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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093037
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Homem, 54 anos, diagnóstico de diabetes mellitus há 4 anos, desconhecia o valor de sua glicemia antes do diagnóstico. Na consulta inicial, negou antecedentes patológicos. Exame físico: PA 135 x 80 mmHg e edema de membros inferiores ++/4. Exame de fundo de olho normal. Exames recentes: creatinina sérica = 1,3 mg/dL; exame de urina: proteína +++/4, hemácias = 80.000/mL (VR até 10.000), leucócitos = 8.000/mL (VR até 10.000); proteinúria 3,8 g/24horas; albumina sérica 3,1 g/dL. Realizada biópsia renal, na qual foi identificada a seguinte lesão glomerular na microscopia óptica:Imagem associada para resolução da questão(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Em face do exposto, assinale a alternativa correta.
  1. AAs alterações presentes no sedimento urinário excluem os diagnósticos de nefropatia diabética e doenças por depósitos de cadeias leves.
  2. BO diagnóstico etiológico desse caso só é possível por meio da microscopia eletrônica, que vai mostrar membrana basal glomerular adelgaçada no diabetes.
  3. CAs alterações morfológicas são consistentes com nefropatia diabética, entretanto, esse diagnóstico está excluído pelos achados ao exame de fundo de olho.
  4. DUm dos possíveis diagnósticos etiológicos dessa lesão glomerular pode ser confirmado por meio do exame à luz polarizada com o corante vermelho congo.
  5. EA presença de um diagnóstico histopatológico glomerular alternativo é raro, e o esclarecimento desse diagnóstico sobreposto à doença renal do diabetes é pouco relevante.
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GabaritoD — Um dos possíveis diagnósticos etiológicos dessa lesão glomerular pode ser confirmado por meio do exame à luz polarizada com o corante vermelho congo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefropatia diabética e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra D. A lesão glomerular descrita — nódulos de Kimmelstiel-Wilson na microscopia óptica — é típica da nefropatia diabética, mas o quadro clínico (hematúria importante, ausência de retinopatia, proteinúria nefrótica em paciente com DM há apenas 4 anos) levanta a suspeita de uma glomerulopatia sobreposta, como a amiloidose, cujo diagnóstico pode ser confirmado pela microscopia de luz polarizada após coloração com vermelho congo, que evidencia a birrefringência verde-maçã característica dos depósitos amiloides.

A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal crônica no mundo e se desenvolve em cerca de 20 a 40% dos pacientes com diabetes. Histologicamente, caracteriza-se por espessamento da membrana basal glomerular, expansão mesangial e, nos casos mais avançados, pela formação dos nódulos de Kimmelstiel-Wilson, que são positivos na coloração com ácido periódico de Schiff (PAS) e metenamina de prata. O diagnóstico clínico é geralmente feito na presença de albuminúria em paciente com diabetes de longa duração, frequentemente acompanhado de retinopatia diabética. Entretanto, a ausência de retinopatia não exclui o diagnóstico, e a presença de achados atípicos — como sedimento urinário ativo, síndrome nefrótica franca, rápida perda de função renal ou diabetes de curta duração — deve levantar a suspeita de uma doença glomerular não diabética sobreposta.

No caso apresentado, o paciente tem diabetes mellitus há apenas 4 anos, não apresenta retinopatia diabética ao exame de fundo de olho e tem hematúria importante (80.000 hemácias/mL), achados que fogem do padrão clássico da nefropatia diabética, na qual o sedimento urinário costuma ser benigno. A proteinúria de 3,8 g/24h com hipoalbuminemia (3,1 g/dL) configura síndrome nefrótica, e a biópsia renal mostrou lesão glomerular que, embora possa ser consistente com nefropatia diabética, também pode ser causada por outras doenças que cursam com depósitos mesangiais nodulares, como a amiloidose e a doença por depósitos de cadeias leves. A amiloidose, em particular, pode ser diagnosticada pela coloração com vermelho congo, que confere aos depósitos amiloides uma birrefringência verde-maçã quando observados sob luz polarizada.

A alternativa D está correta porque reconhece que, diante de um quadro atípico para nefropatia diabética, um dos possíveis diagnósticos etiológicos — a amiloidose — pode ser confirmado por meio do exame à luz polarizada com o corante vermelho congo. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou afirmações incorretas sobre o diagnóstico e o manejo dessas condições. A banca explora a confusão entre os achados típicos e atípicos da nefropatia diabética e a importância de se considerar diagnósticos diferenciais quando o quadro clínico não é clássico.

Nefropatia diabética
  • 1Achados típicos
    • Espessamento da membrana basal
    • Expansão mesangial
    • Nódulos de Kimmelstiel-Wilson
    • Sedimento urinário benigno
  • 2Sinais de alerta (atípicos)
    • Hematúria importante
    • Síndrome nefrótica franca
    • DM de curta duração
    • Ausência de retinopatia
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Amiloidose
      • Vermelho congo
      • Birrefringência verde-maçã
    • Doença por cadeias leves
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as alterações no sedimento urinário excluem os diagnósticos de nefropatia diabética e doenças por depósitos de cadeias leves. Isso é falso: a presença de hematúria e leucocitúria não exclui nenhum desses diagnósticos. Na nefropatia diabética, o sedimento urinário costuma ser benigno, mas a hematúria pode ocorrer, especialmente em fases avançadas ou quando há glomerulopatia sobreposta. Nas doenças por depósitos de cadeias leves, a hematúria também pode estar presente. O sedimento urinário ativo é um sinal de alerta para causas não diabéticas, mas não exclui a nefropatia diabética nem as doenças por cadeias leves.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico etiológico só é possível por meio da microscopia eletrônica, que mostraria membrana basal glomerular adelgaçada no diabetes. Há dois erros: (1) a microscopia eletrônica não é o único método diagnóstico — a microscopia óptica e a imunofluorescência são fundamentais e, em muitos casos, suficientes; (2) no diabetes, a membrana basal glomerular está espessada, não adelgaçada. O adelgaçamento da membrana basal é característico da síndrome de Alport e da doença de membrana basal fina.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as alterações morfológicas são consistentes com nefropatia diabética, mas que esse diagnóstico está excluído pelos achados ao exame de fundo de olho. Isso é falso: a ausência de retinopatia diabética não exclui o diagnóstico de nefropatia diabética. Embora a retinopatia seja frequentemente associada à nefropatia, sua ausência não descarta a doença, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2, nos quais a nefropatia pode se manifestar antes da retinopatia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque reconhece que, diante de um quadro atípico para nefropatia diabética, um dos possíveis diagnósticos etiológicos — a amiloidose — pode ser confirmado por meio do exame à luz polarizada com o corante vermelho congo. A amiloidose renal é uma causa de síndrome nefrótica e pode apresentar depósitos mesangiais nodulares na microscopia óptica, semelhantes aos da nefropatia diabética. A coloração com vermelho congo, seguida de observação sob luz polarizada, revela a birrefringência verde-maçã característica dos depósitos amiloides, confirmando o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a presença de um diagnóstico histopatológico glomerular alternativo é raro e que o esclarecimento desse diagnóstico sobreposto à doença renal do diabetes é pouco relevante. Isso é falso: diagnósticos alternativos ou sobrepostos à nefropatia diabética não são raros, especialmente em pacientes com achados atípicos, e o esclarecimento é de extrema relevância, pois pode mudar completamente o tratamento e o prognóstico. Por exemplo, a amiloidose e a doença por depósitos de cadeias leves têm tratamentos específicos que não seriam instituídos se o diagnóstico fosse apenas de nefropatia diabética.

Gabarito: letra D

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