Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025
- Código
- vu093092
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica
- ANOX
- BCOL4A5
- CsuPAR
- DPLA2R
- ECOL4A3
GabaritoC — suPAR
Gabarito: letra C. O fator circulante de permeabilidade da membrana basal glomerular na síndrome nefrótica é o suPAR (receptor solúvel do ativador de plasminogênio tipo uroquinase), identificado como marcador potencial na glomerulosclerose segmentar e focal (GESF) primária. As demais alternativas representam outras moléculas relacionadas a diferentes glomerulopatias ou componentes estruturais, não fatores circulantes de permeabilidade.
A síndrome nefrótica é uma síndrome clínica definida pela tríade clássica: proteinúria intensa (superior a 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia e edema. A perda urinária de proteínas ocorre porque há um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular às macromoléculas. Esse aumento de permeabilidade pode decorrer de diferentes mecanismos: agressão direta ao podócito, disfunção do próprio podócito, mutações em genes de proteínas do diafragma da fenda glomerular (nefrina, podocina, CD2-AP, α-actinina-4), deposição de complexos imunes (como na nefropatia membranosa) ou, em alguns casos, pela ação de um fator circulante ainda não totalmente identificado.
A hipótese do fator circulante é particularmente relevante na glomerulopatia de lesões mínimas (DLM) e na glomerulosclerose segmentar e focal (GESF) primária. A evidência mais forte vem de observações clínicas: a recorrência da GESF em enxertos renais logo após o transplante, a remissão da doença quando o rim é transplantado para um paciente sem a doença e a resposta a terapias que removem fatores circulantes (como plasmaférese ou imunoadsorção). Nesse contexto, o suPAR (receptor solúvel do ativador de plasminogênio tipo uroquinase) emergiu como o principal candidato a fator de permeabilidade circulante. Estudos demonstraram que seus níveis estão elevados em cerca de dois terços dos casos de GESF primária e que são ainda mais altos em receptores de transplante renal com GESF recorrente. Contudo, é importante destacar que os níveis de suPAR não diferenciam a GESF primária da secundária e que aumentam com a redução da taxa de filtração glomerular, o que limita sua especificidade diagnóstica.
A questão explora exatamente esse conhecimento: identificar qual das moléculas listadas atua como fator circulante de permeabilidade na síndrome nefrótica. As alternativas incorretas trazem outras moléculas que se relacionam com glomerulopatias, mas por mecanismos distintos: o PLA2R é o autoantígeno na nefropatia membranosa primária (não é um fator circulante de permeabilidade, mas um alvo de autoanticorpos); o COL4A5 e o COL4A3 são cadeias de colágeno tipo IV, cujas mutações causam a síndrome de Alport (uma doença estrutural da membrana basal glomerular, não um fator circulante); e o NOX (NADPH oxidase) é uma enzima envolvida na produção de espécies reativas de oxigênio, sem papel estabelecido como fator de permeabilidade circulante na síndrome nefrótica.
A distinção central que o aluno deve guardar é entre fator circulante (uma molécula solúvel no sangue que age à distância, como o suPAR) e componente estrutural ou antígeno local (como o colágeno IV ou o PLA2R). O suPAR é o único que se encaixa na definição de fator circulante de permeabilidade, sendo o marcador potencial mais estudado na GESF primária. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
O NOX (NADPH oxidase) é uma enzima que catalisa a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), envolvida em processos de estresse oxidativo e lesão celular. Embora o estresse oxidativo possa contribuir para a lesão glomerular em diversas doenças renais, o NOX não é um fator circulante de permeabilidade da membrana basal glomerular na síndrome nefrótica. Não há evidência de que atue como molécula solúvel que aumente a permeabilidade glomerular à distância.
O COL4A5 é o gene que codifica a cadeia α5 do colágeno tipo IV, um componente estrutural da membrana basal glomerular. Mutações nesse gene causam a síndrome de Alport, uma doença hereditária caracterizada por hematúria, proteinúria progressiva e insuficiência renal. Trata-se de um defeito estrutural da membrana basal, não de um fator circulante de permeabilidade. A confusão aqui é entre causa estrutural (mutação genética) e fator solúvel circulante.
O suPAR (receptor solúvel do ativador de plasminogênio tipo uroquinase) é o fator circulante de permeabilidade mais estudado na síndrome nefrótica, particularmente na GESF primária. Seus níveis séricos estão elevados em cerca de dois terços dos casos de GESF primária e são ainda mais altos em pacientes com recorrência da doença após transplante renal. A literatura aponta o suPAR como marcador potencial desse fator de permeabilidade, embora sejam necessárias mais pesquisas para definir seu papel exato.
O PLA2R (receptor da fosfolipase A2) é o autoantígeno alvo dos anticorpos na nefropatia membranosa primária, a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos acima de 50 anos. Os autoanticorpos anti-PLA2R se ligam ao receptor na superfície dos podócitos, formando imunocomplexos que ativam o complemento e causam lesão glomerular. O PLA2R é um antígeno de membrana, não um fator circulante de permeabilidade. A pegadinha está em associar uma molécula relacionada à síndrome nefrótica (PLA2R) com o conceito de fator circulante, quando na verdade atua como alvo antigênico local.
O COL4A3 é o gene que codifica a cadeia α3 do colágeno tipo IV, outro componente estrutural da membrana basal glomerular. Assim como o COL4A5, mutações nesse gene também causam a síndrome de Alport (forma autossômica recessiva). É um defeito estrutural hereditário, não um fator circulante de permeabilidade. A alternativa repete o mesmo erro conceitual da letra B, trocando apenas a cadeia do colágeno.
A banca mistura moléculas que se relacionam com glomerulopatias, mas por mecanismos completamente diferentes. O candidato pode confundir o PLA2R (autoantígeno na nefropatia membranosa) ou o colágeno IV (componente estrutural na síndrome de Alport) com um fator circulante. A chave é lembrar que o suPAR é o único que atua como molécula solúvel no sangue, capaz de aumentar a permeabilidade glomerular à distância — o que o caracteriza como fator circulante.
Para fixar, monte um mapa mental das glomerulopatias e seus marcadores: GESF primária → suPAR (fator circulante); nefropatia membranosa → anti-PLA2R (autoanticorpo); síndrome de Alport → mutações em COL4A3/COL4A5 (colágeno IV). Associe cada molécula ao mecanismo fisiopatológico: fator circulante, autoantígeno ou componente estrutural. Essa distinção é o que a banca explora.
Gabarito: letra C
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