Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093113
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
Em relação ao tratamento empírico das infecções neonatais, qual das alternativas a seguir está correta?
AA escolha do antibiótico empírico deve ser baseada exclusivamente nos sintomas clínicos do recém-nascido, pois exames laboratoriais têm baixa acurácia no diagnóstico de sepse neonatal.
BA sepse neonatal precoce geralmente é causada por bactérias adquiridas no ambiente hospitalar, sendo os principais agentes etiológicos Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa.
CO esquema empírico para sepse neonatal precoce inclui ampicilina associada a um aminoglicosídeo (amicacina ou gentamicina), devido à eficácia contra Streptococcus do grupo B e Escherichia coli.
DPara recém-nascidos de muito baixo peso, o uso de cefalosporinas de terceira geração é sempre preferível a aminoglicosídeos, pois apresentam menor risco de toxicidade renal e ototoxicidade.
EEm unidades neonatais com alta prevalência de Staphylococcus coagulase-negativo resistente à oxacilina, a vancomicina deve ser usada como antibiótico de primeira linha em todos os casos suspeitos de sepse neonatal.
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GabaritoC — O esquema empírico para sepse neonatal precoce inclui ampicilina associada a um aminoglicosídeo (amicacina ou gentamicina), devido à eficácia contra Streptococcus do grupo B e Escherichia coli.
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Tratamento empírico das infecções neonatais
Gabarito: letra C. O esquema empírico para sepse neonatal precoce é ampicilina associada a um aminoglicosídeo (amicacina ou gentamicina), visando cobertura de Streptococcus do grupo B e Escherichia coli — os principais agentes etiológicos dessa síndrome. As demais alternativas contêm erros conceituais ou condutas inadequadas, como a escolha baseada apenas em sintomas, a etiologia hospitalar para sepse precoce, a preferência por cefalosporinas de terceira geração em recém-nascidos de muito baixo peso e o uso de vancomicina como primeira linha em todos os casos suspeitos.
A sepse neonatal é uma síndrome clínica caracterizada por sinais sistêmicos de infecção nas primeiras semanas de vida, podendo ser classificada em precoce (até 48-72 horas de vida) e tardia (após esse período). A sepse precoce está associada à transmissão vertical de bactérias do trato genital materno durante o parto, sendo os agentes mais frequentes o Streptococcus do grupo B (SGB) e a Escherichia coli. Já a sepse tardia está relacionada a infecções adquiridas no ambiente hospitalar ou na comunidade, com predomínio de Staphylococcus coagulase-negativo, Staphylococcus aureus e bactérias Gram-negativas.
O tratamento empírico da sepse neonatal precoce deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas, sem aguardar resultados laboratoriais. O esquema clássico combina ampicilina, que cobre SGB, Listeria monocytogenes e Enterococcus, com um aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina), que amplia a cobertura para bacilos Gram-negativos, incluindo E. coli. Essa combinação é eficaz, segura e recomendada pelas principais diretrizes de neonatologia.
A escolha do antibiótico empírico não deve ser baseada exclusivamente em sintomas clínicos, pois os sinais de sepse neonatal são inespecíficos e podem estar presentes em outras condições. Exames laboratoriais, como hemograma, PCR e procalcitonina, auxiliam na avaliação, mas não substituem o julgamento clínico. A decisão deve considerar fatores de risco maternos, apresentação clínica e perfil epidemiológico da unidade.
Em recém-nascidos de muito baixo peso, o uso de cefalosporinas de terceira geração não é preferível aos aminoglicosídeos. Embora as cefalosporinas tenham espectro amplo, seu uso rotineiro pode selecionar bactérias resistentes e aumentar o risco de infecção fúngica. Os aminoglicosídeos, apesar do potencial de nefrotoxicidade e ototoxicidade, são seguros quando monitorados adequadamente e constituem a primeira escolha na maioria dos protocolos.
A vancomicina deve ser reservada para situações específicas, como infecção por Staphylococcus coagulase-negativo confirmada ou alta prevalência de MRSA na unidade. Seu uso indiscriminado como primeira linha em todos os casos suspeitos de sepse neonatal contribui para o aumento da resistência bacteriana e não é recomendado.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre sepse precoce e tardia, especialmente quanto à etiologia e ao tratamento empírico. A banca explora a confusão entre os agentes causadores e as condutas adequadas para cada situação. Guarde a fronteira: sepse precoce → transmissão vertical → ampicilina + aminoglicosídeo; sepse tardia → ambiente hospitalar → considerar cobertura para estafilococos e Gram-negativos.
Sepse neonatal
1Precoce (até 48-72h)
Transmissão vertical
SGB e E. coli
Tratamento: ampicilina + aminoglicosídeo
2Tardia (após 48-72h)
Ambiente hospitalar/comunidade
Estafilococos e Gram-negativos
Considerar cobertura específica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A escolha do antibiótico empírico não deve ser baseada exclusivamente nos sintomas clínicos. Embora os exames laboratoriais tenham limitações, eles são ferramentas complementares importantes na avaliação diagnóstica. A conduta correta envolve a combinação de fatores de risco, apresentação clínica e dados epidemiológicos, além de exames como hemograma, PCR e hemocultura. A afirmação de que os exames têm "baixa acurácia" é exagerada e não justifica a exclusão deles do processo decisório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sepse neonatal precoce é causada por bactérias adquiridas por transmissão vertical, ou seja, do trato genital materno durante o parto, e não por bactérias do ambiente hospitalar. Os principais agentes são Streptococcus do grupo B e Escherichia coli. Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa são mais associados à sepse tardia, adquirida no ambiente hospitalar ou na comunidade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O esquema empírico para sepse neonatal precoce é ampicilina associada a um aminoglicosídeo (amicacina ou gentamicina). Essa combinação é eficaz contra Streptococcus do grupo B e Escherichia coli, os principais agentes etiológicos dessa síndrome. A ampicilina cobre SGB, Listeria e Enterococcus, enquanto o aminoglicosídeo amplia a cobertura para bacilos Gram-negativos, incluindo E. coli.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em recém-nascidos de muito baixo peso, o uso de cefalosporinas de terceira geração não é sempre preferível aos aminoglicosídeos. Embora as cefalosporinas tenham espectro amplo, seu uso rotineiro pode selecionar bactérias resistentes e aumentar o risco de infecção fúngica. Os aminoglicosídeos, apesar do potencial de nefrotoxicidade e ototoxicidade, são seguros quando monitorados adequadamente e constituem a primeira escolha na maioria dos protocolos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A vancomicina não deve ser usada como antibiótico de primeira linha em todos os casos suspeitos de sepse neonatal, mesmo em unidades com alta prevalência de Staphylococcus coagulase-negativo resistente à oxacilina. Seu uso deve ser reservado para situações específicas, como infecção confirmada por esse agente ou alta prevalência de MRSA. O uso indiscriminado contribui para o aumento da resistência bacteriana e não é recomendado.