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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093089
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
Qual anti-hipertensivo a seguir é dialisável?
  1. ABloqueadores do receptor da Angio II.
  2. Bβ-bloqueadores.
  3. CAnlodipina.
  4. DVerapamil.
  5. EClonidina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — β-bloqueadores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dialisabilidade de anti-hipertensivos

Gabarito: letra B. Entre as opções, os β-bloqueadores (como atenolol, nadolol e sotalol) são os anti-hipertensivos mais dialisáveis, pois apresentam baixa ligação proteica e hidrossolubilidade, características que favorecem a remoção por hemodiálise. As demais classes (BRA, anlodipino, verapamil e clonidina) são pouco ou não dialisáveis, o que exige ajuste de dose ou reforço da dose após a sessão dialítica.

A dialisabilidade de um fármaco depende de suas propriedades físico-químicas: fármacos hidrossolúveis, com baixo volume de distribuição e baixa ligação às proteínas plasmáticas são mais facilmente removidos pela diálise. Já fármacos lipossolúveis, com alto volume de distribuição e alta ligação proteica, tendem a se acumular nos tecidos e não são significativamente removidos. No contexto da hipertensão em pacientes com doença renal crônica (DRC), essa distinção é crucial para evitar tanto a toxicidade por acúmulo quanto a perda de eficácia por remoção excessiva.

Entre os β-bloqueadores, o atenolol é o exemplo clássico: é hidrossolúvel, excretado principalmente por via renal e pouco ligado a proteínas, sendo removido em quantidade significativa pela hemodiálise. Por isso, recomenda-se administrar a dose após a sessão de diálise. Outros β-bloqueadores como nadolol e sotalol também são dialisáveis. Em contraste, o propranolol e o carvedilol são lipossolúveis, metabolizados no fígado e não são removidos de forma relevante pela diálise.

As demais alternativas representam classes que não são dialisáveis: os bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRAs) e a clonidina têm alta ligação proteica e grande volume de distribuição; a anlodipina e o verapamil são bloqueadores de canal de cálcio com alta ligação proteica e metabolismo hepático extenso. Nenhum deles é removido em quantidade clinicamente relevante pela hemodiálise, o que significa que não há necessidade de reposição após a sessão.

A pegadinha da questão está em associar "dialisável" a "hidrossolúvel" e "baixa ligação proteica", características que o candidato deve reconhecer nos β-bloqueadores, especialmente no atenolol. É um conhecimento de farmacocinética aplicada à nefrologia, frequentemente cobrado em provas de residência e concursos.

Guarde o critério: para saber se um fármaco é dialisável, avalie hidrossolubilidade, volume de distribuição e ligação proteica. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

Fármaco/Classe

Dialisável?

Característica-chave

β-bloqueadores (ex.: atenolol)

Sim

Hidrossolúvel, baixa ligação proteica, excreção renal

BRA (losartana, valsartana)

Não

Alta ligação proteica (>90%), grande volume de distribuição

Anlodipina

Não

Alta ligação proteica (~97%), metabolismo hepático extenso

Verapamil

Não

Alta ligação proteica (~90%), metabolismo hepático de 1ª passagem

Clonidina

Não

Grande volume de distribuição, acúmulo tecidual

Anti-hipertensivos dialisáveis
  • 1β-bloqueadores hidrossolúveis
    • Atenolol
    • Nadolol
    • Sotalol
  • 2Não dialisáveis
    • BRA (alta ligação proteica)
    • Anlodipina (lipossolúvel)
    • Verapamil (metabolismo hepático)
    • Clonidina (alto volume de distribuição)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Os bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRAs), como losartana e valsartana, não são dialisáveis. Apresentam alta ligação às proteínas plasmáticas (acima de 90%) e grande volume de distribuição, o que impede a remoção significativa pela hemodiálise. Além disso, muitos BRAs são metabolizados no fígado, com excreção biliar relevante. Portanto, não há necessidade de reposição após a diálise.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os β-bloqueadores, especialmente o atenolol, são dialisáveis. O atenolol é hidrossolúvel, tem baixa ligação proteica (cerca de 5-10%) e é excretado principalmente por via renal inalterado. Essas características fazem com que seja removido em quantidade significativa pela hemodiálise, sendo recomendado administrar a dose após a sessão dialítica. Outros β-bloqueadores como nadolol e sotalol também são dialisáveis, enquanto propranolol e carvedilol (lipossolúveis) não o são.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anlodipina, um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico, não é dialisável. Possui alta ligação às proteínas plasmáticas (cerca de 97%), grande volume de distribuição e é extensamente metabolizada no fígado. Sua meia-vida longa (30-50 horas) e a distribuição tecidual impedem a remoção pela hemodiálise. Não há necessidade de ajuste de dose ou reposição após a diálise.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O verapamil, um bloqueador de canal de cálcio não di-hidropiridínico, não é dialisável. Apresenta alta ligação proteica (cerca de 90%), grande volume de distribuição e metabolismo hepático de primeira passagem extenso. A hemodiálise não remove quantidades clinicamente relevantes do fármaco, portanto não há necessidade de reposição pós-diálise.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A clonidina, um simpatolítico de ação central, não é dialisável de forma significativa. Embora seja parcialmente hidrossolúvel, possui grande volume de distribuição e se acumula nos tecidos. A remoção pela hemodiálise é limitada e clinicamente irrelevante, não sendo necessária reposição após a sessão. Além disso, a clonidina tem meia-vida prolongada e é metabolizada no fígado.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os fármacos dialisáveis, lembre-se do atenolol como protótipo: hidrossolúvel, baixa ligação proteica, excreção renal. Compare com o propranolol (lipossolúvel, não dialisável). Na prova, a pergunta costuma ser sobre qual classe ou fármaco específico é removido pela diálise — e a resposta quase sempre aponta para os β-bloqueadores hidrossolúveis.

Gabarito: letra B

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