A nefropatia por IgA é a glomerulonefrite primária mais prevalente com uma incidência global de, pelo menos, 2,5 por 100.000. Estimativa da incidência é um desafio devido a variações geográficas e nos padrões de prática de biópsia, sendo o diagnóstico definitivo feito com biópsia renal.Assinale a alternativa correta em relação à nefropatia por IgA (IgAN).
AO quarto Hit na patogênese da doença decorre da deposição de complexos imunes circulantes no mesângio, com ativação do complemento e dano tecidual.
BAs células T são centrais para a patogênese da IgAN por meio da produção de IgA1 deficiente em galactose (Gd IgA1) patogênica.
CDe acordo com a classificação histológica de Oxford, a proliferação mesangial (M1) e endocapilar (E1) denotam pior prognóstico.
DA IgAN é uma doença imunomediada com ativação do complemento pela via alternativa e vias de lectina, com consumo de C3 no sangue.
EA positividade de biomarcadores séricos, como anticorpos contra IgA1 deficiente em galactose (Gd IgA1), aumenta a possibilidade de rejeição pós-transplante.
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GabaritoA — O quarto Hit na patogênese da doença decorre da deposição de complexos imunes circulantes no mesângio, com ativação do complemento e dano tecidual.
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Nefropatia por IgA: patogênese e classificação
Gabarito: letra A. O quarto hit na patogênese da nefropatia por IgA (IgAN) é a deposição de complexos imunes circulantes no mesângio, com ativação do complemento e dano tecidual — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas contêm erros conceituais: a produção de IgA1 deficiente em galactose (Gd-IgA1) é atribuída às células B (plasmócitos), não às células T; a classificação de Oxford usa M, E, S e T, mas M1 e E1 não denotam, isoladamente, pior prognóstico; a ativação do complemento na IgAN ocorre principalmente pelas vias alternativa e da lectina, mas o consumo de C3 no sangue não é característico; e a positividade de biomarcadores séricos não aumenta a possibilidade de rejeição pós-transplante.
A nefropatia por IgA é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada pela deposição predominante de IgA no mesângio glomerular. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia renal, que mostra proliferação mesangial, depósitos mesangiais de IgA na imunofluorescência e depósitos elétron-densos no mesângio na microscopia eletrônica. Clinicamente, os pacientes podem apresentar episódios de hematúria macroscópica que acompanham infecções de vias respiratórias superiores (sinfaringite) ou hematúria assintomática, com ou sem proteinúria.
A patogênese da IgAN é explicada pelo modelo dos "quatro hits", que descreve a sequência de eventos que leva à doença:
Primeiro hit: produção aumentada de IgA1 deficiente em galactose (Gd-IgA1) pelas células B (plasmócitos). Essa IgA1 anômala tem galactose ausente ou reduzida na região hinge.
Segundo hit: reconhecimento da Gd-IgA1 por autoanticorpos (IgG ou IgA) circulantes, formando complexos imunes.
Terceiro hit: os complexos imunes circulantes contendo Gd-IgA1 se depositam no mesângio glomerular.
Quarto hit: a deposição mesangial ativa o complemento e desencadeia dano tecidual, proliferação mesangial e inflamação.
A alternativa A descreve corretamente o quarto hit: a deposição de complexos imunes circulantes no mesângio, com ativação do complemento e dano tecidual. É importante notar que a ativação do complemento na IgAN ocorre principalmente pelas vias alternativa e da lectina, mas o consumo de C3 no sangue não é uma característica marcante da doença, diferentemente da glomerulonefrite pós-infecciosa, onde há hipocomplementemia com C3 baixo.
A classificação histológica de Oxford (MEST) avalia quatro parâmetros: M (proliferação mesangial), E (proliferação endocapilar), S (glomerulosclerose segmentar) e T (atrofia tubular/fibrose intersticial). A pontuação M1, E1, S1 e T1 indica a presença de cada lesão, mas o prognóstico é avaliado pela combinação desses parâmetros, não por um único deles isoladamente. Por exemplo, M1 e E1 estão associados a pior prognóstico quando presentes, mas a alternativa C afirma que "denotam pior prognóstico" de forma genérica, o que é impreciso — a classificação de Oxford não atribui pior prognóstico a M1 e E1 isoladamente, mas sim à combinação de lesões.
A alternativa B erra ao atribuir às células T a produção de IgA1 deficiente em galactose. Na verdade, são as células B (plasmócitos) que produzem a Gd-IgA1 patogênica. As células T têm papel na regulação da resposta imune, mas não são as produtoras diretas da imunoglobulina anômala.
A alternativa D afirma que a IgAN é uma doença imunomediada com ativação do complemento pela via alternativa e vias de lectina, com consumo de C3 no sangue. Embora a ativação do complemento pelas vias alternativa e da lectina seja correta, o consumo de C3 no sangue não é uma característica típica da IgAN. Na verdade, a hipocomplementemia com C3 baixo é mais associada à glomerulonefrite pós-infecciosa, à glomerulopatia por C3 e à nefrite lúpica.
A alternativa E afirma que a positividade de biomarcadores séricos, como anticorpos contra Gd-IgA1, aumenta a possibilidade de rejeição pós-transplante. Isso não é correto. A presença de anticorpos contra Gd-IgA1 é um biomarcador da doença, mas não está associada a maior risco de rejeição pós-transplante. Na verdade, a recorrência da IgAN no enxerto é uma preocupação, mas não está relacionada à positividade desses biomarcadores.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as células produtoras de IgA1 deficiente em galactose (células B, não T) e entre a ativação do complemento e o consumo de C3 no sangue. Na IgAN, a ativação do complemento ocorre, mas o consumo de C3 no sangue não é característico — isso é típico da glomerulonefrite pós-infecciosa. Fique atento a essas trocas sutis.
1Células B produzem Gd-IgA1
2Autoanticorpos formam complexos
3Depósito no mesângio
4Complemento e dano tecidual
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o quarto hit da patogênese da IgAN: a deposição de complexos imunes circulantes no mesângio, com ativação do complemento e dano tecidual. Esse é o passo final da cascata patogênica, que leva à lesão glomerular característica da doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao atribuir às células T a produção de IgA1 deficiente em galactose (Gd-IgA1). Na verdade, são as células B (plasmócitos) que produzem a Gd-IgA1 patogênica. As células T têm papel na regulação da resposta imune, mas não são as produtoras diretas da imunoglobulina anômala.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a proliferação mesangial (M1) e endocapilar (E1) denotam pior prognóstico na classificação de Oxford. Embora essas lesões estejam associadas a pior prognóstico quando presentes, a classificação de Oxford (MEST) avalia o prognóstico pela combinação dos parâmetros, não por um único deles isoladamente. A afirmação é imprecisa e generalizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a IgAN tem ativação do complemento pela via alternativa e vias de lectina, com consumo de C3 no sangue. Embora a ativação do complemento pelas vias alternativa e da lectina seja correta, o consumo de C3 no sangue não é uma característica típica da IgAN. A hipocomplementemia com C3 baixo é mais associada à glomerulonefrite pós-infecciosa, à glomerulopatia por C3 e à nefrite lúpica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a positividade de biomarcadores séricos, como anticorpos contra Gd-IgA1, aumenta a possibilidade de rejeição pós-transplante. Isso não é correto. A presença de anticorpos contra Gd-IgA1 é um biomarcador da doença, mas não está associada a maior risco de rejeição pós-transplante. A recorrência da IgAN no enxerto é uma preocupação, mas não está relacionada à positividade desses biomarcadores.