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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093107
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
Mariana, uma recém-nascida de 36 semanas de idade gestacional, nasceu de parto vaginal, sem intercorrências. Seu peso ao nascimento foi 2.450 g, e o exame físico inicial estava dentro da normalidade. Durante a internação, observou-se icterícia nas primeiras 24 horas de vida, o que levou à solicitação de bilirrubina total e frações. Os exames laboratoriais mostraram bilirrubina total de 15 mg/dL, com fração indireta predominante, hematócrito de 48% e reticulócitos aumentados. O teste de Coombs direto foi positivo, e a tipagem sanguínea revelou mãe O positivo e recém-nascida A positivo. A lactação apresentava dificuldades, com perda de peso superior a 7% em relação ao peso de nascimento e sinais de desidratação leve.Com base nesse caso, qual é a conduta mais apropriada para o manejo da hiperbilirrubinemia em Mariana?
  1. AO uso de fototerapia não é indicado nesse momento, pois a bilirrubina total ainda não atingiu níveis críticos para risco de encefalopatia bilirrubínica.
  2. BO tratamento deve incluir fototerapia intensiva imediata e monitoramento rigoroso da bilirrubina sérica, sendo que, caso a bilirrubina continue aumentando rapidamente ou haja sinais de encefalopatia bilirrubínica, deve-se considerar exsanguineotransfusão.
  3. CO aleitamento materno deve ser suspenso temporariamente, pois a icterícia pode estar relacionada à icterícia do leite materno, sendo indicada fórmula infantil para reduzir a bilirrubina sérica.
  4. DComo o teste de Coombs direto foi positivo, é necessário iniciar imunoglobulina intravenosa de rotina para prevenir hemólise progressiva.
  5. EO clampeamento tardio do cordão umbilical foi provavelmente o fator causal da icterícia, e a transfusão sanguínea parcial seria a melhor abordagem terapêutica para eliminar os eritrócitos em excesso.
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GabaritoB — O tratamento deve incluir fototerapia intensiva imediata e monitoramento rigoroso da bilirrubina sérica, sendo que, caso a bilirrubina continue aumentando rapidamente ou haja sinais de encefalopatia bilirrubínica, deve-se considerar exsanguineotransfusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperbilirrubinemia neonatal por incompatibilidade ABO

Gabarito: letra B. Mariana apresenta icterícia precoce (primeiras 24h de vida) com bilirrubina total de 15 mg/dL, fração indireta predominante, reticulócitos aumentados e Coombs direto positivo — quadro clássico de doença hemolítica por incompatibilidade ABO (mãe O, RN A). A conduta correta é fototerapia intensiva imediata, com monitoramento rigoroso da bilirrubina sérica e prontidão para exsanguineotransfusão caso haja ascensão rápida ou sinais de encefalopatia bilirrubínica. Essa conduta está alinhada às diretrizes de hiperbilirrubinemia neonatal, que indicam fototerapia para níveis ≥ 15 mg/dL entre 25-48 horas de vida em RN com fatores de risco.

A hiperbilirrubinemia neonatal é uma condição frequente, mas que exige atenção especial quando se manifesta precocemente. A icterícia nas primeiras 24 horas de vida é sempre um sinal de alerta, pois sugere etiologia patológica — mais comumente doença hemolítica por incompatibilidade ABO ou Rh, mas também infecções, deficiência de G6PD ou outras hemólises. No caso de Mariana, a combinação de fatores é decisiva: mãe O positivo, RN A positivo, Coombs direto positivo, reticulócitos aumentados e bilirrubina indireta predominante confirmam a hemólise imunomediada. A incompatibilidade ABO é a causa mais comum de doença hemolítica do recém-nascido, e o Coombs direto positivo confirma a presença de anticorpos maternos anti-A ou anti-B aderidos às hemácias do bebê.

A conduta terapêutica se baseia em dois pilares: fototerapia e exsanguineotransfusão. A fototerapia é o tratamento de primeira linha para hiperbilirrubinemia indireta, pois converte a bilirrubina em fotoprodutos hidrossolúveis que são excretados sem necessidade de conjugação hepática. A intensidade da fototerapia deve ser adequada à gravidade do caso — na doença hemolítica, a produção de bilirrubina é acelerada, e a fototerapia intensiva é frequentemente necessária. A exsanguineotransfusão é reservada para os casos em que a fototerapia é insuficiente: bilirrubina em níveis de risco para encefalopatia, ascensão rápida (> 0,5 mg/dL/hora) ou sinais clínicos de encefalopatia bilirrubínica (letargia, hipotonia, sucção débil, opistótono).

A tabela de conduta para icterícia neonatal orienta o profissional quanto aos limiares de tratamento. Para um RN com 25-48 horas de vida, a fototerapia é indicada quando a bilirrubina total atinge ≥ 15 mg/dL, e a exsanguineotransfusão quando ≥ 20 mg/dL. No caso de Mariana, a bilirrubina de 15 mg/dL já atinge o limiar de fototerapia para a faixa etária, e a presença de múltiplos fatores de risco (icterícia precoce, doença hemolítica, prematuridade limítrofe, perda de peso > 7%) reforça a necessidade de tratamento imediato e monitoramento rigoroso.

A alternativa B é a única que contempla integralmente a conduta correta: fototerapia intensiva imediata, monitoramento rigoroso e exsanguineotransfusão como recurso para os casos de falha ou sinais de encefalopatia. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como veremos a seguir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os limiares de fototerapia e exsanguineotransfusão, e entre as causas de icterícia neonatal. A alternativa A afirma que a fototerapia não é indicada porque a bilirrubina não atingiu níveis críticos — mas esquece que, com 25-48 horas de vida, o limiar de fototerapia é exatamente 15 mg/dL, e Mariana já o atingiu. A alternativa C confunde a icterícia do leite materno (tardia, após a 1ª semana) com a icterícia precoce por hemólise. A alternativa D generaliza o uso de imunoglobulina, que é reservada para casos específicos de doença Rh. A alternativa E atribui a icterícia ao clampeamento tardio, que não é a causa do quadro hemolítico. Fique atento: icterícia nas primeiras 24 horas é sempre patológica e exige investigação e tratamento imediatos.

Conduta

Indicação

Detalhe

Fototerapia intensiva imediata

BT ≥ 15 mg/dL (25–48h de vida)

Tratamento de primeira linha; converte bilirrubina em fotoprodutos excretáveis

Monitoramento rigoroso da bilirrubina sérica

Todos os casos com icterícia precoce

Avaliar resposta e detectar ascensão rápida (> 0,5 mg/dL/h)

Exsanguineotransfusão

Ascensão rápida, BT ≥ 20 mg/dL ou sinais de encefalopatia

Reservada para falha da fototerapia ou risco de kernicterus

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a fototerapia não é indicada porque a bilirrubina total ainda não atingiu níveis críticos. Isso está errado: com 25-48 horas de vida, o limiar para fototerapia é de 15 mg/dL, e Mariana já apresenta esse valor. Além disso, a icterícia nas primeiras 24 horas é um fator de risco que, por si só, justifica tratamento mais agressivo. A alternativa confunde o limiar de fototerapia com o de exsanguineotransfusão (20 mg/dL), subestimando a gravidade do caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é fototerapia intensiva imediata, pois a bilirrubina de 15 mg/dL atinge o limiar para a faixa etária de 25-48 horas. O monitoramento rigoroso da bilirrubina sérica é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e detectar ascensão rápida. A exsanguineotransfusão deve ser considerada caso a bilirrubina continue aumentando rapidamente (> 0,5 mg/dL/hora) ou haja sinais de encefalopatia bilirrubínica. Essa abordagem está alinhada às diretrizes de manejo da hiperbilirrubinemia neonatal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A icterícia do leite materno é uma causa tardia de hiperbilirrubinemia, que se manifesta após a primeira semana de vida, e não se aplica ao caso de Mariana, que apresenta icterícia nas primeiras 24 horas com Coombs direto positivo — quadro de hemólise imunomediada. Suspender o aleitamento materno não é a conduta indicada; pelo contrário, o aleitamento deve ser incentivado e otimizado, pois a hidratação adequada ajuda na excreção da bilirrubina. A alternativa confunde a icterícia do leite materno com a icterícia por hemólise.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A imunoglobulina intravenosa (IGIV) é indicada em casos específicos de doença hemolítica por incompatibilidade Rh, quando a bilirrubina está em níveis próximos ao limiar de exsanguineotransfusão ou quando esta é necessária. Não é indicada de rotina para todos os casos de Coombs direto positivo, especialmente na incompatibilidade ABO, que costuma ser mais leve. A alternativa generaliza uma conduta que deve ser individualizada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O clampeamento tardio do cordão umbilical pode aumentar a volemia e a bilirrubina, mas não é a causa do quadro de Mariana, que apresenta doença hemolítica por incompatibilidade ABO confirmada pelo Coombs direto positivo. A transfusão sanguínea parcial (exsanguineotransfusão parcial) é uma técnica utilizada em casos de policitemia sintomática, não para tratar hiperbilirrubinemia por hemólise. A alternativa atribui a icterícia a um fator que não é o causal e propõe uma conduta inadequada.

Gabarito: letra B

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