Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092993
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Durante a ventilação mecânica em crianças, as assincronias acontecem em cerca de 25% dos casos, podendo levar a um aumento do trabalho respiratório, da necessidade de sedação e do tempo de ventilação mecânica. A análise das curvas de ventilação é a principal ferramenta para identificar assincronias na criança.Na figura a seguir, há uma monitorização respiratória com curva de pressão e fluxo:(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Com base na figura, é correto afirmar que
Anão há assincronias, apenas um aumento de pressão ao final da inspiração que não provoca qualquer dano na ventilação e não necessita de correção.
Bhá assincronia, pois a presença de overshoot ou sobrepressão ao final da inspiração configura-se como uma assincronia de ciclagem decorrente do ajuste inadequado da rampa ou slope; pode melhorar com a redução no tempo de rampa.
Chá assincronia, pois a presença de overshoot ou sobrepressão ao final da inspiração configura-se como uma assincronia de disparo decorrente do ajuste inadequado do chamado rise time (tempo de subida); pode melhorar com a redução desse tempo.
Dhá assincronia, que se configura como uma assincronia dupla, em que um único esforço do paciente desencadeia duas inspirações consecutivas no ventilador, decorrente de um fluxo insuficiente para o paciente; pode melhorar com ajuste do fluxo e do tempo inspiratório.
Ehá assincronia, pois a presença de overshoot ou sobrepressão ao final da inspiração configura-se como uma assincronia de ciclagem decorrente do ajuste inadequado do tempo inspiratório; pode melhorar com a redução do tempo inspiratório.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — há assincronia, pois a presença de overshoot ou sobrepressão ao final da inspiração configura-se como uma assincronia de ciclagem decorrente do ajuste inadequado do tempo inspiratório; pode melhorar com a redução do tempo inspiratório.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Assincronia paciente-ventilador: ciclagem e overshoot
Gabarito: letra E. A figura mostra um pico de pressão (overshoot) ao final da inspiração, caracterizando uma assincronia de ciclagem — o ventilador mantém a inspiração por tempo além do necessário, gerando sobrepressão. O ajuste inadequado do tempo inspiratório é a causa, e a correção é reduzir esse tempo. As demais alternativas erram ao atribuir o overshoot a outras fases (disparo) ou a outros parâmetros (rampa/slope, rise time).
A assincronia paciente-ventilador é um descompasso entre o ciclo respiratório do paciente e o ciclo do ventilador. Ela é classificada conforme a fase do ciclo em que ocorre: disparo (transição expiração→inspiração), fluxo (durante a inspiração) e ciclagem (transição inspiração→expiração). A ciclagem é o momento em que o ventilador encerra a inspiração e permite a expiração. Quando o tempo inspiratório (Ti) está ajustado de forma inadequada — muito longo —, o ventilador continua insuflando mesmo depois de o paciente já ter completado seu esforço inspiratório. Isso gera um pico de pressão ao final da inspiração, chamado de overshoot ou sobrepressão, que é a marca registrada da assincronia de ciclagem tardia.
O overshoot ocorre porque o fluxo inspiratório é interrompido abruptamente quando o Ti programado termina, mas o paciente já não está mais inspirando — ou está até tentando expirar. A pressão nas vias aéreas sobe acima do valor programado, criando o pico visível na curva de pressão. Esse fenômeno aumenta o trabalho respiratório, o desconforto e pode contribuir para lesão pulmonar. A correção é ajustar o ventilador à demanda do paciente: reduzir o tempo inspiratório para que a ciclagem ocorra no momento certo, sincronizada com o esforço do paciente.
É importante distinguir a ciclagem de outras fases. A assincronia de disparo ocorre quando o ventilador não detecta o esforço inspiratório do paciente (disparo ineficaz) ou quando dispara sem esforço (autodisparo). A assincronia de fluxo ocorre quando o fluxo inspiratório é insuficiente para a demanda do paciente, gerando uma deflexão na curva de fluxo durante a inspiração. Já a assincronia dupla (duplo disparo) é um fenômeno específico: um único esforço do paciente desencadeia duas inspirações consecutivas, geralmente por ciclagem precoce — o ventilador encerra a inspiração antes do tempo e o paciente dispara novamente. Cada tipo tem sua causa e sua correção específica, e a banca explora exatamente essa confusão entre eles.
A pegadinha central desta questão é a troca entre os tipos de assincronia e seus respectivos ajustes. O overshoot ao final da inspiração é inequivocamente um problema de ciclagem, não de disparo. E a causa é o tempo inspiratório longo, não a rampa ou o rise time. A rampa (slope) e o rise time referem-se à velocidade com que a pressão ou o fluxo atinge o valor programado no início da inspiração — um ajuste inadequado desses parâmetros causaria problemas no início da inspiração, não no final. Guarde essa fronteira: overshoot no final da inspiração = ciclagem tardia = reduzir Ti.
Assincronia paciente-ventilador
1Disparo (expiração → inspiração)
Disparo ineficaz
Autodisparo
2Fluxo (durante a inspiração)
Fluxo insuficiente
3Ciclagem (inspiração → expiração)
Precoce (Ti curto)
Duplo disparo
Tardia (Ti longo)
Overshoot ao final
Reduzir Ti
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não há assincronias e que o aumento de pressão ao final da inspiração não provoca dano. Isso é falso: o overshoot é uma assincronia de ciclagem, e assincronias elevadas (>10%) estão associadas a aumento do trabalho respiratório, lesão pulmonar, maior uso de sedação e maior tempo de ventilação mecânica. A figura mostra claramente o pico de pressão, que exige correção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao atribuir o overshoot ao ajuste inadequado da rampa ou slope. A rampa (slope) controla a velocidade de aumento da pressão no início da inspiração — um ajuste inadequado causaria problemas na fase inicial, não um pico ao final. A correção proposta (reduzir o tempo de rampa) não resolve a ciclagem tardia. O overshoot é de ciclagem, causado pelo tempo inspiratório longo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao classificar o overshoot como assincronia de disparo. A assincronia de disparo ocorre na transição expiração→inspiração (disparo ineficaz, autodisparo), não ao final da inspiração. O rise time (tempo de subida) também se refere ao início da inspiração, à velocidade de atingir a pressão alvo. O overshoot é de ciclagem, e a correção é reduzir o tempo inspiratório, não o rise time.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao classificar o overshoot como assincronia dupla (duplo disparo). O duplo disparo é caracterizado por duas inspirações consecutivas desencadeadas por um único esforço, geralmente por ciclagem precoce (Ti curto demais). A figura mostra um pico de pressão ao final da inspiração, não duas inspirações. A correção para duplo disparo seria aumentar o Ti, não reduzir. O overshoot é de ciclagem tardia, com Ti longo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Identifica corretamente o overshoot como assincronia de ciclagem, decorrente do ajuste inadequado do tempo inspiratório, e propõe a correção adequada: reduzir o tempo inspiratório. O pico de pressão ao final da inspiração é a assinatura da ciclagem tardia — o ventilador mantém a insuflação além do esforço do paciente, gerando sobrepressão. Reduzir o Ti sincroniza a ciclagem com o paciente, eliminando o overshoot.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os tipos de assincronia e seus ajustes. O overshoot ao final da inspiração é sempre ciclagem tardia (Ti longo → reduzir Ti). Não confunda com disparo (início da inspiração), com rampa/slope (velocidade de subida da pressão) ou com duplo disparo (duas inspirações por ciclagem precoce). Memorize: overshoot no final = ciclagem = reduzir Ti.