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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu092995
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
De acordo com as diretrizes mais recentes (PALICC-2, 2023), qual dos critérios a seguir é mais crítico para o diagnóstico de PARDS (síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico), em uma criança ventilada de forma não invasiva?
  1. APresença de edema pulmonar cardiogênico detectado por ecocardiografia.
  2. BHipoxemia definida por uma relação PaO₂/FiO₂ menor ou igual a 300 em pacientes ventilados de forma não invasiva por um tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas.
  3. CInício súbito de insuficiência respiratória grave em até quatro dias, associado à necessidade de ventilação não invasiva.
  4. DEvidência clínica de disfunção ventilatória sem alteração evidente em imagens torácicas.
  5. EAumento progressivo do espaço morto pulmonar associado a redução da complacência pulmonar e acidose metabólica grave.
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GabaritoB — Hipoxemia definida por uma relação PaO₂/FiO₂ menor ou igual a 300 em pacientes ventilados de forma não invasiva por um tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo Pediátrico (PARDS) — PALICC-2

Gabarito: letra B. Nas diretrizes PALICC-2 (2023), o critério mais crítico para o diagnóstico de PARDS em crianças ventiladas de forma não invasiva é a hipoxemia definida por relação PaO₂/FiO₂ ≤ 300, em um tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas. As demais alternativas ou representam critérios de exclusão (A), ou são insuficientes/inadequadas isoladamente (C, D, E) para firmar o diagnóstico.

A síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico (PARDS) é uma forma de lesão pulmonar aguda inflamatória, caracterizada por hipoxemia e opacidades bilaterais, que não são explicadas por insuficiência cardíaca ou sobrecarga volêmica. O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico, baseado em critérios padronizados. As diretrizes PALICC-2 (Pediatric Acute Lung Injury Consensus Conference) de 2023 atualizaram os critérios diagnósticos, ampliando as possibilidades de suporte ventilatório e incluindo novas ferramentas, como a ultrassonografia.

O ponto central da questão é a estratificação pelo modo de suporte ventilatório. Para crianças em ventilação não invasiva (VNI) ou CPAP, o critério de hipoxemia é uma relação PaO₂/FiO₂ ≤ 300, com um tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas. Isso difere do critério para ventilação invasiva, que é PaO₂/FiO₂ ≤ 300 também, mas com a exigência de PEEP ≥ 5 cmH₂O. A diretriz também aceita a relação SpO₂/FiO₂ ≤ 315 (ou SpO₂ ≤ 97%) como alternativa à gasometria, quando esta não estiver disponível.

É fundamental distinguir os critérios diagnósticos da PARDS dos critérios de exclusão. A presença de edema pulmonar cardiogênico, por exemplo, é um critério de exclusão — ou seja, se a hipoxemia for explicada por causa cardíaca, o diagnóstico de PARDS não deve ser feito. Da mesma forma, o início súbito de insuficiência respiratória em até quatro dias é um critério de tempo, mas não é suficiente isoladamente; é necessário que haja hipoxemia e opacidades bilaterais. A evidência clínica de disfunção ventilatória sem alteração em imagens torácicas não preenche o critério radiológico, que exige opacidades bilaterais. E o aumento do espaço morto e a redução da complacência são achados fisiopatológicos, mas não são critérios diagnósticos formais.

A banca explora a confusão entre os critérios diagnósticos e os critérios de exclusão, e entre os diferentes limiares de hipoxemia conforme o suporte ventilatório. O candidato que não domina a especificidade do critério para VNI pode se perder. A alternativa B é a única que traz o limiar correto (PaO₂/FiO₂ ≤ 300) e a condição correta (ventilação não invasiva com tempo conhecido de sintomas), sendo, portanto, a mais crítica para o diagnóstico.

Guarde a distinção: para o diagnóstico de PARDS, a hipoxemia é o critério central, e o limiar de PaO₂/FiO₂ ≤ 300 se aplica tanto à ventilação invasiva quanto à não invasiva, mas com a ressalva do tempo conhecido de sintomas e, na VNI, sem a exigência de PEEP mínima. É exatamente nesse detalhe que as alternativas se dividem.

PARDS (PALICC-2)
  • 1Critérios diagnósticos
    • Tempo conhecido de sintomas
    • Hipoxemia (PaO₂/FiO₂ ≤ 300)
      • VNI: sem PEEP mínima
      • Invasiva: PEEP ≥ 5
    • Opacidades bilaterais
    • Exclusão de causa cardíaca
  • 2Critérios de exclusão
    • Edema pulmonar cardiogênico
  • 3Achados não diagnósticos
    • Espaço morto aumentado
    • Complacência reduzida
    • Acidose metabólica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença de edema pulmonar cardiogênico é um critério de exclusão para o diagnóstico de PARDS, não um critério diagnóstico. Se a hipoxemia for explicada por insuficiência cardíaca ou sobrecarga volêmica, o diagnóstico de PARDS não deve ser feito. A ecocardiografia pode ser usada para excluir essa causa, mas não é um critério para confirmar a síndrome.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. A diretriz PALICC-2 define a hipoxemia como critério essencial para o diagnóstico de PARDS. Em crianças ventiladas de forma não invasiva, o limiar é PaO₂/FiO₂ ≤ 300, com tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas. A relação SpO₂/FiO₂ ≤ 315 (ou SpO₂ ≤ 97%) também é aceita como alternativa. Esse é o critério mais crítico, pois sem hipoxemia não há PARDS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O início súbito de insuficiência respiratória em até quatro dias é um critério de tempo, mas não é suficiente isoladamente para o diagnóstico. É necessário que haja hipoxemia (PaO₂/FiO₂ ≤ 300) e opacidades bilaterais na imagem torácica. A necessidade de ventilação não invasiva não é um critério diagnóstico, mas sim uma modalidade de suporte que define o limiar de hipoxemia a ser aplicado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A evidência clínica de disfunção ventilatória sem alteração em imagens torácicas não preenche o critério radiológico do diagnóstico de PARDS. As diretrizes exigem opacidades bilaterais na radiografia, tomografia ou ultrassonografia torácica. Sem essas alterações, o diagnóstico não pode ser firmado, mesmo com hipoxemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O aumento do espaço morto pulmonar e a redução da complacência são achados fisiopatológicos associados à PARDS, mas não são critérios diagnósticos formais. A acidose metabólica grave também não faz parte dos critérios. O diagnóstico se baseia em hipoxemia, opacidades bilaterais e exclusão de causa cardíaca, não em parâmetros de mecânica pulmonar ou gasometria metabólica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato oferecendo critérios que são de exclusão (A), critérios de tempo insuficientes (C), achados clínicos sem imagem (D) e alterações fisiopatológicas que não são diagnósticas (E). O candidato que não domina a especificidade do critério de hipoxemia para VNI pode se perder. Lembre-se: sem hipoxemia, não há PARDS.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre PARDS, memorize os critérios diagnósticos em blocos: (1) tempo conhecido de sintomas, (2) hipoxemia (PaO₂/FiO₂ ≤ 300 ou SpO₂/FiO₂ ≤ 315), (3) opacidades bilaterais, (4) exclusão de causa cardíaca. E lembre-se de que o limiar de hipoxemia é o mesmo para VNI e ventilação invasiva, mas na VNI não há exigência de PEEP mínima.

Gabarito: letra B

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