Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093002
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica
Durante a ressuscitação cardiopulmonar em uma criança com ritmo chocável, qual é a sequência recomendada de ações após a primeira desfibrilação, incluindo o uso de medicamentos, conforme as diretrizes da American Heart Association de 2020?
AContinuar com compressões torácicas por dois minutos antes de realizar nova desfibrilação e, na sequência, administrar amiodarona.
BRealizar ventilação de resgate por um minuto, depois administrar epinefrina e continuar as compressões torácicas.
CAdministrar epinefrina imediatamente após a desfibrilação, seguida por compressões torácicas por dois minutos.
DContinuar com compressões torácicas por dois minutos, avaliar ritmo cardíaco e, se o ritmo for chocável, realizar nova desfibrilação, voltar a administrar compressões e então administrar a primeira dose de epinefrina.
EReavaliar o ritmo cardíaco imediatamente após a desfibrilação e administrar amiodarona ou lidocaína antes de iniciar uma nova rodada de compressões.
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GabaritoD — Continuar com compressões torácicas por dois minutos, avaliar ritmo cardíaco e, se o ritmo for chocável, realizar nova desfibrilação, voltar a administrar compressões e então administrar a primeira dose de epinefrina.
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Ressuscitação Cardiopulmonar Pediátrica: Ritmo Chocável e Sequência de Ações
Gabarito: letra D. Após a primeira desfibrilação em uma criança com ritmo chocável (FV/TV sem pulso), a sequência correta é: retomar imediatamente as compressões torácicas por 2 minutos, reavaliar o ritmo e, se ainda chocável, realizar nova desfibrilação, seguida de mais 2 minutos de compressões e, então, administrar a primeira dose de epinefrina. Essa é a conduta preconizada pelas diretrizes da American Heart Association (AHA) de 2020, que prioriza a minimização das interrupções nas compressões e a administração precoce do vasopressor.
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em crianças com ritmo chocável segue um algoritmo cíclico e bem definido. O objetivo central é restaurar a perfusão coronariana e cerebral, minimizando ao máximo as interrupções nas compressões torácicas. Após cada desfibrilação, a RCP deve ser reiniciada imediatamente, começando pelas compressões, e mantida por 2 minutos antes de qualquer nova avaliação de ritmo. Essa pausa de 2 minutos é crucial para restabelecer o fluxo sanguíneo miocárdico, que foi interrompido pelo choque.
A epinefrina (adrenalina) é o primeiro fármaco a ser utilizado em qualquer ritmo de parada cardiorrespiratória (PCR). No entanto, em ritmos chocáveis, a primeira dose não é administrada imediatamente após o primeiro choque. A lógica é que, após o primeiro choque, a prioridade é retomar as compressões e avaliar se o ritmo foi convertido. A epinefrina é indicada após o segundo choque, ou seja, quando a FV/TV persiste apesar da primeira desfibrilação e do primeiro ciclo de RCP. Isso otimiza o momento da administração, garantindo que o fármaco seja dado quando há maior probabilidade de o ritmo ainda ser chocável e quando o acesso venoso já foi estabelecido.
A amiodarona ou a lidocaína são antiarrítmicos de segunda linha, reservados para os casos de FV/TV refratária, ou seja, quando o ritmo persiste apesar de múltiplas desfibrilações, RCP de qualidade e uso de vasopressor. A sequência típica é: choque → RCP 2 min → checagem de ritmo → se chocável, novo choque → RCP 2 min → checagem de ritmo → se chocável, novo choque → RCP 2 min → administrar epinefrina (após o segundo choque) e, se persistir, considerar antiarrítmico (amiodarona ou lidocaína) após o terceiro choque.
A pegadinha central desta questão é a ordem de administração da epinefrina. Muitos candidatos assumem que, por ser a primeira droga, ela deve ser dada imediatamente após o primeiro choque. No entanto, a diretriz é clara: em ritmo chocável, a primeira dose de epinefrina é administrada após o segundo choque, não após o primeiro. A alternativa D captura exatamente essa sequência: continuar compressões por 2 minutos, avaliar ritmo, se chocável, nova desfibrilação, voltar a administrar compressões e então administrar a primeira dose de epinefrina.
Guarde a sequência do algoritmo de FV/TV sem pulso: choque → RCP 2 min → checagem → choque → RCP 2 min → epinefrina → checagem → choque → RCP 2 min → amiodarona/lidocaína. É nessa ordem que as alternativas se dividem.
1Choque
2RCP 2 min
3Checagem de ritmo
4Choque
5RCP 2 min
6Epinefrina
7Checagem de ritmo
8Choque
9RCP 2 min
10Amiodarona/Lidocaína
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, após a primeira desfibrilação, deve-se continuar as compressões por 2 minutos e, na sequência, administrar amiodarona. O erro está em administrar amiodarona já após o primeiro ciclo de RCP. A amiodarona é um antiarrítmico de segunda linha, indicado apenas para FV/TV refratária, ou seja, após múltiplos choques e após o uso de epinefrina. A sequência correta após o primeiro choque é RCP por 2 minutos, checagem de ritmo e, se chocável, novo choque. A amiodarona só entra em cena mais tarde, após o terceiro choque, se o ritmo persistir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe realizar ventilação de resgate por um minuto, depois administrar epinefrina e continuar as compressões. Essa sequência está completamente equivocada. Após a desfibrilação, a prioridade absoluta é retomar as compressões torácicas imediatamente, não realizar ventilação isolada por um minuto. Além disso, a epinefrina não é administrada imediatamente após o primeiro choque, mas sim após o segundo choque. A ventilação, quando necessária, é integrada à RCP (relação 30:2 ou 15:2), não como uma etapa separada de um minuto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere administrar epinefrina imediatamente após a desfibrilação, seguida por compressões torácicas por dois minutos. O erro está em administrar a epinefrina imediatamente após o primeiro choque. Conforme as diretrizes, a primeira dose de epinefrina em ritmo chocável é administrada após o segundo choque, não após o primeiro. A sequência correta é: choque → RCP 2 min → checagem → se chocável, novo choque → RCP 2 min → epinefrina. A administração precoce da epinefrina, antes do segundo choque, não é a conduta recomendada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a sequência recomendada: continuar com compressões torácicas por dois minutos, avaliar ritmo cardíaco e, se o ritmo for chocável, realizar nova desfibrilação, voltar a administrar compressões e então administrar a primeira dose de epinefrina. Essa é a conduta da AHA 2020 para FV/TV sem pulso em crianças. A epinefrina é administrada após o segundo choque, e não após o primeiro, otimizando o momento da droga e garantindo que as compressões sejam retomadas imediatamente após cada choque.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que se deve reavaliar o ritmo cardíaco imediatamente após a desfibrilação e administrar amiodarona ou lidocaína antes de iniciar uma nova rodada de compressões. O erro é duplo: primeiro, a reavaliação do ritmo não é imediata, mas sim após 2 minutos de RCP; segundo, a amiodarona ou lidocaína não são administradas antes de iniciar as compressões, mas sim após múltiplos choques e após o uso de epinefrina, em caso de FV/TV refratária. A prioridade após o choque é sempre retomar as compressões, não administrar antiarrítmicos.