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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093055
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Mulher 46 anos, procura PS com história de dois dias de febre, cefaleia, dor retro ocular e muscular sendo feito o diagnóstico sorológico de dengue. Transplante renal doador falecido há cinco anos, em uso regular de sirolimo 2 mg/dia, tacrolimo 6 mg/dia e corticoide 5 mg/dia, ausência de proteinúria. Exames laboratoriais no PS: creatinina: 1,5 mg/dL (anterior de 1,0 mg/dl); hematócrito 40%; plaquetas 56.000/mm³; leucócitos 2.400/mm³. Exame de urina: hemácias 10/campo; leucócitos 5/campo; proteína ++/4.A conduta imediata deve ser:
  1. Areduzir a dose de tacrolimo, para permitir resposta imune contra o vírus da dengue, manter corticoide e sirolimo.
  2. Brealizar biópsia do enxerto e indicar pulso de corticoide, pela hipótese de rejeição aguda associada ao quadro de dengue.
  3. Cinterromper o uso de sirolimo pelo componente hematológico (plaquetopenia e leucopenida dengue; manter corticoide e tacrolimo.
  4. Dhidratar rigorosamente, manter as medicações nas doses prescritas e aumentar somente a dose de corticoide.
  5. Eaumentar as doses de tacrolimo e corticoide e associar antiproteinúrico, pela hipótese de glomerulonefrite secundária à dengue.
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GabaritoC — interromper o uso de sirolimo pelo componente hematológico (plaquetopenia e leucopenida dengue; manter corticoide e tacrolimo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dengue em paciente transplantado renal: manejo da imunossupressão

Gabarito: letra C. Em paciente transplantado renal com dengue e plaquetopenia/leucopenia, a conduta imediata é interromper o sirolimo (droga com importante mielotoxicidade, agravando a plaquetopenia e leucopenia da dengue), mantendo tacrolimo e corticoide. O sirolimo (rapamicina) é um inibidor de mTOR com efeito antiproliferativo que causa mielossupressão, e sua suspensão é recomendada em infecções virais com citopenias, como a dengue.

A dengue é uma arbovirose causada pelo vírus do gênero Flavivirus, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia, dor retro-orbital e mialgia, como apresentado na paciente. Em pacientes imunossuprimidos, como transplantados renais, a infecção pode ter evolução mais grave, com maior risco de complicações hemorrágicas e disfunção do enxerto. O diagnóstico sorológico (IgM) é útil após o 6º dia de sintomas, e a pesquisa de antígeno NS1 é positiva até o 4º dia.

A paciente apresenta plaquetopenia (56.000/mm³) e leucopenia (2.400/mm³), achados típicos da dengue, mas que podem ser agravados pelo uso de sirolimo, que tem efeito mielossupressor. O sirolimo, ao inibir a mTOR, bloqueia a proliferação de linfócitos e também pode causar citopenias. Em infecções virais, a recomendação é suspender ou reduzir a dose de sirolimo para permitir a recuperação medular e a resposta imune ao vírus. O tacrolimo (inibidor de calcineurina) e o corticoide devem ser mantidos para evitar rejeição do enxerto, mas com monitorização dos níveis séricos.

A conduta correta, portanto, é interromper o sirolimo, manter tacrolimo e corticoide, e monitorar o paciente de perto. A hidratação deve ser criteriosa, pois a dengue pode cursar com extravasamento plasmático, mas em paciente renal transplantado, o risco de sobrecarga hídrica e lesão renal aguda deve ser considerado. A biópsia do enxerto não é indicada de imediato, pois a elevação da creatinina pode ser decorrente da própria infecção ou de nefrotoxicidade por tacrolimo, e não necessariamente rejeição aguda.

A distinção crucial é entre a mielotoxicidade do sirolimo e a plaquetopenia da dengue. A banca explora a confusão entre reduzir tacrolimo (para "permitir resposta imune") e interromper sirolimo (pelo componente hematológico). O tacrolimo é um imunossupressor mais potente e sua redução aumenta o risco de rejeição; o sirolimo, por sua vez, tem perfil de toxicidade hematológica mais relevante. A conduta imediata é suspender o sirolimo, mantendo a imunossupressão de base com tacrolimo e corticoide.

1Conduta imediata
Interromper sirolimo (mielotoxicidade)
Manter tacrolimo
Manter corticoide
2Hidratação
Criteriosa (risco de sobrecarga)
3Biópsia do enxerto
Não indicada de imediato
Dengue em transplantado renal
LEVELsoulevel.com.br
Dengue em transplantado renal: Conduta imediata (Interromper sirolimo (mielotoxicidade), Manter tacrolimo, Manter corticoide); Hidratação (Criteriosa (risco de sobrecarga)); Biópsia do enxerto (Não indicada de imediato)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Reduzir a dose de tacrolimo para "permitir resposta imune" é um erro conceitual. O tacrolimo é o principal imunossupressor para prevenir rejeição, e sua redução aumenta o risco de rejeição aguda. Além disso, a resposta imune contra o vírus da dengue não é o objetivo principal; o manejo é suporte e ajuste da imunossupressão para evitar complicações. O sirolimo, que é o mais mielotóxico, deveria ser interrompido, não o tacrolimo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar biópsia do enxerto e indicar pulso de corticoide pela hipótese de rejeição aguda é precipitado. A elevação da creatinina (de 1,0 para 1,5 mg/dL) pode ser decorrente da própria dengue (disfunção renal associada à infecção) ou nefrotoxicidade por tacrolimo. Não há sinais claros de rejeição aguda (como febre, dor no enxerto, oligúria) além da creatinina elevada. A biópsia é invasiva e deve ser considerada após afastar outras causas, como a própria infecção. O pulso de corticoide aumentaria a imunossupressão, piorando a evolução da dengue.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Interromper o sirolimo é a conduta correta. O sirolimo tem efeito mielossupressor, agravando a plaquetopenia e leucopenia da dengue. A suspensão permite a recuperação medular e reduz o risco de complicações hemorrágicas. Manter tacrolimo e corticoide é essencial para prevenir rejeição do enxerto. A conduta está alinhada com as recomendações de manejo de dengue em imunossuprimidos, que orientam ajustar a imunossupressão conforme a gravidade da infecção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Hidratar rigorosamente e manter as medicações nas doses prescritas é inadequado. A hidratação deve ser criteriosa, pois a paciente é transplantada renal e tem risco de sobrecarga hídrica e lesão renal aguda. Além disso, manter o sirolimo, que agrava as citopenias, é um erro. Aumentar a dose de corticoide não é indicado, pois não há evidência de rejeição e o aumento da imunossupressão pode piorar a dengue.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aumentar as doses de tacrolimo e corticoide e associar antiproteinúrico é totalmente equivocado. Aumentar a imunossupressão em um paciente com infecção viral ativa é contraindicado, pois piora a evolução da dengue. A proteinúria (proteína ++/4) pode ser decorrente da própria dengue (disfunção glomerular transitória) ou de nefropatia crônica do enxerto, mas não justifica aumento de imunossupressão. A hipótese de glomerulonefrite secundária à dengue é rara e não é a conduta imediata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao sugerir reduzir o tacrolimo (alternativa A) para "permitir resposta imune", quando o correto é interromper o sirolimo (alternativa C), que é o imunossupressor com maior efeito mielossupressor. O tacrolimo é a base da imunossupressão e não deve ser reduzido em infecção aguda, pois o risco de rejeição é maior. Lembre-se: em dengue com citopenias, o sirolimo é o primeiro a ser suspenso.

PEGA ESSA DICA!

Em pacientes transplantados com infecções virais, avalie qual imunossupressor tem maior potencial de agravar o quadro. O sirolimo (mTOR) causa mielossupressão, enquanto tacrolimo e corticoide são mantidos para evitar rejeição. A plaquetopenia e leucopenia na dengue são esperadas, mas o sirolimo as potencializa.

Gabarito: letra C

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