Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092978
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Em uma unidade de terapia intensiva pediátrica, observou-se um aumento da incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde, especialmente aquelas causadas por organismos multirresistentes.A estratégia que apresenta maior eficácia na prevenção de infecções hospitalares nessas condições consiste
Ana redução do uso de antimicrobianos empíricos para evitar resistência bacteriana.
Bna instalação de secador para secar as mãos após a realização da higiene delas.
Cna utilização prolongada de dispositivos invasivos para garantir monitoramento contínuo.
Dno isolamento de todos os pacientes da UTI, independentemente de status de infecção, para reduzir o risco de infecção cruzada.
Ena implementação rigorosa de protocolo de higiene das mãos com vigilância ativa e uso criterioso de antimicrobianos.
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GabaritoE — na implementação rigorosa de protocolo de higiene das mãos com vigilância ativa e uso criterioso de antimicrobianos.
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Prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) em UTI pediátrica
Gabarito: letra E. A estratégia de maior eficácia na prevenção de IRAS, especialmente por organismos multirresistentes, combina a implementação rigorosa de protocolo de higiene das mãos com vigilância ativa e uso criterioso de antimicrobianos. Essa abordagem integra duas frentes essenciais: a higiene das mãos, considerada a medida isolada mais eficaz para prevenir infecções cruzadas, e a gestão de antimicrobianos, que reduz a pressão seletiva que favorece o surgimento de bactérias resistentes. A alternativa E é a única que contempla ambas as estratégias de forma sinérgica, alinhando-se às recomendações de programas de controle de infecção e às diretrizes de prevenção de IRAS.
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são um grave problema de saúde pública, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI), onde a complexidade dos pacientes e a alta frequência de procedimentos invasivos aumentam o risco. No contexto de organismos multirresistentes (MDR), a prevenção exige uma abordagem multifacetada. A literatura divide as estratégias de prevenção em horizontais e verticais. As estratégias horizontais são amplas e visam prevenir muitos ou todos os tipos de IRAS, independentemente do patógeno, procedimento ou dispositivo específico. Exemplos incluem: precauções padrão, higiene das mãos, uso de EPI adequado, higiene respiratória, limpeza ambiental e precauções de isolamento apropriadas para o patógeno. Já as estratégias verticais são direcionadas a tipos específicos de IRAS ou a microrganismos específicos, como o uso de listas de verificação para inserção de cateteres ou a descolonização de MRSA.
A higiene das mãos é amplamente reconhecida como a medida isolada mais importante para prevenir a transmissão cruzada de microrganismos, incluindo os multirresistentes. A adesão dos profissionais de saúde a essa prática, porém, costuma ser baixa, o que torna essencial a implementação de programas de vigilância ativa e feedback para melhorar a conformidade. Além disso, o uso criterioso de antimicrobianos (também chamado de gestão ou stewardship de antimicrobianos) é fundamental para reduzir a pressão seletiva que favorece o surgimento e a disseminação de bactérias resistentes. A exposição prévia a antibióticos, especialmente os de amplo espectro, é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento de resistência. Portanto, a combinação dessas duas estratégias — higiene das mãos com vigilância e uso racional de antimicrobianos — é a abordagem mais eficaz e abrangente.
A banca explora a confusão entre medidas isoladas e a abordagem integrada. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que mencione apenas um aspecto, como a redução do uso de antimicrobianos (letra A) ou a instalação de secador de mãos (letra B), mas a questão pede a estratégia de maior eficácia, que é justamente a que combina as principais medidas. A letra E é a única que une a higiene das mãos (medida horizontal) com a gestão de antimicrobianos (medida que combate a resistência), sendo a resposta mais completa e alinhada às evidências.
Estratégias de prevenção de IRAS: Horizontais (amplas) (Higiene das mãos, Precauções padrão, Limpeza ambiental); Verticais (específicas) (Checklist de cateter, Descolonização de MRSA); Gestão de antimicrobianos (Otimizar seleção, dose e duração, Reduzir pressão seletiva); Medidas inadequadas (Reduzir antimicrobianos empíricos, Isolar todos os pacientes, Prolongar dispositivos invasivos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A redução do uso de antimicrobianos empíricos, por si só, não é a estratégia de maior eficácia. Embora o uso racional de antimicrobianos seja importante, a simples redução pode levar a atrasos no tratamento adequado de infecções graves, aumentando a morbimortalidade. A gestão de antimicrobianos envolve não apenas reduzir, mas otimizar a seleção, dose e duração da terapia, com base em diretrizes e na epidemiologia local. Além disso, a alternativa ignora a higiene das mãos, que é a medida mais eficaz para prevenir a transmissão cruzada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A instalação de secador para secar as mãos é um componente da higiene das mãos, mas não é a estratégia de maior eficácia. A secagem adequada das mãos é importante, pois mãos úmidas podem facilitar a transmissão de microrganismos, mas a medida central é a higiene das mãos com água e sabão ou preparação alcoólica, associada à vigilância e adesão dos profissionais. A alternativa é muito específica e não aborda a questão dos multirresistentes de forma abrangente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A utilização prolongada de dispositivos invasivos é um fator de risco para IRAS, não uma medida de prevenção. Dispositivos como cateteres venosos centrais, sondas vesicais e ventilação mecânica aumentam o risco de infecções, especialmente por patógenos multirresistentes. A recomendação é retirar o dispositivo o mais precocemente possível, quando não mais necessário, e não prolongar seu uso. A alternativa contraria as boas práticas de prevenção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O isolamento de todos os pacientes da UTI, independentemente do status de infecção, é uma medida inadequada e ineficaz. O isolamento deve ser baseado no tipo de microrganismo e na via de transmissão (precauções de contato, gotículas ou aerossóis), conforme as recomendações de controle de infecção. Isolar todos os pacientes indiscriminadamente pode causar prejuízos psicológicos, aumentar custos e não é sustentável. A medida correta é aplicar precauções de isolamento apropriadas para o patógeno identificado ou suspeito.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A implementação rigorosa de protocolo de higiene das mãos com vigilância ativa e uso criterioso de antimicrobianos é a estratégia de maior eficácia. A higiene das mãos é a medida isolada mais eficaz para prevenir a transmissão cruzada de microrganismos, incluindo os multirresistentes. A vigilância ativa garante a adesão dos profissionais e identifica lacunas na prática. O uso criterioso de antimicrobianos (gestão de antimicrobianos) reduz a pressão seletiva que favorece o surgimento de resistência. A combinação dessas medidas aborda tanto a transmissão quanto a seleção de microrganismos resistentes, sendo a abordagem mais completa e baseada em evidências.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma medida isolada (como a letra A, que menciona apenas antimicrobianos, ou a letra B, que menciona apenas a secagem das mãos) em vez da abordagem integrada. A questão pede a estratégia de maior eficácia, que é a que combina as principais medidas de prevenção. Lembre-se: a higiene das mãos é a pedra angular, mas a gestão de antimicrobianos é essencial para combater a resistência. A alternativa E é a única que une as duas frentes.