Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092981
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Lactente de 8 meses, que era portador de cirrose hepática por atresia das vias biliares sem cirurgia prévia, foi submetido a um transplante hepático com doador vivo aparentado (pai). O transplante transcorreu sem intercorrências, com peso do enxerto 3%, anastomoses boas de artéria hepática e veia porta, dreno abdominal com saída de secreção serossanguínea, sonda nasogástrica aberta, sonda vesical de demora, pressão arterial invasiva na artéria radial esquerda, cateter de duplo lúmen na jugular interna direita. O anestesista informa que realizou bloqueios abdominais no final da cirurgia. O lactente chega à UTI sedado, recebendo noradrenalina (0,02 mcg/kg/min), com PA estável, em ventilação mecânica controlada, saturando 99% em FiO₂ de 35%, pressão controlada de 10 sobre PEEP de 6 com volume corrente adequado.Assinale a alternativa correta com relação aos cuidados de pós-operatório e às metas assistenciais a serem alcançadas.
AAs principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, além de prescrever analgesia contínua com opiáceos e dipirona de horário. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas 24 horas, se o paciente passar no teste de respiração espontânea e não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de drogas vasoativas nas próximas horas, ajuste de imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada com escala de dor menor que 3.
BAs principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento, fazer transfusão de hemoderivados apenas se houver sangramento ativo, controlar a dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente a diurese e o balanço hídrico. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor, além de protetor gástrico, antibioticoterapia profilática e imunossupressão já iniciada no intraoperatório. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas horas, quando a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de drogas vasoativas, ajuste de imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada segundo nível de conforto do lactente.
CAs principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar infecção. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário alternado com halexaminifeno e anti-inflamatório não hormonal, além de proteção gástrica. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas 48 horas se não houver intercorrências na radiografia de tórax, após teste de respiração espontânea, suspensão de drogas vasoativas nas próximas 24 horas. É desnecessária a imunossupressão, pois o doador é compatível. Deve-se manter antibioticoterapia terapêutica e vigilância infecciosa. Manter dor controlada e escore de sedação Comfort-B em torno de 10 a 12.
DAs principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação assim que a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de droga vasoativas e, assim que suspensa, sacar cateter de pressão arterial invasiva, sacar a sonda nasogástrica e alimentar a criança, se bem acordada, ajustar imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manter antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada segundo nível de conforto do lactente.
EAs principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento, manter coagulação dentro dos limites da normalidade à custa de transfusão de hemoderivados, controlar a dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente a diurese. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas horas, quando a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, manutenção da droga vasoativa para manter boa perfusão das anastomoses, ajuste da imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e da vigilância infecciosa. Manter dor controlada com infusão contínua de opioides, sacar a sonda vesical após a suspensão dos opiáceos.
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GabaritoB — As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento, fazer transfusão de hemoderivados apenas se houver sangramento ativo, controlar a dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente a diurese e o balanço hídrico. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor, além de protetor gástrico, antibioticoterapia profilática e imunossupressão já iniciada no intraoperatório. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas horas, quando a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de drogas vasoativas, ajuste de imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada segundo nível de conforto do lactente.
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Pós-operatório de transplante hepático em lactente: cuidados e metas assistenciais
Gabarito: letra B. No pós-operatório imediato de transplante hepático, os cuidados centrais são manter a volemia, controlar sangramento (transfundindo apenas se houver sangramento ativo), controlar a dor, corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, monitorar rigorosamente diurese e balanço hídrico, além de avaliar a permeabilidade vascular do enxerto com ultrassom com doppler. A analgesia deve ser feita com dipirona de horário e opiáceos apenas se houver dor, e a extubação deve ocorrer precocemente, assim que a criança acordar, se a radiografia de tórax não mostrar intercorrências. A alternativa B é a única que contempla todos esses pontos de forma correta e completa.
O transplante hepático é o tratamento definitivo para a atresia de vias biliares, e o pós-operatório imediato em UTI pediátrica exige uma abordagem meticulosa e multidisciplinar. O foco inicial é a estabilidade hemodinâmica e a função do enxerto. A volemia deve ser mantida com cristaloides e, se necessário, hemoderivados — mas a transfusão só é indicada na presença de sangramento ativo, pois transfusões desnecessárias aumentam o risco de complicações e podem prejudicar a perfusão do enxerto. O controle rigoroso da diurese e do balanço hídrico é essencial, pois tanto a hipovolemia quanto a hipervolemia são prejudiciais: a primeira compromete a perfusão do enxerto e a segunda pode levar a edema e insuficiência respiratória.
A dor é um aspecto crítico, especialmente em lactentes. O uso de opioides deve ser criterioso, reservado para dor não controlada por analgésicos não opioides, pois o excesso de sedação pode atrasar a extubação e aumentar o risco de complicações respiratórias. A dipirona em horário fixo é uma boa opção inicial. A avaliação da permeabilidade vascular do enxerto é fundamental: a trombose da artéria hepática é uma complicação grave e precoce, por isso o ultrassom com doppler deve ser realizado rotineiramente. O dreno abdominal deve ser monitorado de perto, pois a saída de secreção serossanguínea é esperada, mas um aumento súbito ou mudança nas características pode indicar sangramento ou fístula biliar.
A imunossupressão é obrigatória, mesmo em transplante com doador aparentado, pois há sempre risco de rejeição. Ela geralmente é iniciada no intraoperatório e ajustada conforme protocolo da equipe de transplante. A antibioticoterapia profilática é mantida para prevenir infecções, e a vigilância infecciosa é contínua. A extubação precoce é uma meta importante, pois a ventilação mecânica prolongada aumenta o risco de pneumonia associada à ventilação e outras complicações. O desmame deve ser iniciado assim que a criança acordar e estiver hemodinamicamente estável, com radiografia de tórax sem intercorrências.
A suspensão de drogas vasoativas deve ser feita o mais rápido possível, assim que a pressão arterial estiver estável sem suporte. A sonda nasogástrica é mantida aberta para descompressão gástrica e deve ser retirada assim que houver retorno do trânsito intestinal. A sonda vesical é retirada precocemente para reduzir o risco de infecção do trato urinário. O cateter de pressão arterial invasiva é retirado assim que a droga vasoativa for suspensa e a criança estiver estável. A alimentação deve ser iniciada precocemente, assim que a criança estiver acordada e com boa função intestinal, para promover a recuperação e reduzir o risco de complicações.
A escala de dor deve ser adequada à idade: em lactentes, escalas comportamentais como a FLACC (Face, Legs, Activity, Cry, Consolability) são mais apropriadas do que a escala numérica de 0 a 10. O objetivo é manter a criança confortável, sem dor, mas sem sedação excessiva. O escore de sedação Comfort-B é utilizado para avaliar o nível de sedação em crianças em ventilação mecânica, e valores entre 17 e 26 são considerados adequados, não 10 a 12, que indicariam sedação excessiva.
A alternativa B é a mais completa e correta, pois aborda todos os aspectos essenciais do cuidado pós-operatório, com metas realistas e baseadas nas melhores práticas. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como transfusão profilática, uso de anti-inflamatórios não hormonais, imunossupressão desnecessária, ou metas de extubação muito tardias.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na meta de extubação: "extubação nas próximas 24 horas" é um prazo muito longo para um lactente que já está acordando e com boa função respiratória. A extubação deve ser precoce, assim que a criança acordar, se não houver contraindicações. Além disso, a alternativa menciona "analgesia contínua com opiáceos e dipirona de horário", o que pode levar a sedação excessiva e atrasar a extubação. O uso de opioides deve ser reservado para dor não controlada, não como infusão contínua rotineira.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta e completa. Ela aborda todos os cuidados essenciais: manter volemia, controlar sangramento (transfundindo apenas se houver sangramento ativo), controlar dor, corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente diurese e balanço hídrico. A conduta de solicitar ultrassom com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta é fundamental. A analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor é adequada. As metas de extubação precoce, suspensão de drogas vasoativas, ajuste de imunossupressão, manutenção de antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa estão corretas. O controle da dor "segundo nível de conforto do lactente" é apropriado, pois em lactentes a avaliação da dor deve ser baseada em escalas comportamentais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa contém vários erros graves. O uso de "anti-inflamatório não hormonal" (AINE) é contraindicado no pós-operatório de transplante hepático, pois pode causar nefrotoxicidade e prejudicar a função renal, além de aumentar o risco de sangramento gastrointestinal. A afirmação "É desnecessária a imunossupressão, pois o doador é compatível" é totalmente incorreta: mesmo em transplante com doador aparentado, há risco de rejeição e a imunossupressão é obrigatória. A meta de extubação em "48 horas" é muito tardia, e o escore de sedação Comfort-B de "10 a 12" indica sedação excessiva, pois o alvo é entre 17 e 26.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O erro principal está na conduta de "sacar a sonda nasogástrica e alimentar a criança, se bem acordada" imediatamente após a suspensão da droga vasoativa. A alimentação deve ser iniciada somente após a confirmação de retorno do trânsito intestinal, geralmente com a presença de ruídos hidroaéreos ou eliminação de flatos, e não apenas quando a criança acordar. A retirada precoce da sonda nasogástrica sem essa confirmação pode levar a distensão gástrica, vômitos e risco de broncoaspiração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O erro está na conduta de "manter coagulação dentro dos limites da normalidade à custa de transfusão de hemoderivados". A transfusão profilática de hemoderivados para manter a coagulação "normal" não é recomendada, pois pode aumentar o risco de complicações, como lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) e sobrecarga volêmica. A transfusão deve ser guiada por sangramento ativo ou por alterações laboratoriais significativas com risco de sangramento. Além disso, a alternativa propõe "manutenção da droga vasoativa para manter boa perfusão das anastomoses", o que é incorreto: a droga vasoativa deve ser suspensa assim que possível, pois a vasoconstrição prolongada pode prejudicar a perfusão do enxerto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre transfusão profilática e transfusão guiada por sangramento ativo. No pós-operatório de transplante, a tendência é transfundir para "manter a coagulação normal", mas a prática correta é transfundir apenas se houver sangramento ativo ou alterações laboratoriais com risco de sangramento. Fique atento a essa inversão, que aparece na alternativa E.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de pós-operatório de transplante, lembre-se do mnemônico "H-D-V-I": Hemodinâmica (volemia, drogas vasoativas), Dor (analgesia adequada), Vascular (doppler do enxerto), Imunossupressão (obrigatória). Esses são os pilares do cuidado, e as alternativas que erram em qualquer um deles estão incorretas.