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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093065
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
Na Doença Renal Crônica (DRC), deve-se administrar calcitriol quando
  1. Aníveis de fósforo acima do limite superior para idade e estágio da DRC.
  2. Bníveis de cálcio > 10,2 mg/dL.
  3. Cníveis de 25-OH-Vit D < 20 ng/mL.
  4. Dníveis de PTH abaixo da meta para o estágio da DRC.
  5. EPTH elevado e níveis normais de Vitamina D.
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GabaritoE — PTH elevado e níveis normais de Vitamina D.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbio Mineral e Ósseo na Doença Renal Crônica: uso de calcitriol

Gabarito: letra E. O calcitriol (forma ativa da vitamina D) deve ser administrado na DRC quando há hiperparatireoidismo secundário (PTH elevado) com níveis normais de vitamina D, após correção de fatores modificáveis como hiperfosfatemia, hipocalcemia e deficiência de vitamina D. As demais alternativas representam contraindicações ou situações em que o calcitriol não é a conduta inicial.

O distúrbio mineral e ósseo da DRC (DMO-DRC) é uma complicação complexa que envolve alterações nos níveis de cálcio, fósforo, PTH e vitamina D. Na DRC, há uma redução da vitamina D ativa (calcitriol) disponível, pois os rins perdem a capacidade de hidroxilar a 25-OH-vitamina D em 1,25-(OH)₂-vitamina D. Essa deficiência, somada à hipocalcemia (por menor absorção intestinal de cálcio) e à hiperfosfatemia (por menor excreção renal), estimula a secreção de PTH pelas paratireoides, levando ao hiperparatireoidismo secundário (HPTS).

O tratamento do HPTS na DRC segue uma sequência lógica: primeiro, corrigem-se os fatores modificáveis — hiperfosfatemia (com restrição dietética e quelantes de fósforo), hipocalcemia (com suplementação de cálcio) e deficiência de vitamina D (com reposição de vitamina D nativa ou calcidiol). Somente se o PTH permanecer elevado e progressivo após essas medidas é que se inicia o calcitriol ou análogos da vitamina D. O calcitriol atua diretamente nos receptores VDR da paratireoide, suprimindo a síntese e secreção de PTH.

É fundamental entender que o calcitriol não deve ser usado quando há hipercalcemia ou hiperfosfatemia, pois isso agravaria essas condições e aumentaria o risco de calcificação vascular. Por isso, antes de iniciar o calcitriol, é preciso garantir que os níveis de cálcio e fósforo estejam controlados. A alternativa E captura exatamente essa situação: PTH elevado (indicando HPTS que não respondeu às medidas iniciais) e níveis normais de vitamina D (indicando que a deficiência de vitamina D já foi corrigida ou não é o problema principal).

A pegadinha desta questão está em inverter a lógica terapêutica: o calcitriol é usado para tratar o HPTS, não para corrigir hiperfosfatemia, hipercalcemia ou deficiência de vitamina D — essas são condições que devem ser corrigidas antes de se pensar em calcitriol. A banca explora exatamente essa confusão entre o que é causa (hiperfosfatemia, hipocalcemia, deficiência de vitamina D) e o que é consequência (PTH elevado) no DMO-DRC.

  1. 1Corrigir hiperfosfatemia (quelantes)
  2. 2Corrigir hipocalcemia (cálcio)
  3. 3Corrigir deficiência de vitamina D (nativa)
  4. 4[+] Calcitriol se PTH persistir elevado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hiperfosfatemia é um fator modificável que deve ser corrigido antes de se iniciar calcitriol. O uso de calcitriol com fósforo elevado pode piorar a hiperfosfatemia e aumentar o risco de calcificação metastática. A conduta inicial para hiperfosfatemia é restrição dietética de fósforo e uso de quelantes de fósforo (como sevelâmer ou carbonato de cálcio), não calcitriol.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Níveis de cálcio > 10,2 mg/dL caracterizam hipercalcemia, que é uma contraindicação ao uso de calcitriol. O calcitriol aumenta a absorção intestinal de cálcio e pode elevar ainda mais a calcemia, causando hipercalcemia grave. Nessa situação, a conduta é reduzir ou suspender o calcitriol, e não iniciá-lo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Níveis de 25-OH-vit D < 20 ng/mL indicam deficiência de vitamina D, que deve ser corrigida com reposição de vitamina D nativa (ergocalciferol ou colecalciferol) ou calcidiol (25-OH-vitamina D). O calcitriol é a forma ativa e não é a primeira escolha para corrigir a deficiência de vitamina D — ele é reservado para o tratamento do HPTS após a correção dos fatores modificáveis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

PTH abaixo da meta para o estágio da DRC indica que o HPTS está controlado ou que há supressão excessiva do PTH (possivelmente por uso excessivo de calcitriol ou análogos). Nessa situação, não há indicação de iniciar calcitriol — pelo contrário, pode ser necessário reduzir ou suspender a dose para evitar doença óssea adinâmica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a situação clássica de indicação de calcitriol: PTH elevado (HPTS) com níveis normais de vitamina D. Isso significa que a deficiência de vitamina D já foi corrigida (ou não existe), mas o PTH permanece elevado e progressivo. Nesse cenário, o calcitriol ou análogos da vitamina D são indicados para suprimir a secreção de PTH e controlar o HPTS, desde que os níveis de cálcio e fósforo estejam adequados.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre DMO-DRC, lembre-se da sequência terapêutica: 1º corrigir hiperfosfatemia (quelantes), 2º corrigir hipocalcemia (cálcio), 3º corrigir deficiência de vitamina D (vitamina D nativa), 4º só então usar calcitriol/análogos se o PTH continuar elevado. O calcitriol trata o HPTS, não as causas que o geram.

Gabarito: letra E

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