Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092977
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Assinale a alternativa que descreve corretamente um dos principais fatores que influenciam os índices de morbimortalidade relacionados aos acidentes com crianças no Brasil.
AA maior prevalência de acidentes ocorre em crianças acima de 12 anos de idade devido à maior exposição a situações de risco no ambiente escolar.
BOs acidentes de trânsito são a maior causa de mortalidade infantil, sendo especialmente prevalentes em crianças abaixo de 5 anos de idade.
CFatores socioeconômicos, como baixa renda familiar e menor acesso a serviços de saúde, estão associados a taxas mais altas de morbimortalidade infantil por acidentes.
DA introdução de políticas públicas, como o uso de cadeirinhas nos carros, não tem impacto significativo na redução de mortes infantis.
EAs principais causas de hospitalização por acidentes nos últimos anos foram os acidentes de trânsito (45%), seguidos das queimaduras (20%) e das quedas (10%).
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GabaritoC — Fatores socioeconômicos, como baixa renda familiar e menor acesso a serviços de saúde, estão associados a taxas mais altas de morbimortalidade infantil por acidentes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fatores de risco para morbimortalidade por acidentes na infância
Gabarito: letra C. Os fatores socioeconômicos — como baixa renda familiar e menor acesso a serviços de saúde — são reconhecidamente determinantes das taxas mais altas de morbimortalidade infantil por acidentes no Brasil, pois influenciam tanto a exposição ao risco quanto a qualidade e a oportunidade do atendimento. Essa relação é amplamente documentada na literatura de saúde pública e pediatria, sendo o núcleo da questão.
O trauma é a principal causa de morte em crianças e adolescentes no Brasil, superando todas as outras causas de mortalidade infantil somadas. Mas a pergunta não é apenas sobre quais acidentes ocorrem — é sobre por que eles matam mais em determinados grupos. A resposta está na determinação social do processo saúde-doença: crianças de famílias de baixa renda vivem em ambientes com mais riscos (moradias precárias, trânsito mais perigoso, menos áreas de lazer seguras), têm menos supervisão adulta (pais que trabalham longas jornadas), e, quando se acidentam, encontram maiores barreiras de acesso a serviços de saúde de qualidade — o que aumenta tanto a incidência quanto a gravidade dos desfechos.
A literatura pediátrica é clara ao apontar que o trauma pediátrico é a causa mais comum de morbimortalidade na infância, e que os acidentes de trânsito, quedas e queimaduras estão entre os mecanismos mais frequentes. Contudo, o que a banca explora aqui é a associação entre vulnerabilidade social e desfechos graves: não basta saber quais acidentes ocorrem, é preciso entender que a letalidade e a sequela dependem fortemente do contexto socioeconômico. Uma criança de baixa renda que sofre uma queda tem menos chance de receber atendimento precoce e adequado, o que eleva o risco de complicações e morte — mesmo que o mecanismo do acidente seja o mesmo de uma criança de alta renda.
Na prática, isso se traduz em políticas públicas: a prevenção de acidentes na infância não se limita a campanhas educativas ou equipamentos de segurança (como cadeirinhas), mas exige enfrentamento das desigualdades — melhoria da infraestrutura urbana, acesso universal e equânime à saúde, e proteção social às famílias vulneráveis. É exatamente essa visão ampliada que a alternativa C captura, e é o critério que separa as alternativas: enquanto as demais trazem afirmações pontuais (algumas verdadeiras, outras falsas), apenas a C aborda o fator estrutural que a banca considera o principal determinante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre causa imediata (o tipo de acidente) e fator determinante (o contexto socioeconômico). O candidato que sabe que acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte pode marcar a alternativa B, mas ela erra ao afirmar que são a "maior causa de mortalidade infantil" e que predominam em menores de 5 anos — dados que não se sustentam. A pegadinha está em trocar o fator estrutural (C) por um mecanismo específico (B), que parece correto mas contém imprecisões.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a maior prevalência de acidentes ocorre em crianças acima de 12 anos devido à exposição no ambiente escolar. O erro está na generalização: embora adolescentes tenham maior exposição a certos riscos (trânsito, violência), a maior prevalência de acidentes na infância concentra-se em faixas etárias mais jovens, especialmente pré-escolares e escolares, e os ambientes de risco são variados (casa, rua, lazer), não apenas a escola. A literatura mostra que o trauma é a principal causa de morbimortalidade em toda a infância (1 a 18 anos), sem essa restrição etária específica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que os acidentes de trânsito são a maior causa de mortalidade infantil, especialmente em menores de 5 anos. Há dois erros: (1) embora o trânsito seja uma causa importante, não é a "maior causa de mortalidade infantil" de forma absoluta — outras causas (perinatais, malformações) superam em menores de 1 ano, e o trauma como um todo (não só trânsito) é a principal causa em crianças e adolescentes; (2) a faixa de maior risco para atropelamentos e acidentes de trânsito em crianças não é predominantemente abaixo de 5 anos — pedestres atropelados são mais comuns em escolares (5-9 anos) e adolescentes. A alternativa confunde o mecanismo com a faixa etária.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque identifica os fatores socioeconômicos como determinantes das taxas de morbimortalidade por acidentes. Baixa renda e menor acesso a serviços de saúde aumentam a exposição ao risco (moradias precárias, menos supervisão, trânsito perigoso) e pioram o desfecho (atendimento tardio, menor qualidade). Essa é a visão consagrada em saúde pública e pediatria: a determinação social do processo saúde-doença. É o fator estrutural que a banca considera o principal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que políticas públicas como o uso de cadeirinhas não têm impacto significativo na redução de mortes infantis. É o oposto do que a literatura demonstra: o uso correto de dispositivos de retenção (cadeirinhas, assentos de elevação) reduz drasticamente o risco de morte e lesões graves em colisões. A alternativa nega uma evidência consolidada de prevenção, sendo claramente falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apresenta percentuais específicos de hospitalizações por acidentes (trânsito 45%, queimaduras 20%, quedas 10%). Esses números não correspondem a dados oficiais consistentes — na verdade, as quedas são historicamente a principal causa de hospitalização por acidentes em crianças, seguidas por outros mecanismos. A alternativa inventa uma distribuição que não reflete a realidade epidemiológica brasileira, sendo um distrator numérico sem fundamento.
Gabarito: letra C — a única que aborda o fator estrutural (socioeconômico) como principal determinante da morbimortalidade por acidentes na infância.