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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu092984
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Uma criança de 1,5 ano, 12 kg, 78 cm, foi vítima de queimadura – o quarto onde estava pegou fogo há cerca de uma hora. Ao dar entrada no hospital, observa-se uma superfície queimada de 45%, com queimaduras de segundo e terceiro graus, em face e cabeça, tronco e abdome anterior, além de braços. Notam-se presença de estridor inspiratório e desconforto respiratório moderado, pressão arterial de 80 x 50 e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. A mãe relata que a criança estava tratando um quadro gripal desde um dia antes do acidente, mas não estava com desconforto respiratório.Com relação ao atendimento inicial e ao prognóstico dessa criança, é correto afirmar que se deve obter dois acessos venosos, iniciar reposição de
  1. A135 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com succinilcolina + midazolam + fentanil. O prognóstico está associado ao fato de haver queimadura na via aérea superior.
  2. B154 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras sete horas e, depois, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se administrar soro de manutenção basal sem potássio, ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com rocurônio + propofol + fentanil. O prognóstico está associado à idade e à superfície corpórea queimada.
  3. C100 mL/kg de soro fisiológico nas primeiras sete horas e, depois de oito horas, de 37,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100%, realizar nebulização com adrenalina e administrar dexametasona. O prognóstico está associado à presença de queimaduras de segundo e terceiro graus.
  4. D87,5 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 37,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se administrar soro de manutenção sem potássio, ofertar oxigênio a 100%, realizar nebulização com adrenalina e administrar dexametasona e antibiótico profilático. O prognóstico está associado ao fato de a criança estar infectada previamente ao acidente.
  5. E135 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com succinilcolina + midazolam + fentanil. O prognóstico está associado à duração do tempo de exposição ao agente causador da queimadura.
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GabaritoB — 154 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras sete horas e, depois, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se administrar soro de manutenção basal sem potássio, ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com rocurônio + propofol + fentanil. O prognóstico está associado à idade e à superfície corpórea queimada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimaduras em Pediatria: Atendimento Inicial e Prognóstico

Gabarito: letra B. A reposição volêmica em crianças grandes queimadas deve seguir a fórmula de Parkland (4 mL × peso × %SCQ), com metade do volume nas primeiras 8 horas e o restante nas 16 horas seguintes, calculando-se a taxa por hora conforme o tempo decorrido desde a queimadura. No caso, 4 × 12 kg × 45% = 2.160 mL; metade (1.080 mL) nas primeiras 8 horas, mas como já se passou 1 hora, restam 7 horas → 1.080 ÷ 7 ≈ 154 mL/h; depois, 1.080 ÷ 16 = 67,5 mL/h. A criança apresenta estridor inspiratório e desconforto respiratório, indicando lesão inalatória, o que exige oxigênio a 100% e intubação em sequência rápida com rocurônio + propofol + fentanil (evitando succinilcolina pelo risco de hipercalemia). O prognóstico é determinado pela idade e pela superfície corpórea queimada, não pela presença de queimadura na via aérea superior isoladamente.

O atendimento inicial ao paciente queimado segue o protocolo do ATLS, tratando-o como vítima de trauma. A prioridade é a via aérea (A), avaliando sinais de edema pós-lesão inalatória, desconforto respiratório ou nível de consciência diminuído que impossibilite a proteção da via aérea — considerando intubação orotraqueal. No caso, a presença de estridor inspiratório e desconforto respiratório moderado, em um ambiente de incêndio fechado, é fortemente sugestiva de lesão inalatória, que pode evoluir com edema de via aérea superior. A intubação precoce é indicada, e a sequência rápida deve evitar succinilcolina, pois o paciente queimado tem risco de hipercalemia (pela destruição tecidual e possível rabdomiólise), preferindo-se rocurônio em dose adequada. A sedação com propofol e fentanil é apropriada.

A reanimação volêmica é o pilar do tratamento nas primeiras 48 horas, período do "burn shock", caracterizado por grave hipovolemia, baixo débito cardíaco e resistência vascular periférica elevada. A fórmula de Parkland é a mais utilizada: 4 mL × peso (kg) × %SCQ, sendo metade do volume nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes, contadas a partir do momento da queimadura. Em crianças, deve-se adicionar a manutenção basal (soro glicosado com eletrólitos, sem potássio nas primeiras 24 horas, pois há risco de hipercalemia). O soro fisiológico é usado para a reposição, mas a manutenção basal é feita com soro glicosado a 5% com NaCl, sem potássio inicialmente.

O prognóstico do paciente queimado é influenciado por vários fatores, sendo os principais a idade (extremos de idade têm pior prognóstico) e a extensão da superfície corporal queimada (SCQ). A presença de lesão inalatória também é um marcador de pior prognóstico, mas não é o único fator determinante. A alternativa B afirma corretamente que o prognóstico está associado à idade e à superfície corpórea queimada, o que é consistente com a literatura. A presença de queimadura na via aérea superior (alternativa A) é um fator de risco, mas não é o único determinante do prognóstico, e a alternativa B é mais abrangente e correta.

A pegadinha da questão está no cálculo do volume e na escolha dos medicamentos para a sequência rápida de intubação. O candidato pode errar ao calcular o volume total ou ao dividir o volume por 8 horas em vez de 7 horas (considerando que já se passou 1 hora desde a queimadura). Além disso, a succinilcolina é um distrator clássico, pois é contraindicada em queimaduras extensas pelo risco de hipercalemia. A alternativa B é a única que apresenta o cálculo correto (154 mL/h nas primeiras 7 horas) e a escolha adequada de medicamentos (rocurônio + propofol + fentanil), além de associar o prognóstico à idade e à SCQ.

  1. 14 mL × peso × %SCQ
  2. 2Metade nas 8h iniciais
  3. 3Desconta tempo decorrido
  4. 4Restante nas 16h seguintes
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O cálculo do volume está incorreto: 135 mL/h nas primeiras 8 horas resultaria em 1.080 mL, mas o correto é 154 mL/h nas primeiras 7 horas (considerando o tempo decorrido). Além disso, a succinilcolina é contraindicada em queimaduras extensas pelo risco de hipercalemia. O prognóstico não está associado apenas à queimadura na via aérea superior, mas a múltiplos fatores, incluindo idade e SCQ.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cálculo está correto: 4 × 12 × 45 = 2.160 mL; metade (1.080 mL) nas primeiras 8 horas, mas como já se passou 1 hora, restam 7 horas → 1.080 ÷ 7 ≈ 154 mL/h; depois, 1.080 ÷ 16 = 67,5 mL/h. A manutenção basal sem potássio é adequada. A sequência rápida com rocurônio + propofol + fentanil é segura, evitando succinilcolina. O prognóstico está corretamente associado à idade e à SCQ.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O volume de 100 mL/kg é excessivo e não corresponde à fórmula de Parkland. O cálculo de 37,5 mL/h nas 16 horas seguintes não é consistente com o volume total. A nebulização com adrenalina e dexametasona não são o tratamento padrão para lesão inalatória; a intubação precoce é a conduta. O prognóstico não está associado apenas à presença de queimaduras de 2º e 3º graus.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O cálculo de 87,5 mL/h nas primeiras 8 horas está incorreto (seria 135 mL/h se fossem 8 horas, ou 154 mL/h se fossem 7 horas). A nebulização com adrenalina e dexametasona não são o tratamento padrão. O antibiótico profilático não é indicado rotineiramente em queimaduras. O prognóstico não está associado à infecção prévia, mas à idade e à SCQ.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O cálculo de 135 mL/h nas primeiras 8 horas está incorreto (seria 154 mL/h se fossem 7 horas). A succinilcolina é contraindicada. O prognóstico não está associado à duração do tempo de exposição ao agente causador, mas à idade e à SCQ.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o cálculo do volume (135 mL/h em vez de 154 mL/h) e usa succinilcolina como distrator, que é contraindicada em queimaduras extensas pelo risco de hipercalemia. O candidato pode cair ao não considerar o tempo decorrido desde a queimadura (1 hora) no cálculo das primeiras 8 horas.

PEGA ESSA DICA!

Para calcular a reposição volêmica, use a fórmula de Parkland: 4 mL × peso × %SCQ. Divida o volume total em duas metades: a primeira nas primeiras 8 horas (descontando o tempo já decorrido) e a segunda nas 16 horas seguintes. Lembre-se de que a succinilcolina é contraindicada em queimaduras extensas.

Gabarito: letra B

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