Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093079
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
Na suspeita de feocromocitoma, qual dos exames a seguir deve ser solicitado para avaliar feocromocitomas extra-adrenais?
ARessonância magnética.
BDosagem de catecolaminas e metanefrinas.
CTomografia.
DI-metaiodobenzilguanidina.
ED.M.S.A.
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GabaritoD — I-metaiodobenzilguanidina.
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Feocromocitoma e paraganglioma: localização de tumores extra-adrenais
Gabarito: letra D. Na suspeita de feocromocitoma, a cintilografia com I-metaiodobenzilguanidina (MIBG) é o exame de escolha para avaliar feocromocitomas extra-adrenais (paragangliomas), pois o radiofármaco se liga especificamente ao tecido cromafim, permitindo a detecção de tumores em localizações atípicas. A justificativa está na diretriz de que, quando a TC é negativa, os feocromocitomas extrassuprarrenais podem ser localizados por MIBG marcada com iodo 131, PET, cintigrafia com octreotida ou RM do abdome.
O feocromocitoma é um tumor raro das células cromafins da medula adrenal, produtor de catecolaminas. Quando o tumor se localiza fora da adrenal, recebe o nome de paraganglioma. A apresentação clínica clássica é a tríade de cefaleia, palpitações e sudorese, frequentemente acompanhada de hipertensão paroxística. O diagnóstico laboratorial é feito pela dosagem de metanefrinas plasmáticas livres ou urinárias, que são os metabólitos metilados das catecolaminas e apresentam alta sensibilidade e especificidade. Uma vez confirmado o diagnóstico bioquímico, o passo seguinte é a localização anatômica do tumor.
Para a localização, a tomografia computadorizada (TC) é o exame de primeira linha, pois a maioria dos feocromocitomas adrenais é grande e prontamente visível. No entanto, quando a TC é negativa e há forte suspeita de tumor extra-adrenal, a cintilografia com MIBG torna-se o exame mais útil. A MIBG é um análogo da guanetidina que se acumula nas vesículas de armazenamento de catecolaminas das células cromafins, permitindo a visualização de paragangliomas em qualquer localização do corpo, incluindo abdome, tórax, cabeça e pescoço. A ressonância magnética (RM) também é uma opção, especialmente para paragangliomas de cabeça e pescoço, mas a MIBG é o exame funcional que confirma a natureza cromafim do tumor.
A alternativa D é a correta porque a MIBG é o exame de medicina nuclear especificamente indicado para detectar feocromocitomas extra-adrenais, que podem não ser visualizados por métodos anatômicos como TC ou RM. A alternativa B (dosagem de catecolaminas e metanefrinas) é o exame de confirmação diagnóstica, não de localização. As alternativas A (RM) e C (TC) são métodos de imagem anatômica que podem localizar tumores adrenais, mas são menos sensíveis para paragangliomas. A alternativa E (D.M.S.A.) refere-se ao ácido dimercaptossuccínico, um radiofármaco utilizado para cintilografia renal, sem indicação na avaliação de feocromocitomas.
A pegadinha desta questão está em distinguir o exame de confirmação bioquímica (dosagem de metanefrinas) do exame de localização anatômica (TC, RM) e do exame de localização funcional (MIBG). O enunciado pede especificamente a avaliação de feocromocitomas extra-adrenais, o que direciona para a MIBG, que é o exame funcional capaz de detectar paragangliomas em qualquer localização.
1Confirmação bioquímica (metanefrinas)
2Localização anatômica (TC/RM)
3TC negativa: MIBG (extra-adrenal)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressonância magnética é um método de imagem anatômica que pode localizar feocromocitomas, especialmente os adrenais, e é superior à TC na identificação de paragangliomas de cabeça e pescoço. No entanto, não é o exame de escolha para avaliar feocromocitomas extra-adrenais, pois a MIBG oferece a vantagem de ser um exame funcional que confirma a natureza cromafim do tumor, além de permitir a avaliação de todo o corpo em uma única aquisição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dosagem de catecolaminas e metanefrinas é o exame de confirmação diagnóstica do feocromocitoma, realizado no sangue ou na urina. Não é um exame de imagem e, portanto, não é utilizado para localizar tumores extra-adrenais. A confusão entre o diagnóstico bioquímico e a localização anatômica é uma armadilha comum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada é o exame de primeira linha para localizar feocromocitomas adrenais, pois a maioria é grande e prontamente visível. No entanto, para tumores extra-adrenais (paragangliomas), a TC tem sensibilidade limitada, sendo a MIBG o exame mais indicado nesses casos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cintilografia com I-metaiodobenzilguanidina (MIBG) é o exame de medicina nuclear que utiliza um radiofármaco análogo da guanetidina, que se acumula nas vesículas de armazenamento de catecolaminas das células cromafins. Isso permite a detecção de feocromocitomas e paragangliomas em qualquer localização do corpo, sendo o exame de escolha para avaliar tumores extra-adrenais, especialmente quando a TC é negativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
D.M.S.A. refere-se ao ácido dimercaptossuccínico, um radiofármaco utilizado na cintilografia renal para avaliar a função tubular. Não há indicação para o uso de D.M.S.A. na avaliação de feocromocitomas, sendo uma alternativa claramente incorreta.