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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093041
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Um paciente de 54 anos em diálise peritoneal apresenta vermelhidão e dor no local de saída do cateter. Exames microbiológicos identificam Staphylococcus aureus como o patógeno causador.Considerando as recomendações para a prevenção e tratamento de infecções do sítio de saída e do túnel em diálise peritoneal, qual das seguintes medidas é mais apropriada para tratar essa infecção e prevenir futuras complicações?
  1. AAdministrar tratamento tópico com mupirocina no local de saída do cateter, uma vez que essa abordagem é eficaz contra a maioria dos patógenos gram-positivos, incluindo S. aureus, resistente à meticilina.
  2. BIniciar antibioticoterapia sistêmica com vancomicina, devido ao alto risco de progressão para peritonite e a presença de S. aureus.
  3. CUsar limpeza regular com solução de povidona-iodo e aplicação de cremes antibióticos com gentamicina, visando eliminar a colonização por gram-positivos e gram-negativos.
  4. DEvitar qualquer uso de agentes antibióticos e concentrar-se apenas na limpeza mecânica do local, pois a introdução de antibióticos pode levarà resistência bacteriana.
  5. EColetar cultura do material da saída do cateter e iniciar antibioticoterapia, de acordo com o germe isolado e a sensibilidade a ele.
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GabaritoB — Iniciar antibioticoterapia sistêmica com vancomicina, devido ao alto risco de progressão para peritonite e a presença de S. aureus.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção do sítio de saída do cateter em diálise peritoneal: manejo e prevenção

Gabarito: letra B. Na infecção do sítio de saída do cateter de diálise peritoneal por Staphylococcus aureus, a conduta mais apropriada é iniciar antibioticoterapia sistêmica com vancomicina, devido ao alto risco de progressão para peritonite e à gravidade do patógeno. As diretrizes recomendam que, em infecções por S. aureus, a terapia sistêmica seja instituída prontamente, pois esse agente está associado a maior morbidade e falha terapêutica, sendo a vancomicina o antimicrobiano de escolha para cepas resistentes à meticilina (MRSA), conforme a tabela de antimicrobianos recomendados para diferentes patógenos.

A infecção do sítio de saída (ISS) é uma complicação comum em pacientes em diálise peritoneal, caracterizada por eritema, dor, edema e secreção purulenta no orifício de saída do cateter. O Staphylococcus aureus é um dos patógenos mais frequentes e temerosos nesse contexto, pois pode progredir para infecção do túnel subcutâneo e, subsequentemente, para peritonite, uma complicação grave que ameaça a viabilidade do cateter e a vida do paciente. A abordagem terapêutica deve ser agressiva e baseada na gravidade do quadro e no microrganismo isolado.

O manejo da ISS por S. aureus envolve dois pilares: antibioticoterapia sistêmica e cuidados locais. A antibioticoterapia sistêmica é essencial, pois a infecção por esse patógeno tem alto potencial de disseminação. A escolha do antimicrobiano deve considerar o perfil de resistência: para S. aureus sensível à meticilina (MSSA), a oxacilina é a primeira escolha; para cepas resistentes à meticilina (MRSA), a vancomicina é o fármaco indicado. A vancomicina é frequentemente utilizada como terapia empírica inicial em infecções relacionadas a cateter, especialmente em pacientes com fatores de risco para MRSA, como internação hospitalar prévia ou uso recente de antibióticos.

Além da antibioticoterapia sistêmica, a limpeza local com antissépticos e a aplicação de pomadas antibióticas tópicas, como mupirocina ou gentamicina, podem ser utilizadas como medidas adjuvantes para erradicar a colonização e prevenir recorrências. No entanto, o tratamento tópico isolado não é suficiente para tratar uma infecção ativa por S. aureus, especialmente quando há sinais de infecção do túnel ou risco de peritonite. A remoção do cateter pode ser necessária em casos de infecção grave, refratária ao tratamento ou com complicações como abscesso ou peritonite.

A prevenção de futuras complicações inclui a educação do paciente sobre os cuidados com o cateter, a técnica asséptica na manipulação, a limpeza diária do sítio de saída com solução antisséptica e a aplicação profilática de mupirocina no local de saída, conforme recomendado pelas diretrizes. A mupirocina tópica é eficaz na erradicação da colonização nasal e cutânea por S. aureus, reduzindo o risco de infecções recorrentes. No entanto, seu uso deve ser criterioso para evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana.

A banca explora a confusão entre o tratamento tópico e o sistêmico, bem como a escolha do antimicrobiano adequado. O candidato deve reconhecer que, em uma infecção ativa por S. aureus no sítio de saída, a antibioticoterapia sistêmica é mandatória, e a vancomicina é a escolha apropriada quando há suspeita de MRSA ou em casos graves. A alternativa que sugere apenas limpeza mecânica ou tratamento tópico isolado é inadequada, pois não aborda o risco de progressão para peritonite.

Infecção do sítio de saída (ISS) por S. aureus
  • 1Tratamento
    • Antibioticoterapia sistêmica (pilar)
      • MSSA → oxacilina
      • MRSA → vancomicina
    • Adjuvantes
      • Limpeza com antisséptico
      • Pomada tópica (mupirocina/gentamicina)
  • 2Complicações
    • Infecção do túnel
    • Peritonite
    • Remoção do cateter
  • 3Prevenção
    • Técnica asséptica
    • Limpeza diária
    • Mupirocina profilática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A mupirocina tópica é eficaz contra S. aureus, incluindo MRSA, mas seu uso é indicado para descolonização e prevenção, não como tratamento isolado de uma infecção ativa do sítio de saída. Em uma infecção estabelecida, o tratamento tópico não é suficiente para erradicar o patógeno e prevenir a progressão para infecção do túnel ou peritonite. A alternativa ignora a necessidade de antibioticoterapia sistêmica, que é o pilar do tratamento.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vancomicina é o antimicrobiano de escolha para infecções por S. aureus resistente à meticilina (MRSA), e seu uso sistêmico é indicado em infecções do sítio de saída por esse patógeno, devido ao alto risco de progressão para peritonite. A alternativa está correta ao reconhecer a necessidade de terapia sistêmica e a escolha adequada do antibiótico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A limpeza com povidona-iodo e a aplicação de gentamicina tópica podem ser medidas adjuvantes, mas não substituem a antibioticoterapia sistêmica em uma infecção ativa por S. aureus. A gentamicina tópica é mais útil para prevenir infecções por gram-negativos, mas não é o tratamento de escolha para uma infecção estabelecida por S. aureus. A alternativa falha ao não considerar a necessidade de terapia sistêmica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Evitar antibióticos e focar apenas na limpeza mecânica é uma conduta inadequada e perigosa. A infecção por S. aureus tem alto risco de progressão para peritonite, e a ausência de antibioticoterapia pode levar a complicações graves. Embora a preocupação com resistência bacteriana seja válida, o tratamento da infecção ativa não deve ser negligenciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Coletar cultura e iniciar antibioticoterapia de acordo com o germe isolado é uma conduta adequada, mas a alternativa não especifica a necessidade de terapia sistêmica imediata. Em uma infecção por S. aureus, a espera pelo resultado da cultura pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações. A alternativa B é mais apropriada por indicar a vancomicina como terapia empírica inicial, considerando o alto risco de MRSA.

Gabarito: letra B

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