoxacilina associada a ceftazidima.
  2. Bcefotaxima.
  3. Cvancomicina associada a piperacilina + tazobactan.
  4. Dclindamicina associada a ceftriaxona.
  5. Eertapenem.
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GabaritoC — vancomicina associada a piperacilina + tazobactan.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neutropenia febril: conduta antimicrobiana empírica

Gabarito: letra C. O paciente apresenta neutropenia febril grave (neutrófilos = 98, ou seja, < 100/mm³) após quimioterapia, com sinais de infecção de cateter venoso central (edema e dor local na inserção) e instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg). Nesse cenário de alto risco, a melhor opção terapêutica é a associação de vancomicina (cobertura para Gram-positivos, incluindo estafilococos resistentes à oxacilina, frequentes em infecções de cateter) com piperacilina + tazobactam (cobertura de amplo espectro para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa). Essa combinação é a conduta recomendada pelas principais diretrizes de neutropenia febril, como as da Infectious Diseases Society of America (IDSA) e da European Society for Medical Oncology (ESMO).

A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela presença de febre (temperatura ≥ 38,3 °C) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³, ou < 1.000/mm³ com previsão de queda para < 500/mm³ nas próximas 48 horas. No caso, o paciente tem neutrófilos de 98/mm³, configurando neutropenia profunda (< 100/mm³), o que o coloca em risco extremamente alto de infecção grave e rápida progressão para sepse. A febre nesses pacientes é considerada manifestação de infecção até prova em contrário, e o atraso na antibioticoterapia está associado a aumento significativo da mortalidade.

A avaliação inicial deve incluir a identificação de focos infecciosos, como o cateter venoso central (presente no caso, com sinais flogísticos locais), mucosite, pneumonia, infecção do trato urinário e infecções gastrointestinais. A presença de dor abdominal difusa à palpação profunda pode sugerir tiflite (enterocolite neutropênica), uma complicação grave que exige cobertura para Gram-negativos e anaeróbios. A instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg, taquicardia) e a taquipneia indicam sepse, o que reforça a necessidade de antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediata.

A escolha do esquema empírico depende da estratificação de risco. Pacientes de alto risco (neutropenia profunda e prolongada, instabilidade hemodinâmica, comorbidades, sinais de infecção de cateter) devem receber antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, com cobertura para Pseudomonas aeruginosa e outros Gram-negativos, além de Gram-positivos quando houver indicação. A associação de vancomicina está indicada em situações específicas, como infecção de cateter, instabilidade hemodinâmica, colonização por MRSA ou pneumonia comprovada. A piperacilina + tazobactam é uma excelente opção de β-lactâmico de amplo espectro, cobrindo Pseudomonas, Enterobacterales e anaeróbios, sendo adequada para o cenário de tiflite e sepse abdominal.

A principal distinção que a banca explora é entre os esquemas que cobrem apenas Gram-negativos (cefotaxima, ceftazidima, ertapenem) e aqueles que também cobrem Gram-positivos resistentes (vancomicina) e anaeróbios (piperacilina + tazobactam). Em paciente neutropênico com infecção de cateter e instabilidade hemodinâmica, a cobertura para Gram-positivos é essencial, pois os estafilococos coagulase-negativos e o Staphylococcus aureus são os agentes mais comuns em infecções relacionadas a cateter. A associação de vancomicina com piperacilina + tazobactam é a única alternativa que oferece cobertura abrangente para os três grupos de patógenos relevantes: Gram-positivos (incluindo MRSA), Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e anaeróbios.

A pegadinha central é a tentação de escolher um esquema apenas com β-lactâmico de amplo espectro (como cefepima ou piperacilina + tazobactam isolada), ignorando a necessidade de vancomicina diante da infecção de cateter e da instabilidade hemodinâmica. A banca também explora a confusão entre os espectros de ação dos antibióticos: ceftazidima e cefotaxima são cefalosporinas de 3ª geração com boa cobertura para Gram-negativos, mas sem ação sobre MRSA e anaeróbios; o ertapenem não cobre Pseudomonas; e a clindamicina tem espectro apenas para Gram-positivos e anaeróbios, sem cobertura para Gram-negativos. A combinação correta deve equilibrar a cobertura para os patógenos mais prováveis no contexto de neutropenia febril com infecção de cateter.

Guarde o critério decisivo: em neutropenia febril de alto risco com sinais de infecção de cateter e instabilidade hemodinâmica, o esquema empírico deve incluir vancomicina (para Gram-positivos resistentes) associada a um β-lactâmico de amplo espectro com cobertura para Pseudomonas e anaeróbios, como piperacilina + tazobactam. É exatamente essa combinação que as alternativas tentam confundir.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação de oxacilina com ceftazidima cobre Gram-positivos sensíveis à oxacilina (mas não MRSA) e Gram-negativos, incluindo Pseudomonas. No entanto, a oxacilina não é eficaz contra estafilococos coagulase-negativos resistentes à oxacilina, que são os agentes mais comuns em infecções de cateter. Além disso, a ceftazidima não cobre anaeróbios, o que é relevante diante da dor abdominal difusa que pode indicar tiflite. A ausência de cobertura para MRSA e anaeróbios torna esse esquema inadequado para o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cefotaxima é uma cefalosporina de 3ª geração com boa cobertura para Gram-negativos, mas não possui atividade contra Pseudomonas aeruginosa (diferente da ceftazidima) e não cobre MRSA nem anaeróbios. Em paciente neutropênico febril de alto risco, com infecção de cateter e possível tiflite, a cefotaxima isolada é insuficiente, pois não oferece cobertura para os patógenos mais relevantes. Esse esquema seria adequado apenas para pacientes de baixo risco, sem sinais de infecção de cateter e sem instabilidade hemodinâmica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação de vancomicina com piperacilina + tazobactam é a conduta recomendada para neutropenia febril de alto risco com infecção de cateter e instabilidade hemodinâmica. A vancomicina cobre Gram-positivos resistentes, incluindo MRSA e estafilococos coagulase-negativos, agentes frequentes em infecções relacionadas a cateter. A piperacilina + tazobactam oferece amplo espectro, cobrindo Pseudomonas aeruginosa, Enterobacterales produtoras de ESBL e anaeróbios, sendo adequada para o cenário de sepse abdominal e tiflite. Essa combinação é a única entre as alternativas que aborda todos os grupos de patógenos relevantes no contexto clínico apresentado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A associação de clindamicina com ceftriaxona cobre Gram-positivos (incluindo anaeróbios, pela clindamicina) e Gram-negativos (pela ceftriaxona), mas não possui atividade contra Pseudomonas aeruginosa, um patógeno crítico em neutropenia febril. Além disso, a clindamicina não cobre MRSA, e a ceftriaxona não é eficaz contra Enterobacterales produtoras de ESBL. A ausência de cobertura para Pseudomonas e MRSA torna esse esquema inadequado para o paciente de alto risco com infecção de cateter.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O ertapenem é um carbapenêmico com amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (incluindo produtores de ESBL) e anaeróbios, mas não possui atividade contra Pseudomonas aeruginosa. Em neutropenia febril, a cobertura para Pseudomonas é essencial, pois é um dos principais agentes de infecção grave nesses pacientes. Além disso, o ertapenem não cobre MRSA, e a ausência de vancomicina é um problema diante da infecção de cateter. Esse esquema seria mais adequado para infecções intra-abdominais sem neutropenia, mas não para o caso apresentado.

Gabarito: letra C

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