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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu092980
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Uma criança de 6 anos foi submetida à retirada de um tumor cerebral (provável meduloblastoma), sem intercorrências. Agora se encontra no pós-operatório imediato.Qual das estratégias a seguir é mais crítica para prevenir complicações neurológicas no período pós-operatório?
  1. AEvitar a administração de fluidos intravenosos para prevenir edema cerebral. Manter manitol de horário e dexametasona de horário.
  2. BManter sedação e analgesia contínuas para evitar movimentação espontânea e programar extubação para 48 horas após a cirurgia pelo risco de edema cerebral pós-manipulação. Realizar controle tomográfico antes da extubação.
  3. CManter soro de manutenção, restrito, com oferta de sódio de 3 mEq/100 kcal/dia e potássio de 2,5 mEq/100 kcal/dia até alimentação plena.
  4. DRealizar vigilância neurológica rigorosa e suporte hídrico adequado com a utilização de soro isotônico para prevenir hiponatremia, que pode ser deletéria no pós-operatório.
  5. EIniciar quimioterapia e radioterapia precocemente para evitar a recidiva do tumor, que pode levar a complicações neurológicas precoces.
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GabaritoD — Realizar vigilância neurológica rigorosa e suporte hídrico adequado com a utilização de soro isotônico para prevenir hiponatremia, que pode ser deletéria no pós-operatório.

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Pós-operatório de craniotomia em criança: prevenção de complicações neurológicas

Gabarito: letra D. A estratégia mais crítica no pós-operatório imediato de ressecção de tumor cerebral (provável meduloblastoma) é a vigilância neurológica rigorosa associada ao suporte hídrico adequado com soro isotônico, visando prevenir a hiponatremia — complicação potencialmente deletéria nesse contexto. A hiponatremia pós-operatória, frequentemente por SIADH (síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético) ou depleção de sódio, pode causar edema cerebral e piora neurológica, sendo a principal causa evitável de morbidade nesses pacientes.

O pós-operatório de craniotomia em crianças exige atenção redobrada a distúrbios hidroeletrolíticos, especialmente a hiponatremia. A manipulação cerebral e o tumor em si podem desencadear a liberação inadequada de ADH, levando à retenção de água livre e diluição do sódio plasmático. A hiponatremia, por sua vez, provoca edema cerebral citotóxico, aumentando a pressão intracraniana e podendo causar herniação, convulsões e dano neurológico permanente. Por isso, a monitorização rigorosa do sódio e a oferta de fluidos isotônicos (como Ringer Lactato ou NaCl 0,9%) são medidas essenciais.

A alternativa D sintetiza exatamente essa conduta: vigilância neurológica frequente (escala de Glasgow, pupilas, força muscular) para detectar precocemente qualquer deterioração, e suporte hídrico com soro isotônico para manter a volemia sem diluir o sódio. Essa abordagem é baseada em diretrizes de neurocirurgia pediátrica e cuidados intensivos, que preconizam a prevenção ativa da hiponatremia como pilar do manejo pós-operatório.

As demais alternativas apresentam condutas inadequadas ou incompletas. A alternativa A propõe evitar fluidos intravenosos, o que é perigoso — a restrição hídrica extrema pode levar a hipovolemia e instabilidade hemodinâmica, além de não ser a estratégia principal para edema cerebral. A alternativa B sugere sedação prolongada e extubação tardia, o que aumenta o risco de complicações respiratórias e não é rotina — a extubação precoce é preferível quando o paciente está estável. A alternativa C oferece sódio em quantidade insuficiente (3 mEq/100 kcal/dia é abaixo do necessário para prevenir hiponatremia em pós-operatório de neurocirurgia). A alternativa E propõe quimioterapia e radioterapia precoces, o que não é indicado no pós-operatório imediato — o tratamento adjuvante é planejado após avaliação anatomopatológica e estabilização clínica.

A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher uma alternativa que pareça "agressiva" no manejo do edema cerebral (como manitol e dexametasona), mas que negligencia o distúrbio hidroeletrolítico mais comum e perigoso nesse cenário. A banca explora o conhecimento de que a hiponatremia é uma complicação frequente e grave, e que sua prevenção é mais crítica do que medidas sintomáticas de edema.

Pós-operatório de craniotomia pediátrica
  • 1Risco central
    • Hiponatremia (SIADH/depleção)
    • Edema cerebral citotóxico
    • Piora neurológica
  • 2Conduta crítica (gabarito)
    • Vigilância neurológica rigorosa
    • Suporte hídrico com soro isotônico
  • 3Condutas inadequadas
    • Evitar fluidos IV (hipovolemia)
    • Sedação prolongada/extubação tardia
    • Sódio insuficiente (3 mEq/100 kcal)
    • QT/RT precoce no pós-operatório
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Evitar fluidos intravenosos é uma conduta perigosa e não indicada. A restrição hídrica extrema pode causar hipovolemia, instabilidade hemodinâmica e piora da perfusão cerebral. O manitol e a dexametasona são usados para edema cerebral sintomático, mas não substituem a necessidade de hidratação adequada. A prevenção do edema cerebral não se faz com desidratação, mas com manejo cuidadoso de fluidos e eletrólitos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sedação contínua e a extubação tardia (48h) não são rotina e aumentam o risco de complicações (pneumonia associada à ventilação, delirium, etc.). A extubação precoce é preferível quando o paciente está neurologicamente estável. O controle tomográfico antes da extubação não é obrigatório e não substitui a vigilância clínica. A movimentação espontânea não é contraindicada — pelo contrário, a avaliação neurológica depende da resposta do paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A oferta de sódio de 3 mEq/100 kcal/dia é insuficiente para prevenir hiponatremia no pós-operatório de neurocirurgia. As necessidades basais de sódio em crianças são de aproximadamente 2-3 mEq/kg/dia, mas no pós-operatório de craniotomia, com risco de SIADH, a reposição deve ser mais generosa e monitorada. A restrição hídrica com soro de manutenção hipotônico pode agravar a hiponatremia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vigilância neurológica rigorosa (escala de Glasgow, pupilas, sinais focais) é essencial para detectar precocemente complicações como hemorragia, edema ou hidrocefalia. O suporte hídrico com soro isotônico (NaCl 0,9% ou Ringer) previne a hiponatremia, que é a complicação metabólica mais comum e perigosa no pós-operatório de tumores cerebrais, podendo causar edema cerebral e piora neurológica. Essa é a conduta baseada em evidências e diretrizes de neurocirurgia pediátrica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar quimioterapia e radioterapia no pós-operatório imediato é contraindicado. O tratamento adjuvante é planejado após a confirmação anatomopatológica do tumor, avaliação de estadiamento e recuperação cirúrgica. A recidiva tumoral não é uma complicação neurológica precoce do pós-operatório, e o tratamento oncológico não previne complicações cirúrgicas imediatas.

Gabarito: letra D — a vigilância neurológica e o suporte hídrico isotônico para prevenir hiponatremia são as medidas mais críticas no pós-operatório imediato de craniotomia em criança.

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