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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093061
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia
Homem, 22 anos, em acompanhamento em consultório há 5 anos, por quadro de síndrome nefrótica idiopática. Participa de um estudo multicêntrico para avaliar novos biomarcadores sorológicos em doenças glomerulares, sendo informando que os níveis séricos do receptor da uroquinase solúvel (suPAR) encontram-se muito acima dos valores da normalidade.Esse resultado já era esperado pelo médico nefrologista, pois o diagnóstico da glomerulopatia desse paciente é:
  1. Aglomerulopatia de lesões mínimas.
  2. Bglomerulopatia membranosa.
  3. Cglomerulosclerose focal e segmentar.
  4. Dglomerulonefrite membranoproliferativa.
  5. Eglomerulonefrite imunotacoide.
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GabaritoC — glomerulosclerose focal e segmentar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome nefrótica idiopática e biomarcadores: suPAR na GESF

Gabarito: letra C. O receptor solúvel do ativador do plasminogênio tipo uroquinase (suPAR) é um biomarcador sérico associado à glomerulosclerose segmentar e focal (GESF), especialmente na forma primária/idiopática, em que níveis elevados são encontrados em cerca de dois terços dos casos. Essa associação é reconhecida na literatura nefrológica e é o que sustenta a expectativa do médico diante do resultado do estudo.

A síndrome nefrótica é definida pela tríade clássica de proteinúria intensa (acima de 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia e edema, podendo cursar com hiperlipidemia e lipidúria. As glomerulopatias que mais comumente se manifestam como síndrome nefrótica são a doença de lesões mínimas (DLM), a glomerulosclerose segmentar e focal (GESF), a glomerulopatia membranosa (GM), a nefropatia diabética e a amiloidose. Em adultos jovens, a GESF idiopática é a causa mais prevalente, enquanto a DLM predomina em crianças pré-púberes e a GM torna-se mais comum após a quinta década de vida.

A GESF não é uma doença única, mas um padrão de lesão glomerular caracterizado por esclerose segmentar de alguns glomérulos (focal), com apagamento difuso dos pedicelos dos podócitos à microscopia eletrônica. A patogênese da forma primária envolve um fator de permeabilidade circulante que lesa os podócitos. O suPAR é um dos candidatos a esse fator: estudos demonstram que seus níveis séricos estão elevados em aproximadamente dois terços dos pacientes com GESF primária, e ainda mais elevados em receptores de transplante renal com GESF recorrente. Contudo, o suPAR não diferencia GESF primária de secundária, e seus níveis aumentam com a redução da taxa de filtração glomerular, o que limita sua especificidade.

As demais glomerulopatias listadas nas alternativas não apresentam essa associação com o suPAR. A glomerulopatia de lesões mínimas (DLM) é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, mas não tem o suPAR como biomarcador. A glomerulopatia membranosa está associada a autoanticorpos anti-fosfolipase A2 (anti-PLA2R), não ao suPAR. A glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP) e a glomerulonefrite imunotacoide são entidades distintas, com outros mecanismos fisiopatológicos e biomarcadores.

A pegadinha da questão está em associar o suPAR a uma glomerulopatia que não seja a GESF. O candidato que conhece apenas a tríade da síndrome nefrótica pode ser levado a escolher a DLM, por ser a mais comum em jovens, mas o biomarcador aponta especificamente para a GESF. É essencial memorizar os biomarcadores de cada glomerulopatia para responder corretamente a questões como esta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A glomerulopatia de lesões mínimas (DLM) é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, mas não está associada a níveis elevados de suPAR. Seu diagnóstico é feito por exclusão e pela histologia, que mostra glomérulos normais à microscopia óptica e apagamento difuso dos pedicelos à microscopia eletrônica. O suPAR não é um biomarcador da DLM.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A glomerulopatia membranosa (GM) é uma causa comum de síndrome nefrótica em adultos, especialmente após os 50 anos, e está associada a autoanticorpos anti-PLA2R, não ao suPAR. A presença de níveis elevados de suPAR não é esperada na GM.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glomerulosclerose segmentar e focal (GESF) é a glomerulopatia associada a níveis elevados de suPAR. O suPAR é um marcador potencial de fator de permeabilidade circulante na GESF primária, com níveis elevados em cerca de dois terços dos casos. Essa é a associação que o médico espera encontrar no paciente do enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP) é uma glomerulopatia que se manifesta com síndrome nefrótica e/ou nefrítica, mas não está associada ao suPAR. Seus biomarcadores e mecanismos fisiopatológicos são distintos, envolvendo crioglobulinas, complemento e outras vias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A glomerulonefrite imunotacoide é uma glomerulopatia rara, caracterizada por depósitos de imunoglobulinas e complemento organizados em microtúbulos, mas não está associada ao suPAR. O suPAR é específico da GESF, não dessa entidade.

Gabarito: letra C — a glomerulosclerose segmentar e focal é a glomerulopatia associada a níveis elevados de suPAR.

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