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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093046
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Homem, 48 anos, sem acompanhamento adequado, foi trazido à emergência em franca insuficiência respiratória, sendo prontamente entubado. Familiares referem história prévia de dor e câimbras em membros inferiores há mais de um ano, fraqueza generalizada há 1 semana e dificuldade para respirar progressiva. Normotenso na admissão. Os exames de sangue revelaram creatinina de 1,6 mg/dL, K de 1,7 mEq/L, pH de 7,05 e HCO3 de 6,2 mEq/L.Em face do exposto, qual é o diagnóstico mais provável?
  1. ASíndrome de Cushing.
  2. BSíndrome de Sjögren.
  3. CSíndrome aparente do excesso de mineralocorticoide.
  4. DSíndrome de Lidlle.
  5. ESíndrome de Coon.
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GabaritoB — Síndrome de Sjögren.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbios do Potássio e Acidose Metabólica: Diagnóstico Diferencial

Gabarito: letra B. O quadro clínico de fraqueza muscular, câimbras, hipopotassemia grave (K 1,7 mEq/L) e acidose metabólica com ânion gap normal (pH 7,05, HCO3 6,2 mEq/L) aponta para uma acidose tubular renal (ATR) distal, que é uma manifestação clássica da Síndrome de Sjögren — doença autoimune que pode cursar com nefrite túbulo-intersticial e ATR tipo 1. As demais alternativas cursam com hipopotassemia, mas não com acidose metabólica hiperclorêmica (ânion gap normal) associada a essa apresentação clínica.

A chave para resolver esta questão está em interpretar corretamente o distúrbio acidobásico e o distúrbio hidroeletrolítico em conjunto. O paciente apresenta acidose metabólica grave (pH 7,05, HCO3 6,2 mEq/L) com hipopotassemia severa (K 1,7 mEq/L). A primeira pergunta que o médico deve fazer é: qual é o ânion gap? Embora não fornecido no enunciado, a presença de hipopotassemia grave associada a acidose metabólica com ânion gap normal (hiperclorêmica) é o padrão clássico das acidoses tubulares renais (ATR). A ATR distal (tipo 1) é caracterizada pela incapacidade de excretar ácido na urina, levando a acidose metabólica hiperclorêmica, hipopotassemia (por perda renal de potássio) e, frequentemente, nefrolitíase. A ATR proximal (tipo 2) também causa acidose hiperclorêmica, mas com hipopotassemia menos grave e associação com outras disfunções do túbulo proximal.

A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune sistêmica que afeta principalmente as glândulas exócrinas (olhos e boca secos), mas pode ter manifestações extraglandulares, incluindo envolvimento renal. A nefrite túbulo-intersticial é a manifestação renal mais comum, podendo evoluir para ATR distal (tipo 1) em uma parcela significativa dos pacientes. A ATR distal na Sjögren é uma causa clássica de hipopotassemia grave com acidose metabólica, e pode ser a apresentação inicial da doença, como sugere o caso clínico (história de dor e câimbras em membros inferiores há mais de um ano, fraqueza generalizada e insuficiência respiratória por fraqueza muscular).

É fundamental distinguir a ATR de outras causas de hipopotassemia com acidose. A Síndrome de Cushing e a Síndrome aparente do excesso de mineralocorticoide cursam com hipopotassemia e alcalose metabólica, não acidose. A Síndrome de Liddle também causa hipopotassemia e alcalose metabólica, por ativação do canal de sódio epitelial (ENaC). A Síndrome de Conn (hiperaldosteronismo primário) igualmente cursa com hipopotassemia e alcalose metabólica. Portanto, a presença de acidose metabólica é o ponto-chave que exclui todas as outras alternativas e direciona para a ATR, e a Sjögren é a causa autoimune mais clássica e provável nesse contexto.

A apresentação clínica com insuficiência respiratória aguda em paciente com fraqueza muscular progressiva e hipopotassemia grave é típica de paralisia muscular por hipopotassemia, que pode afetar a musculatura respiratória. A história de dor e câimbras em membros inferiores há mais de um ano sugere um processo crônico, compatível com uma doença autoimune de evolução insidiosa como a Sjögren. A creatinina levemente elevada (1,6 mg/dL) pode refletir doença renal crônica incipiente ou desidratação, mas não é o dado central para o diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as causas de hipopotassemia com acidose versus alcalose metabólica. As síndromes de Cushing, Liddle, Conn e a síndrome aparente do excesso de mineralocorticoide cursam com hipopotassemia e alcalose metabólica, pois o excesso de mineralocorticoide leva à perda de potássio e hidrogênio na urina. A ATR, por outro lado, cursa com acidose metabólica por incapacidade de excretar ácido. O candidato que não atentar para essa diferença crucial pode facilmente marcar uma alternativa incorreta.

Hipopotassemia grave + acidose metabólica
  • 1Acidose (ânion gap normal)
    • ATR distal (tipo 1)
      • Sjögren (gabarito)
      • Outras causas autoimunes
    • ATR proximal (tipo 2)
  • 2Alcalose (exclui as demais)
    • Síndrome de Cushing
    • Síndrome de Liddle
    • Síndrome de Conn
    • Excesso aparente de mineralocorticoide
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A Síndrome de Cushing é caracterizada por excesso de glicocorticoides, cursando com hipopotassemia e alcalose metabólica, não acidose. O quadro clínico típico inclui obesidade central, estrias violáceas, hipertensão, hiperglicemia e fraqueza muscular, mas a acidose metabólica não faz parte do espectro. A hipopotassemia na síndrome de Cushing é menos grave e geralmente associada a outras manifestações clássicas que não estão presentes no caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune que pode causar acidose tubular renal distal (tipo 1), levando a acidose metabólica hiperclorêmica com hipopotassemia grave. A nefrite túbulo-intersticial é a manifestação renal mais comum, e a ATR distal pode ser a apresentação inicial da doença. O quadro clínico de fraqueza muscular, câimbras, hipopotassemia severa e acidose metabólica é altamente sugestivo dessa condição, especialmente em um paciente com história crônica de sintomas neuromusculares.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Síndrome aparente do excesso de mineralocorticoide é uma causa de hipopotassemia e alcalose metabólica, não acidose. É causada por mutação na enzima 11-beta-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 2, que leva ao acúmulo de cortisol ativando receptores mineralocorticoides. O quadro clínico inclui hipertensão, hipopotassemia e alcalose, mas não acidose metabólica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Síndrome de Liddle é uma doença genética rara que causa ativação do canal de sódio epitelial (ENaC) no túbulo coletor, levando a hipopotassemia e alcalose metabólica. O quadro clínico é semelhante ao hiperaldosteronismo primário, com hipertensão e hipopotassemia, mas não cursa com acidose metabólica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Síndrome de Conn (hiperaldosteronismo primário) é causada por adenoma ou hiperplasia da glândula adrenal, levando a excesso de aldosterona. Isso resulta em hipopotassemia e alcalose metabólica, não acidose. O quadro clínico inclui hipertensão, fraqueza muscular e hipopotassemia, mas a acidose metabólica não é uma característica.

Gabarito: letra B

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