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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093043
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Mulher de 55 anos procura médico nefrologista por quadro de hipertensão de difícil controle. Medicação atual: clortalidona 25 mg/dia; anlodipina 10 mg/dia; atenolol 50 mg, duas vezes ao dia; e enalapril, que foi recentemente aumentado de 10 mg, uma vez ao dia, para 20 mg, duas vezes ao dia. Creatinina basal de 1,1 mg/dL, mas foi para 1,8 mg/dL nos últimos dois meses, conforme exames recentes; potássio de 4,9 mEq/L; e bicarbonato de 22 mEq/L.Em face do exposto, qual dos seguintes estudos deve ser feito primeiro?
  1. ATomografia computadorizada abdominal com protocolo adrenal.
  2. BPolissonografia.
  3. CAngiografia renal.
  4. DUltrassonografia duplex renal de artérias renais.
  5. EAldosterona e renina basal.
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GabaritoD — Ultrassonografia duplex renal de artérias renais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão de difícil controle e suspeita de estenose de artéria renal

Gabarito: letra D. A paciente apresenta hipertensão de difícil controle com piora aguda da função renal (creatinina de 1,1 para 1,8 mg/dL) após aumento da dose de enalapril, um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA). Esse padrão — elevação da creatinina após introdução ou aumento de IECA/bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) — é um forte indício de estenose de artéria renal bilateral ou em rim único funcionante, e o exame de imagem inicial mais adequado para investigar essa hipótese é a ultrassonografia duplex das artérias renais, que avalia o fluxo sanguíneo e detecta estenoses hemodinamicamente significativas.

A hipertensão de difícil controle é definida como aquela que permanece acima da meta apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses adequadas, incluindo um diurético. Nesse cenário, a investigação de causas secundárias é mandatória. A estenose de artéria renal é uma das causas secundárias mais relevantes, especialmente quando há piora da função renal associada ao uso de IECA ou BRA. O mecanismo é claro: o IECA reduz a formação de angiotensina II, que é o principal efetor da vasoconstrição da arteríola eferente glomerular. Em um rim com estenose significativa, a pressão de perfusão glomerular já está reduzida, e a manutenção da filtração depende criticamente da vasoconstrição da arteríola eferente mediada pela angiotensina II. Ao bloquear esse mecanismo, o IECA provoca queda da pressão intraglomerular e, consequentemente, elevação da creatinina sérica. Essa elevação, quando superior a 30% do valor basal, é um marcador clássico de estenose bilateral ou em rim único.

A paciente em questão usa clortalidona, anlodipina, atenolol e enalapril. O aumento do enalapril de 10 mg/dia para 20 mg duas vezes ao dia (40 mg/dia) foi seguido de elevação da creatinina de 1,1 para 1,8 mg/dL, um aumento de aproximadamente 64%, muito acima do limiar de 30% que sugere estenose de artéria renal. O potássio de 4,9 mEq/L, embora ainda dentro da faixa normal alta, também é compatível com o diagnóstico, pois a estenose bilateral ou em rim único leva a hiperaldosteronismo secundário e, com o uso de IECA, pode haver tendência à hipercalemia. O bicarbonato de 22 mEq/L é normal, afastando acidose metabólica significativa.

A escolha do exame inicial é crucial. A ultrassonografia duplex das artérias renais é um método não invasivo, sem contraste iodado ou radiação, que permite avaliar a morfologia renal e o fluxo sanguíneo nas artérias renais, identificando estenoses com boa sensibilidade e especificidade. É o exame de triagem mais adequado nesse contexto, especialmente porque a paciente tem função renal alterada, o que contraindica exames com contraste iodado (angiografia convencional ou tomografia com contraste) e torna a angioressonância uma opção menos acessível. A angiografia renal convencional, embora seja o padrão-ouro diagnóstico, é um exame invasivo, com riscos de complicações e nefrotoxicidade pelo contraste, sendo reservada para casos em que a intervenção é planejada. A tomografia computadorizada com protocolo adrenal é indicada para investigação de feocromocitoma ou hiperaldosteronismo primário, não para estenose de artéria renal. A polissonografia é o exame para apneia obstrutiva do sono, outra causa de hipertensão secundária, mas não é a primeira hipótese diante do quadro clínico apresentado. A dosagem de aldosterona e renina basal é útil para rastrear hiperaldosteronismo primário, mas a piora da função renal após aumento de IECA aponta fortemente para estenose de artéria renal, tornando o duplex renal a investigação mais apropriada.

A distinção entre as causas secundárias de hipertensão é essencial para a escolha do exame. O hiperaldosteronismo primário se manifesta com hipertensão e hipocalemia (potássio baixo), não hipercalemia. O feocromocitoma cursa com crises de hipertensão, palpitações, sudorese e cefaleia. A apneia obstrutiva do sono é mais comum em homens obesos com ronco e sonolência diurna. A estenose de artéria renal, por sua vez, deve ser suspeitada em pacientes com hipertensão de difícil controle, piora da função renal após IECA/BRA, sopro abdominal ou assimetria renal. A paciente apresenta exatamente o padrão clássico: hipertensão resistente e elevação da creatinina após aumento de IECA.

A pegadinha desta questão está em não reconhecer a associação entre a piora da função renal e o uso de IECA, que é o dado mais importante do enunciado. O candidato pode ser tentado a investigar hiperaldosteronismo primário (alternativa E) ou feocromocitoma (alternativa A), mas a elevação da creatinina após aumento de IECA é um sinal de alerta específico para estenose de artéria renal. A banca explora a confusão entre as causas secundárias de hipertensão e seus respectivos exames diagnósticos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada abdominal com protocolo adrenal é o exame de escolha para investigação de feocromocitoma e hiperaldosteronismo primário, não para estenose de artéria renal. O quadro clínico da paciente — piora da função renal após aumento de IECA — não sugere doença adrenal. Além disso, o uso de contraste iodado na tomografia pode ser nefrotóxico, especialmente em paciente com creatinina elevada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A polissonografia é o exame diagnóstico para apneia obstrutiva do sono, uma causa secundária de hipertensão, mas o quadro clínico não apresenta sintomas típicos como ronco, sonolência diurna ou obesidade. A piora da função renal após aumento de IECA é o dado central e aponta para outra direção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A angiografia renal é o padrão-ouro para diagnóstico de estenose de artéria renal, mas é um exame invasivo, com risco de complicações e nefrotoxicidade pelo contraste iodado. Não é o primeiro exame a ser realizado; a ultrassonografia duplex é a triagem inicial não invasiva. A angiografia fica reservada para confirmação e planejamento de intervenção.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ultrassonografia duplex das artérias renais é o exame de triagem inicial mais adequado para investigar estenose de artéria renal. É não invasivo, sem contraste iodado ou radiação, e permite avaliar o fluxo sanguíneo nas artérias renais, identificando estenoses hemodinamicamente significativas. No contexto da paciente — hipertensão de difícil controle com piora da função renal após aumento de IECA — é a primeira investigação a ser feita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem de aldosterona e renina basal é o rastreio para hiperaldosteronismo primário, que se manifesta com hipertensão e hipocalemia (potássio baixo). A paciente apresenta potássio de 4,9 mEq/L (normal alto), o que não é compatível com hiperaldosteronismo primário. Além disso, a piora da função renal após aumento de IECA é o dado que direciona para estenose de artéria renal, não para aldosteronismo.

A regra de ouro para a prova: hipertensão de difícil controle + elevação da creatinina após introdução ou aumento de IECA/BRA = suspeitar de estenose de artéria renal bilateral ou em rim único. O exame inicial é a ultrassonografia duplex das artérias renais, não a angiografia (que é o padrão-ouro, mas invasiva) nem a dosagem de aldosterona/renina (que investiga outra causa).

Gabarito: letra D

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