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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093098
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
A nutrição parenteral (NP) é uma intervenção essencial para recém-nascidos pré-termo, mas está associada a diversas complicações metabólicas e infecciosas. O manejo adequado dessas complicações e o uso seguro de fármacos na NP são fundamentais para minimizar riscos.A respeito disso, assinale a alternativa correta.
  1. AO uso de emulsões lipídicas deve ser evitado nos primeiros dias de vida para prevenir hiperlipidemia e colestase associada à nutrição parenteral.
  2. BO uso de emulsões lipídicas contendo óleo de peixe pode reduzir o risco de colestase associada à nutrição parenteral, e sua administração deve ser feita de maneira cautelosa, respeitando a velocidade máxima de infusão recomendada.
  3. CA infusão de glicose deve ser feita de forma contínua, mantendo-se sempre acima de 10 mg/kg/ min, pois recém-nascidos prematuros têm elevada demanda energética e baixa reserva hepática de glicogênio.
  4. DA administração simultânea de fármacos e nutrição parenteral por meio do mesmo acesso venoso é segura desde que a infusão ocorra em Y, pois as soluções são compatíveis em qualquer concentração.
  5. EO monitoramento laboratorial da nutrição parenteral pode ser suspenso após a primeira semana de vida, pois a homeostase metabólica neonatal já está estabelecida, reduzindo o risco de alterações nutricionais.
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GabaritoB — O uso de emulsões lipídicas contendo óleo de peixe pode reduzir o risco de colestase associada à nutrição parenteral, e sua administração deve ser feita de maneira cautelosa, respeitando a velocidade máxima de infusão recomendada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nutrição Parenteral em Recém-Nascidos Pré-termo: Complicações e Manejo

Gabarito: letra B. As emulsões lipídicas contendo óleo de peixe, ricas em ácidos graxos ômega-3 (EPA e DHA), são associadas à redução do risco de colestase associada à nutrição parenteral (PNAC), e sua administração deve respeitar a velocidade máxima de infusão recomendada para evitar sobrecarga metabólica. As demais alternativas contêm erros conceituais ou práticos importantes, como a suspensão desnecessária de lipídios, a infusão excessiva de glicose e a administração insegura de fármacos na mesma via.

A nutrição parenteral (NP) é uma terapia essencial para recém-nascidos pré-termo que não conseguem atingir as metas nutricionais por via enteral. No entanto, seu uso está associado a complicações metabólicas (hiperglicemia, hipertrigliceridemia, colestase, síndrome de realimentação) e infecciosas (sepse relacionada a cateter). O manejo adequado envolve a composição correta da solução, o monitoramento laboratorial rigoroso e a administração segura de fármacos.

Um dos principais avanços na NP foi o desenvolvimento de emulsões lipídicas alternativas ao óleo de soja puro. As emulsões contendo óleo de peixe, ricas em ácidos graxos ômega-3, têm propriedades anti-inflamatórias e são associadas à redução da colestase associada à NP, uma complicação grave que pode evoluir para insuficiência hepática. A velocidade de infusão deve ser controlada, pois a infusão rápida pode causar hipertrigliceridemia, sobrecarga do sistema reticuloendotelial e piora da função imunológica.

A glicose é a principal fonte de carboidratos na NP, fornecendo 3,4 kcal/g. Em recém-nascidos pré-termo, a taxa de infusão deve ser iniciada em valores baixos (4-6 mg/kg/min) e aumentada gradualmente, monitorando a glicemia, pois a hiperglicemia está associada a maior morbidade e risco de infecção. A infusão contínua é necessária para evitar picos glicêmicos, mas a taxa máxima deve ser individualizada, geralmente não ultrapassando 11-12 mg/kg/min em prematuros extremos.

A administração de fármacos na mesma via da NP é um tema delicado. Embora a infusão em Y seja uma prática comum, a compatibilidade entre fármacos e a solução de NP não é garantida em qualquer concentração. Muitos fármacos são incompatíveis com a NP devido a pH, concentração de íons ou interações físico-químicas, podendo precipitar ou inativar os nutrientes. Portanto, a administração simultânea requer avaliação individualizada de compatibilidade.

O monitoramento laboratorial da NP é essencial durante todo o tratamento, não apenas na primeira semana. Recém-nascidos pré-termo têm imaturidade metabólica e renal, e alterações eletrolíticas, glicêmicas e hepáticas podem ocorrer a qualquer momento. A suspensão do monitoramento após a primeira semana é um erro grave, pois o risco de complicações persiste durante toda a terapia.

A pegadinha central desta questão é a banca explorar conceitos parcialmente corretos, mas com erros específicos. A alternativa B é a única que apresenta uma afirmação totalmente correta, combinando o benefício do óleo de peixe com a necessidade de cautela na administração. As demais alternativas contêm erros que podem passar despercebidos se o candidato não dominar os detalhes do manejo da NP.

Nutrição parenteral (RN pré-termo)
  • 1Emulsões lipídicas
    • Óleo de peixe (ômega-3)
      • Reduz risco de colestase
      • Respeitar velocidade de infusão
    • Óleo de soja puro
      • Associado a colestase
  • 2Glicose
    • Início: 4-6 mg/kg/min
    • Aumento gradual
    • Acima de 10 mg/kg/min (hiperglicemia)
  • 3Fármacos na mesma via
    • Infusão em Y
    • Compatibilidade não garantida
    • Risco de precipitação
  • 4Monitoramento laboratorial
    • Contínuo durante toda a NP
    • Suspender após 1ª semana (erro)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na palavra "evitado". As emulsões lipídicas não devem ser evitadas nos primeiros dias de vida; pelo contrário, são parte essencial da NP para fornecer calorias e ácidos graxos essenciais. A preocupação com hiperlipidemia e colestase é válida, mas a conduta correta é iniciar os lipídios precocemente, com monitoramento dos triglicerídeos, e não evitá-los. A colestase associada à NP é mais relacionada à duração prolongada da NP e à composição da emulsão (óleo de soja) do que ao uso precoce em si.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta por dois motivos: (1) as emulsões lipídicas contendo óleo de peixe, ricas em ômega-3, têm demonstrado redução do risco de colestase associada à NP, especialmente em recém-nascidos pré-termo com NP prolongada; (2) a administração deve ser cautelosa, respeitando a velocidade máxima de infusão recomendada (geralmente 0,15-0,25 g/kg/h em prematuros) para evitar hipertrigliceridemia e outras complicações metabólicas. A combinação desses dois elementos torna a afirmação completa e correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O erro está na taxa de infusão "sempre acima de 10 mg/kg/min". Embora a infusão contínua de glicose seja correta, a taxa deve ser iniciada em valores mais baixos (4-6 mg/kg/min) e aumentada gradualmente, monitorando a glicemia. Taxas acima de 10 mg/kg/min podem causar hiperglicemia, especialmente em prematuros com baixa reserva de insulina. A afirmação de que prematuros têm "elevada demanda energética e baixa reserva hepática de glicogênio" é verdadeira, mas a conduta de manter a glicose sempre acima de 10 mg/kg/min é incorreta e perigosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O erro está na afirmação de que "as soluções são compatíveis em qualquer concentração". A administração em Y é uma prática comum, mas a compatibilidade entre fármacos e a NP depende de vários fatores: pH, concentração de eletrólitos, temperatura e tempo de contato. Muitos fármacos são incompatíveis com a NP, podendo precipitar (ex.: cálcio e fosfato), inativar nutrientes ou causar embolia. A compatibilidade deve ser verificada caso a caso, e não é garantida em qualquer concentração.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O erro está na suspensão do monitoramento após a primeira semana. A homeostase metabólica neonatal não está "já estabelecida" na primeira semana de vida, especialmente em pré-termo. O monitoramento laboratorial (glicemia, eletrólitos, triglicerídeos, função hepática) deve ser contínuo durante toda a NP, pois complicações como colestase, hiperglicemia e distúrbios eletrolíticos podem ocorrer a qualquer momento. A suspensão do monitoramento é um erro grave que pode levar a complicações não detectadas.

Gabarito: letra B

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