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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093064
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
No transplante renal na infância, qual a doença primária mais recorrente?
  1. ANefrite lúpica.
  2. BSíndrome hemolítico-urêmica.
  3. CGlomeruloesclerose segmentar e focal.
  4. DGlomerulonefrite pós-infecciosa.
  5. ESíndrome de Alport
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GabaritoC — Glomeruloesclerose segmentar e focal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante renal na infância: doença primária mais recorrente

Gabarito: letra C. A glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) é a doença primária mais recorrente em crianças submetidas a transplante renal, sendo responsável por uma parcela significativa dos casos de doença renal em estágio terminal (DRET) nessa faixa etária. Essa prevalência se deve à alta taxa de recorrência da GESF no enxerto, que pode levar à perda do mesmo, e à sua frequência como causa de insuficiência renal crônica na infância.

A GESF é uma podocitopatia, ou seja, uma doença que afeta primariamente os podócitos, as células epiteliais viscerais que revestem a membrana basal glomerular. A lesão característica é a esclerose (cicatrização) de parte do tufo glomerular, com colapso das alças capilares e adesão à cápsula de Bowman. Essa esclerose é "segmentar" porque atinge apenas um segmento do glomérulo, e "focal" porque acomete apenas alguns glomérulos, pelo menos inicialmente. A doença se manifesta clinicamente com síndrome nefrótica, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia.

A importância da GESF no contexto do transplante renal pediátrico é dupla. Primeiro, ela é uma das causas mais comuns de DRET em crianças, levando à necessidade de terapia renal substitutiva, incluindo o transplante. Segundo, a GESF apresenta uma taxa de recorrência no enxerto que varia de 20% a 40%, sendo maior em crianças e em pacientes com rápida progressão da doença original. A recorrência é mediada por um fator de permeabilidade circulante, ainda não totalmente identificado, que aumenta a permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à proteinúria e à esclerose. Essa recorrência pode ocorrer precocemente, até mesmo nas primeiras horas ou dias após o transplante, e é uma das principais causas de perda do enxerto nesses pacientes.

A distinção entre a GESF e outras glomerulopatias é crucial para o manejo clínico. A doença por lesão mínima (DLM), por exemplo, é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, mas raramente progride para DRET e tem baixa recorrência pós-transplante. Já a nefropatia por IgA, embora possa recorrer no enxerto, raramente causa perda do mesmo. A síndrome de Alport, uma doença genética do colágeno tipo IV, não recorre no enxerto, pois o rim transplantado produz colágeno normal. A síndrome hemolítico-urêmica (SHU) pode recorrer, especialmente nas formas atípicas, mas não é a doença primária mais comum. A nefrite lúpica, por sua vez, pode recorrer, mas a recorrência clínica é menos frequente e a perda do enxerto por essa causa é incomum.

A banca explora a confusão entre a doença primária mais comum que leva à DRET na infância e a doença que mais recorre no enxerto. Embora a DLM seja a causa mais comum de síndrome nefrótica na infância, ela raramente progride para DRET. A GESF, por outro lado, é uma causa importante de DRET e tem alta taxa de recorrência, o que a torna a doença primária mais recorrente no transplante renal pediátrico. É essa combinação de frequência e recorrência que a alternativa C captura.

GESF no transplante renal pediátrico
  • 1Por que é a mais recorrente
    • Alta taxa de recorrência (20–40%)
    • Causa comum de DRET na infância
    • Fator de permeabilidade circulante
  • 2Recorrência no enxerto
    • Pode ocorrer precocemente
    • Principal causa de perda do enxerto
  • 3Distinção de outras glomerulopatias
    • DLM: rara progressão para DRET
    • Nefropatia por IgA: rara perda do enxerto
    • Síndrome de Alport: não recorre
    • SHU: recorre nas formas atípicas
    • Nefrite lúpica: recorrência menos frequente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A nefrite lúpica é uma causa importante de doença renal em crianças e adolescentes, mas não é a doença primária mais recorrente no transplante renal pediátrico. Embora possa recorrer no enxerto, a recorrência clínica é menos frequente e a perda do enxerto por essa causa é incomum. A alternativa confunde a relevância da nefrite lúpica como causa de DRET com a sua taxa de recorrência pós-transplante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome hemolítico-urêmica (SHU) é uma causa importante de insuficiência renal aguda em crianças, mas não é a doença primária mais recorrente no transplante renal. A SHU típica (associada à E. coli produtora de toxina Shiga) raramente recorre no enxerto, enquanto as formas atípicas (relacionadas a alterações do complemento) podem recorrer, mas não são a causa mais comum de DRET na infância.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) é a doença primária mais recorrente no transplante renal na infância. Isso se deve à sua alta taxa de recorrência no enxerto (20-40%), mediada por um fator de permeabilidade circulante, e à sua frequência como causa de DRET em crianças. A recorrência pode levar à perda do enxerto, tornando a GESF um desafio clínico significativo no transplante pediátrico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A glomerulonefrite pós-infecciosa é uma causa comum de síndrome nefrítica aguda em crianças, mas raramente progride para DRET e não é uma doença primária recorrente no transplante renal. A alternativa confunde uma doença aguda e autolimitada com uma doença crônica que leva à necessidade de transplante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Alport é uma doença genética do colágeno tipo IV que afeta a membrana basal glomerular, levando a hematúria, proteinúria e progressão para DRET. No entanto, a doença não recorre no enxerto, pois o rim transplantado produz colágeno normal. Portanto, não é a doença primária mais recorrente no transplante renal pediátrico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao oferecer doenças que são causas comuns de doença renal na infância, mas que não são as mais recorrentes no transplante. A pegadinha está em associar a frequência da doença como causa de DRET com a sua taxa de recorrência no enxerto. A GESF é a única que combina alta frequência como causa de DRET e alta taxa de recorrência, tornando-a a resposta correta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre transplante renal, lembre-se de que a GESF é a doença primária mais recorrente, tanto em crianças quanto em adultos. A DLM é a causa mais comum de síndrome nefrótica na infância, mas raramente progride para DRET. A síndrome de Alport não recorre no enxerto. A nefrite lúpica e a SHU podem recorrer, mas com menor frequência e impacto.

Gabarito: letra C

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