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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093112
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
A pele do recém-nascido tem características únicas que exigem cuidados específicos para garantir sua integridade e proteção contra agentes externos.Tendo isso em vista, assinale a alternativa correta.
  1. AO vérnix caseoso deve ser removido completamente logo após o nascimento para evitar infecções e promover uma adaptação mais rápida da pele ao ambiente externo.
  2. BO primeiro banho do recém-nascido deve ser realizado imediatamente após o parto para reduzir a exposição a bactérias presentes no canal do parto e evitar contaminações.
  3. CO uso de sabonetes antibacterianos em recém-nascidos é recomendado para garantir a remoção eficaz de microrganismos e reduzir o risco de infecções cutâneas.
  4. DO método mais seguro para a limpeza do coto umbilical em bebês nascidos em ambiente hospitalar é mantê-lo limpo e seco, sem a necessidade de antissépticos, exceto em ambientes de alta mortalidade neonatal ou de partos domiciliares.
  5. EA exposição ao sol nos primeiros meses de vida é essencial para a síntese de vitamina D e deve ser incentivada sem restrições, independentemente da idade do recém-nascido.
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GabaritoD — O método mais seguro para a limpeza do coto umbilical em bebês nascidos em ambiente hospitalar é mantê-lo limpo e seco, sem a necessidade de antissépticos, exceto em ambientes de alta mortalidade neonatal ou de partos domiciliares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados com a pele do recém-nascido

Gabarito: letra D. O cuidado correto com o coto umbilical em ambiente hospitalar é mantê-lo limpo e seco, sem uso rotineiro de antissépticos, reservando-os para situações específicas como alta mortalidade neonatal ou partos domiciliares — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais alternativas trazem condutas inadequadas e superadas, como remover o vérnix, banhar imediatamente ou usar sabonetes antibacterianos.

A pele do recém-nascido (RN) é imatura, fina e com função de barreira ainda em desenvolvimento. O vérnix caseoso é uma camada esbranquiçada composta por água, lipídios e células epiteliais que reveste a pele ao nascimento. Ele tem funções protetoras importantes: hidrata a pele, possui propriedades antimicrobianas (contém peptídeos como a lisozima e lactoferrina), auxilia na adaptação térmica e na cicatrização da pele. Por isso, a recomendação atual é não removê-lo completamente — ele deve ser deixado para ser absorvido naturalmente ou removido suavemente nas primeiras horas, sem fricção vigorosa. A remoção completa logo após o nascimento, como propõe a alternativa A, é uma prática antiga e desaconselhada.

O primeiro banho também não deve ser imediato. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e as diretrizes de neonatologia recomendam adiar o primeiro banho por pelo menos 6 a 24 horas após o nascimento, para evitar hipotermia, manter o vérnix e permitir o contato pele a pele e o início precoce do aleitamento. Banhar imediatamente após o parto (alternativa B) aumenta o risco de perda de calor e estresse no RN. Além disso, o banho deve ser rápido, com água morna (em torno de 37°C) e uso de sabonete neutro ou syndet (pH ácido), evitando produtos alcalinos que ressecam a pele.

Quanto aos sabonetes antibacterianos (alternativa C), eles não são recomendados para uso rotineiro em RN. A pele do recém-nascido tem microbiota própria que ajuda na proteção contra patógenos; o uso de agentes antibacterianos pode alterar essa flora, causar irritação, ressecamento e até favorecer a colonização por microrganismos resistentes. O banho deve ser feito com água e, se necessário, sabonete neutro, sem aditivos antibacterianos.

A exposição ao sol (alternativa E) é um tema delicado. Embora a vitamina D seja essencial, a pele do RN é muito sensível e a exposição solar direta nos primeiros meses de vida não é recomendada sem proteção adequada, devido ao risco de queimaduras e danos à pele. A recomendação é evitar exposição solar direta antes dos 6 meses, especialmente nos horários de pico de radiação (10h às 16h). A suplementação de vitamina D é a forma segura de garantir níveis adequados nessa fase.

O coto umbilical merece atenção especial. A prática baseada em evidências, recomendada pela OMS, é o cuidado seco: manter o coto limpo e seco, exposto ao ar, sem uso de antissépticos (como álcool 70% ou clorexidina) em ambientes com baixa mortalidade neonatal. O uso de antissépticos está indicado apenas em situações específicas: ambientes com alta mortalidade neonatal (onde o risco de infecção é maior) ou partos domiciliares (onde as condições de higiene podem ser inadequadas). Essa é exatamente a conduta descrita na alternativa D, que está correta.

A pegadinha desta questão está em inverter a lógica do cuidado: as alternativas incorretas propõem intervenções agressivas (remover vérnix, banho imediato, antibacterianos) que parecem "mais higiênicas", mas que na verdade prejudicam a adaptação e a proteção natural do RN. A alternativa D, por sua vez, reflete a recomendação atual baseada em evidências, que prioriza o mínimo de intervenção e o cuidado seco.

Conduta

Recomendação correta

Justificativa

Vérnix caseoso

Não remover completamente; deixar absorver naturalmente ou remover suavemente

Função protetora: hidratação, ação antimicrobiana, adaptação térmica

Primeiro banho

Adiar por 6 a 24 horas após o nascimento

Evita hipotermia, mantém vérnix, permite contato pele a pele e aleitamento

Sabonetes antibacterianos

Não usar rotineiramente; usar água e sabonete neutro/syndet

Altera microbiota natural, causa irritação e ressecamento

Coto umbilical

Manter limpo e seco, sem antissépticos (exceto alta mortalidade neonatal ou parto domiciliar)

Cuidado seco reduz risco de infecção e acelera queda do coto

Exposição ao sol

Evitar exposição direta antes dos 6 meses; suplementar vitamina D

Pele sensível, risco de queimaduras; suplementação é via segura

Cuidados com a pele do RN
  • 1Vérnix caseoso
    • Remover completamente
    • Deixar absorver naturalmente
  • 2Primeiro banho
    • Imediato após o parto
    • Adiar 6 a 24 horas
  • 3Sabonetes
    • Antibacterianos
    • Neutro ou syndet
  • 4Coto umbilical
    • Limpo e seco (hospital)
    • Antissépticos rotineiros
    • Antissépticos em casos específicos
      • Alta mortalidade neonatal
      • Parto domiciliar
  • 5Exposição solar
    • Antes dos 6 meses
    • Suplementação de vitamina D
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o vérnix caseoso deve ser removido completamente logo após o nascimento. Erro: o vérnix tem função protetora (hidratação, barreira antimicrobiana, adaptação térmica) e não deve ser removido por completo. A recomendação é deixá-lo ser absorvido naturalmente ou removê-lo suavemente, sem fricção. A remoção completa aumenta o risco de ressecamento e infecção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe que o primeiro banho seja imediato após o parto. Erro: o banho imediato aumenta o risco de hipotermia e estresse. A recomendação é adiar o primeiro banho por pelo menos 6 a 24 horas, mantendo o vérnix e permitindo o contato pele a pele e o início do aleitamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Recomenda o uso de sabonetes antibacterianos em RN. Erro: esses produtos alteram a microbiota natural da pele, causam irritação e ressecamento, e não são necessários para a higiene rotineira. Deve-se usar água e sabonete neutro, sem aditivos antibacterianos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o método mais seguro para a limpeza do coto umbilical em ambiente hospitalar é mantê-lo limpo e seco, sem antissépticos, exceto em situações de alta mortalidade neonatal ou partos domiciliares. Correto: essa é a recomendação da OMS e das diretrizes de neonatologia. O cuidado seco reduz o risco de infecção e acelera a queda do coto. Antissépticos são reservados para contextos de maior risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a exposição ao sol nos primeiros meses deve ser incentivada sem restrições. Erro: a pele do RN é muito sensível e a exposição solar direta antes dos 6 meses não é recomendada, especialmente nos horários de pico. A vitamina D deve ser garantida por suplementação, não por exposição solar.

Gabarito: letra D — a única alternativa que reflete a prática baseada em evidências para o cuidado com o coto umbilical e com a pele do recém-nascido.

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