Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093105
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
O suporte respiratório em recém-nascidos prematuros é um dos principais desafios na Neonatologia, exigindo um equilíbrio entre garantir a ventilação adequada e evitar lesões pulmonares.Qual das alternativas a seguir representa a melhor estratégia inicial para o suporte respiratório em um recém-nascido prematuro de 28 semanas de idade gestacional, sem apneia, mas apresentando sinais moderados de desconforto respiratório?
AA intubação traqueal imediata e a ventilação mecânica são as estratégias mais indicadas para todos os prematuros abaixo de 28 semanas de idade, independentemente do quadro respiratório inicial.
BO uso de ventilação mecânica invasiva é sempre preferível ao suporte não invasivo em recém-nascidos prematuros, pois garante um melhor controle da oxigenação e da ventilação.
CA abordagem inicial mais recomendada é o uso imediato de CPAP nasal logo após o nascimento, evitando a intubação precoce e reduzindo o risco de displasia broncopulmonar.
DA administração precoce de surfactante deve ser feita via intubação traqueal profilática em todos os prematuros abaixo de 30 semanas de idade, pois essa abordagem melhora a oxigenação e reduz complicações respiratórias.
EO CPAP nasal deve ser evitado nos primeiros dias de vida em prematuros extremos, pois pode aumentar o risco de barotrauma pulmonar e pneumotórax.
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GabaritoC — A abordagem inicial mais recomendada é o uso imediato de CPAP nasal logo após o nascimento, evitando a intubação precoce e reduzindo o risco de displasia broncopulmonar.
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Suporte respiratório em prematuros: CPAP nasal como estratégia inicial
Gabarito: letra C. Em recém-nascidos prematuros com desconforto respiratório moderado e sem apneia, a melhor estratégia inicial é o CPAP nasal (pressão positiva contínua nas vias aéreas), que evita a intubação precoce e reduz o risco de displasia broncopulmonar (DBP). Essa conduta é respaldada por diretrizes internacionais de Neonatologia, que priorizam o suporte não invasivo sempre que possível.
O suporte respiratório do prematuro busca um equilíbrio delicado: garantir ventilação e oxigenação adequadas sem causar lesão pulmonar. A ventilação mecânica invasiva (VMI), embora necessária em quadros graves, está associada a complicações como barotrauma, volutrauma e displasia broncopulmonar — uma doença pulmonar crônica típica de prematuros que recebem oxigênio e pressão positiva por tempo prolongado. Por isso, a tendência atual é minimizar a intubação e preferir estratégias não invasivas, como o CPAP nasal, que mantém os alvéolos abertos (recrutamento alveolar) e melhora a troca gasosa sem a necessidade de um tubo traqueal.
No caso do enunciado — prematuro de 28 semanas, sem apneia, com desconforto respiratório moderado — o CPAP nasal é a escolha inicial ideal. Ele pode ser iniciado logo após o nascimento, na sala de parto ou na UTI neonatal, e tem se mostrado eficaz em reduzir a necessidade de intubação e a incidência de DBP. A administração de surfactante, quando necessária, pode ser feita por técnicas menos invasivas (como o método INSURE ou a técnica de surfactante minimamente invasivo), evitando a intubação profilática.
A alternativa C está correta porque reflete exatamente essa abordagem: CPAP nasal imediato, evitando intubação precoce e reduzindo o risco de displasia broncopulmonar. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou práticos, como defender a intubação para todos os prematuros, preferir a VMI ao suporte não invasivo, indicar surfactante profilático para todos ou evitar o CPAP por medo de barotrauma — quando, na verdade, o CPAP bem ajustado é seguro e benéfico.
Guarde o princípio: quanto menos invasivo, melhor, desde que o quadro clínico permita. A intubação fica reservada para falência do suporte não invasivo, apneia refratária, instabilidade hemodinâmica ou necessidade de surfactante por via convencional.
1Avaliar quadro (sem apneia, desconforto moderado)
2CPAP nasal imediato
3Evitar intubação precoce
4Reduzir risco de DBP
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A intubação traqueal imediata e a ventilação mecânica não são indicadas para todos os prematuros abaixo de 28 semanas, independentemente do quadro respiratório. Essa conduta seria excessivamente invasiva para um bebê com desconforto moderado e sem apneia, expondo-o a riscos desnecessários de lesão pulmonar e DBP. A abordagem moderna prioriza o suporte não invasivo (CPAP) como primeira linha, reservando a intubação para casos de falência respiratória, apneia grave ou instabilidade clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ventilação mecânica invasiva não é sempre preferível ao suporte não invasivo. Pelo contrário, a VMI está associada a maior risco de complicações, como pneumonia associada à ventilação, barotrauma e displasia broncopulmonar. O suporte não invasivo (CPAP, BiPAP) é preferido sempre que possível, pois é menos lesivo e igualmente eficaz em muitos casos de desconforto respiratório moderado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O CPAP nasal é a abordagem inicial mais recomendada para prematuros com desconforto respiratório moderado, sem apneia. Ele mantém a pressão positiva contínua nas vias aéreas, prevenindo o colapso alveolar e melhorando a oxigenação, sem a necessidade de intubação. Estudos mostram que o uso precoce de CPAP reduz a necessidade de ventilação mecânica e a incidência de displasia broncopulmonar, sendo a estratégia de escolha na maioria dos protocolos de Neonatologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A administração profilática de surfactante via intubação traqueal não é recomendada para todos os prematuros abaixo de 30 semanas. A indicação de surfactante é baseada na presença de síndrome do desconforto respiratório (SDR) confirmada ou em critérios específicos, e a via de administração pode ser menos invasiva (como INSURE ou MIST). A intubação profilática expõe o bebê a riscos desnecessários e vai contra a filosofia de minimizar a invasividade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O CPAP nasal não deve ser evitado nos primeiros dias de vida em prematuros extremos. Pelo contrário, é uma das principais ferramentas para evitar a intubação e reduzir a DBP. O risco de barotrauma e pneumotórax existe, mas é menor com o CPAP bem ajustado (pressões adequadas) do que com a ventilação mecânica invasiva. O medo de complicações não justifica privar o prematuro dos benefícios do CPAP.