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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093103
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria para a reanimação neonatal de recém-nascidos com idade gestacional igual ou superior a 34 semanas, qual das seguintes afirmações está correta?
  1. AO clampeamento tardio do cordão umbilical deve ser evitado em todos os recém-nascidos ≥ 34 semanas, pois pode aumentar o risco de policitemia e hiperbilirrubinemia grave.
  2. BA ventilação com pressão positiva deve ser iniciada sempre com oxigênio a 100%, pois essa prática garante uma recuperação mais rápida da oxigenação neonatal.
  3. CEm neonatos com líquido amniótico meconial, a intubação traqueal com aspiração deve ser feita rotineiramente, independentemente da vitalidade ao nascer.
  4. DEm recém-nascidos que não estão respirando ou chorando ao nascimento, a ventilação com pressão positiva deve ser iniciada nos primeiros 60 segundos de vida (“Minuto de Ouro”), pois essa intervenção é essencial para a transição cardiorrespiratória adequada.
  5. EA frequência cardíaca é o principal determinante da necessidade de progressão na reanimação, devendo ser monitorada preferencialmente por monitor cardíaco, pois métodos como a palpação do cordão umbilical podem subestimar os valores reais.
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GabaritoE — A frequência cardíaca é o principal determinante da necessidade de progressão na reanimação, devendo ser monitorada preferencialmente por monitor cardíaco, pois métodos como a palpação do cordão umbilical podem subestimar os valores reais.

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Reanimação Neonatal: Diretrizes da SBP para RN ≥ 34 semanas

Gabarito: letra E. A frequência cardíaca (FC) é o principal determinante da necessidade de progressão na reanimação neonatal, e seu monitoramento deve ser feito preferencialmente por monitor cardíaco, pois métodos como a palpação do cordão umbilical podem subestimar os valores reais. Essa afirmação está alinhada com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que recomendam o uso do monitor cardíaco para uma detecção acurada, rápida e contínua da FC durante a reanimação.

A reanimação neonatal é um conjunto de procedimentos realizados na sala de parto para auxiliar o recém-nascido (RN) na transição da vida intrauterina para a extrauterina. Essa transição envolve mudanças cardiorrespiratórias críticas, como o início da respiração espontânea e a adaptação da circulação. O objetivo principal é garantir uma oxigenação adequada dos tecidos e prevenir danos por hipóxia. As diretrizes da SBP, baseadas nas recomendações do ILCOR (International Liaison Committee on Resuscitation), estruturam a reanimação em passos sequenciais, priorizando a ventilação e a avaliação da FC.

A avaliação da vitalidade ao nascer é o ponto de partida. Imediatamente após o nascimento, avalia-se simultaneamente a respiração e a FC. A FC é o principal determinante da decisão de indicar as diversas manobras de reanimação. Inicialmente, a FC pode ser avaliada por ausculta do precórdio com estetoscópio. No entanto, uma vez indicada a ventilação com pressão positiva (VPP), recomenda-se o uso do monitor cardíaco, pois ele permite a detecção acurada, rápida e contínua da FC, o que é fundamental para guiar a progressão ou a interrupção das manobras. A palpação do cordão umbilical, embora seja um método rápido, é menos precisa e pode subestimar a FC real, especialmente em situações de bradicardia.

O "Minuto de Ouro" é um conceito central na reanimação neonatal. Ele se refere aos primeiros 60 segundos de vida, durante os quais devem ser realizados os passos iniciais: manter a temperatura, posicionar a cabeça, desobstruir as vias aéreas se necessário, secar o RN e estimular a respiração. Após esses passos, reavalia-se a respiração e a FC. Se o RN não estiver respirando ou se a FC for menor que 100 bpm, a VPP deve ser iniciada imediatamente. A VPP é a manobra mais importante na reanimação neonatal, pois a maioria dos RN que necessitam de reanimação responde à ventilação adequada.

A diretriz também aborda o uso de oxigênio. Recomenda-se não iniciar a reanimação com altas concentrações de oxigênio (65% ou mais). Para RN ≥ 34 semanas, a reanimação deve ser iniciada com ar ambiente (21% de oxigênio), com ajuste da concentração conforme a resposta da SatO2 pré-ductal. O uso de oxigênio a 100% é reservado para situações específicas, como durante a massagem cardíaca, e deve ser reduzido gradualmente assim que houver recuperação da FC, para evitar hiperóxia.

Em relação ao líquido amniótico meconial, a conduta mudou ao longo dos anos. Atualmente, a intubação traqueal com aspiração não é mais recomendada rotineiramente, mesmo em RN com mecônio. A conduta é baseada na vitalidade do RN: se o RN é termo, está respirando ou chorando e tem tônus muscular em flexão, ele deve continuar junto à mãe. Se o RN não tem vitalidade adequada (apneia, hipotonia ou FC < 100 bpm), deve ser levado à mesa de reanimação para os passos iniciais, e a VPP deve ser iniciada se necessária. A aspiração traqueal sob visualização direta não é mais sugerida.

O clampeamento tardio do cordão umbilical é recomendado para RN termo e pré-termo que não necessitam de reanimação ao nascer, geralmente após 30 segundos do nascimento. Ele traz benefícios como aumento do volume sanguíneo e redução da anemia da prematuridade. Embora possa aumentar discretamente o risco de policitemia e hiperbilirrubinemia, esses riscos são geralmente manejáveis e não contraindica a prática. Para RN que necessitam de reanimação, não há evidência suficiente para recomendar um tempo específico de clampeamento.

A questão explora o conhecimento das diretrizes de reanimação neonatal, focando em condutas específicas. A alternativa correta (E) destaca a importância da FC como guia da reanimação e a superioridade do monitor cardíaco sobre métodos como a palpação do cordão. As demais alternativas apresentam condutas incorretas ou desatualizadas, que serão analisadas a seguir.

Critério

Alternativa D

Alternativa E

Conteúdo principal

Início da VPP no "Minuto de Ouro"

Monitoramento da FC como guia da reanimação

Foco da conduta

Tempo de início da ventilação (60 segundos)

Método de avaliação da FC (monitor cardíaco)

Relação com o gabarito

Correta, mas não é a resposta final

Correta e é o gabarito (E)

Diferencial

Enfatiza a intervenção inicial

Enfatiza o principal determinante da progressão e a superioridade do monitor

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que o clampeamento tardio do cordão umbilical deve ser evitado em todos os RN ≥ 34 semanas está errada. As diretrizes recomendam o clampeamento tardio (após 30 segundos) para RN termo e pré-termo que não necessitam de reanimação, pois traz benefícios como maior volume sanguíneo e menor risco de anemia. Embora possa haver um leve aumento no risco de policitemia e hiperbilirrubinemia, isso não contraindica a prática. A alternativa inverte a recomendação, transformando uma conduta benéfica em algo a ser evitado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que a VPP deve ser iniciada sempre com oxigênio a 100% está incorreta. As diretrizes recomendam não iniciar a reanimação com altas concentrações de oxigênio (65% ou mais). Para RN ≥ 34 semanas, a reanimação deve ser iniciada com ar ambiente (21% de oxigênio), com ajuste conforme a SatO2 pré-ductal. O oxigênio a 100% é reservado para situações específicas, como durante a massagem cardíaca, e deve ser reduzido gradualmente para evitar hiperóxia. A alternativa apresenta uma conduta que pode causar danos por excesso de oxigênio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que, em neonatos com líquido amniótico meconial, a intubação traqueal com aspiração deve ser feita rotineiramente está incorreta. As diretrizes atuais não recomendam a aspiração traqueal rotineira sob visualização direta. A conduta é baseada na vitalidade do RN: se o RN é termo, está respirando ou chorando e tem tônus muscular em flexão, ele deve continuar junto à mãe. Se não tem vitalidade adequada, deve ser levado à mesa de reanimação para os passos iniciais e VPP, se necessária. A alternativa reflete uma prática antiga e superada.

Alternativa D — ✅ Correta

A afirmação de que, em RN que não estão respirando ou chorando ao nascimento, a VPP deve ser iniciada nos primeiros 60 segundos de vida ("Minuto de Ouro") está correta. O "Minuto de Ouro" é o período dos primeiros 60 segundos de vida, durante o qual são realizados os passos iniciais (manter temperatura, posicionar, desobstruir vias aéreas, secar e estimular). Após esses passos, se o RN não estiver respirando ou se a FC for < 100 bpm, a VPP deve ser iniciada imediatamente. Essa intervenção é essencial para a transição cardiorrespiratória adequada, pois a maioria dos RN que necessitam de reanimação responde à ventilação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação de que a frequência cardíaca é o principal determinante da necessidade de progressão na reanimação, devendo ser monitorada preferencialmente por monitor cardíaco, pois métodos como a palpação do cordão umbilical podem subestimar os valores reais, está correta. As diretrizes da SBP afirmam que a FC é o principal determinante da decisão de indicar as diversas manobras de reanimação. Uma vez indicada a VPP, recomenda-se o uso do monitor cardíaco, pois permite a detecção acurada, rápida e contínua da FC. A palpação do cordão umbilical é um método menos preciso e pode subestimar a FC, especialmente em bradicardia. Portanto, o monitor cardíaco é o método preferencial para guiar a reanimação.

Gabarito: letra E

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