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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu093086
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma doença que causa alcalose metabólica por perda de cloreto.
  1. AFibrose cística.
  2. BHiperaldosteronismo primário.
  3. CSíndrome de Cushing.
  4. DHipertensão renovascular.
  5. ESíndrome de Gilteman.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fibrose cística.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alcalose metabólica: mecanismos de perda de cloreto

Gabarito: letra A. A fibrose cística causa alcalose metabólica por perda de cloreto, pois o suor rico em cloreto (e sódio) leva à depleção de cloreto e à contração de volume, mecanismo clássico de alcalose metabólica "sensível a cloreto". As demais alternativas (hiperaldosteronismo primário, síndrome de Cushing, hipertensão renovascular e síndrome de Gitelman) estão associadas a alcalose metabólica por outros mecanismos, como excesso de mineralocorticoide ou perda renal de cloreto, mas não por perda de cloreto em si.

A alcalose metabólica é um distúrbio ácido-básico caracterizado por pH > 7,45, secundário ao aumento da concentração plasmática de bicarbonato (HCO₃⁻), frequentemente acompanhado de hipocloremia e hipocalemia. Para entender a questão, é essencial distinguir os dois grandes grupos de alcalose metabólica: as "sensíveis a cloreto" (ou "responsivas a soro fisiológico") e as "resistentes a cloreto" (ou "não responsivas a soro fisiológico"). Essa classificação é baseada na excreção urinária de cloreto e no mecanismo fisiopatológico subjacente.

Nas alcaloses metabólicas sensíveis a cloreto, há perda de cloreto (e, consequentemente, de sódio e água), levando à contração do volume extracelular. O rim, para manter a volemia, reabsorve sódio avidamente, mas, como há depleção de cloreto, o ânion acompanhante é o bicarbonato, perpetuando a alcalose. A administração de cloreto de sódio (soro fisiológico) corrige o distúrbio. As causas clássicas incluem vômitos, aspiração gástrica, uso de diuréticos, pós-hipercapnia e fibrose cística. Nesses casos, o cloreto urinário é baixo (< 25 mEq/L).

Já nas alcaloses metabólicas resistentes a cloreto, há excesso de mineralocorticoides (hiperaldosteronismo primário, síndrome de Cushing, hipertensão renovascular) ou defeitos tubulares renais (síndrome de Bartter e síndrome de Gitelman). Nesses casos, o cloreto urinário é elevado (> 40 mEq/L), e a administração de soro fisiológico não corrige a alcalose; o tratamento visa a causa de base (correção do hiperaldosteronismo, reposição de potássio, etc.).

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva causada por mutações no gene CFTR, que codifica um canal de cloreto. A disfunção desse canal leva à produção de suor com concentrações elevadas de cloreto e sódio, além de secreções pulmonares e pancreáticas espessas. A perda excessiva de cloreto pelo suor, especialmente em climas quentes ou durante exercícios, pode levar à depleção de cloreto e à alcalose metabólica hipoclorêmica, particularmente em crianças. Essa é uma causa clássica de alcalose metabólica "sensível a cloreto" de origem extrarrenal.

A síndrome de Gitelman, por sua vez, é uma tubulopatia renal caracterizada por mutação no cotransportador de sódio-cloreto (Na-Cl) no túbulo contorcido distal. Isso leva à perda renal de cloreto, mas o mecanismo é diferente: há perda renal de cloreto, e não perda extrarrenal. Na síndrome de Gitelman, o cloreto urinário é elevado, e a alcalose é resistente a cloreto. Portanto, embora haja perda de cloreto, o mecanismo é renal, e não por perda de cloreto em si (como na fibrose cística, em que a perda é pelo suor).

A pegadinha da questão está em distinguir a perda de cloreto como mecanismo primário (fibrose cística) das condições em que a alcalose é mediada por excesso de mineralocorticoide ou por perda renal de cloreto. A banca explora a confusão entre "perda de cloreto" (que pode ser extrarrenal, como na fibrose cística, ou renal, como na síndrome de Gitelman) e "alcalose metabólica por excesso de mineralocorticoide" (hiperaldosteronismo, Cushing, hipertensão renovascular).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fibrose cística causa alcalose metabólica por perda de cloreto. A disfunção do canal CFTR leva à perda excessiva de cloreto (e sódio) pelo suor, resultando em depleção de cloreto e contração de volume. Isso gera alcalose metabólica hipoclorêmica, que é "sensível a cloreto" (corrige com soro fisiológico). O cloreto urinário é baixo (< 25 mEq/L), pois o rim está retendo cloreto para compensar a perda extrarrenal. Essa é uma causa clássica e bem estabelecida de alcalose metabólica por perda de cloreto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O hiperaldosteronismo primário causa alcalose metabólica, mas por excesso de mineralocorticoide, e não por perda de cloreto. O excesso de aldosterona aumenta a reabsorção de sódio e a excreção de potássio e hidrogênio no néfron distal, gerando alcalose metabólica "resistente a cloreto" (cloreto urinário > 40 mEq/L). A administração de soro fisiológico não corrige a alcalose; o tratamento é direcionado ao hiperaldosteronismo (cirurgia ou antagonistas mineralocorticoides).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Cushing também causa alcalose metabólica por excesso de mineralocorticoide (o cortisol em excesso ativa receptores mineralocorticoides), e não por perda de cloreto. Assim como no hiperaldosteronismo, a alcalose é "resistente a cloreto", com cloreto urinário elevado. O mecanismo é o excesso de glicocorticoide, que mimetiza a ação da aldosterona, levando à alcalose metabólica hipocalêmica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipertensão renovascular (estenose de artéria renal) causa alcalose metabólica por hiperaldosteronismo secundário (renina alta), e não por perda de cloreto. A redução do fluxo sanguíneo renal ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando ao excesso de aldosterona e, consequentemente, à alcalose metabólica "resistente a cloreto". O mecanismo é o excesso de mineralocorticoide, não a perda de cloreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Gitelman causa alcalose metabólica por perda renal de cloreto (mutação no cotransportador Na-Cl no túbulo contorcido distal), mas o mecanismo é diferente da perda de cloreto extrarrenal. Na síndrome de Gitelman, há perda renal de cloreto, e o cloreto urinário é elevado (> 40 mEq/L), caracterizando alcalose "resistente a cloreto". A questão pede especificamente uma doença que causa alcalose metabólica por perda de cloreto, e a fibrose cística é o exemplo clássico de perda extrarrenal de cloreto, enquanto a síndrome de Gitelman é uma perda renal. A banca pode ter considerado a síndrome de Gitelman como incorreta por esse motivo, ou por ser uma condição mais rara e menos "clássica" para esse mecanismo específico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "perda de cloreto" (mecanismo primário, como na fibrose cística) e "alcalose metabólica por excesso de mineralocorticoide" (hiperaldosteronismo, Cushing, hipertensão renovascular) ou "perda renal de cloreto" (síndrome de Gitelman). A fibrose cística é a única em que a perda de cloreto é o mecanismo primário e extrarrenal (pelo suor), tornando-a a resposta correta. Lembre-se: na fibrose cística, o cloreto urinário é baixo; nas demais, é elevado.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de alcalose metabólica, use o cloreto urinário como guia: < 25 mEq/L indica causas "sensíveis a cloreto" (vômitos, diuréticos, fibrose cística); > 40 mEq/L indica causas "resistentes a cloreto" (excesso de mineralocorticoide, síndromes de Bartter e Gitelman). Essa é uma ferramenta prática e muito cobrada em provas de nefrologia e clínica médica.

Gabarito: letra A

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