Transfusão de plaquetas em recém-nascidos: indicações e limiares
Gabarito: letra B. Em RN a termo e pré-termo acima de 1 kg, sem sangramentos ou complicações, a transfusão profilática de plaquetas é indicada quando a contagem é inferior a 20.000–25.000/mcL — exatamente o que a alternativa B afirma. As demais alternativas trazem limiares incorretos, seja por serem altos demais para a situação descrita (A, C, D, E), seja por não corresponderem às diretrizes de transfusão neonatal.
A transfusão de plaquetas em recém-nascidos é um procedimento que exige critérios rigorosos, pois o RN tem particularidades fisiológicas que o tornam mais vulnerável a complicações transfusionais. A decisão de transfundir plaquetas deve levar em conta não apenas o número absoluto de plaquetas, mas também a presença de sangramento ativo, a estabilidade clínica, a idade gestacional e o peso do paciente. Em neonatologia, os limiares transfusionais são mais conservadores do que em adultos, justamente porque o sistema hemostático do RN é imaturo e o risco de hemorragia intracraniana é maior, especialmente em prematuros extremos.
A principal diretriz que orienta a prática clínica é a de que, em RN estáveis, sem sangramento e sem outras complicações, a transfusão profilática é indicada apenas quando a contagem de plaquetas cai abaixo de 20.000–25.000/mcL. Esse limiar é mais baixo do que o utilizado em adultos (10.000/mcL para profilaxia em pacientes hipoproliferativos), refletindo a preocupação com os riscos da transfusão em neonatos, como a sobrecarga volêmica, a reação transfusional e a exposição a múltiplos doadores. Em contrapartida, quando há sangramento ativo, instabilidade hemodinâmica ou necessidade de procedimentos invasivos, os limiares são mais altos, pois o objetivo é manter uma hemostasia adequada.
A banca explora justamente a confusão entre os limiares profiláticos e terapêuticos, e entre as situações de RN estável e RN instável. A alternativa B é a única que descreve corretamente a indicação profilática em RN sem complicações, com o limiar adequado de 20.000–25.000/mcL. As demais alternativas apresentam limiares que seriam corretos em outros contextos, mas não na situação descrita, ou valores que não correspondem a nenhuma indicação estabelecida. Para acertar a questão, é essencial dominar a tabela de limiares transfusionais em neonatologia e saber diferenciar quando a transfusão é profilática (RN estável) e quando é terapêutica (RN com sangramento ou instabilidade).
Situação clínica do RN | Limiar de plaquetas para transfusão (correto) | Limiar apresentado na alternativa (incorreto) |
|---|
RN a termo/pré-termo > 1 kg, estável, sem sangramento (profilático) | < 20.000–25.000/mcL (B) | — |
RN < 72h com hemorragia significativa | 50.000/mcL (ou 100.000/mcL em SNC) | 200.000/mcL (A) |
RN com instabilidade hemodinâmica/comprometimento geral | 50.000/mcL (ou 100.000/mcL em SNC) | 80.000/mcL (C) |
RN pré-termo extremo (< 1 kg ou IG < 28 sem), estável, sem sangramento | < 20.000–25.000/mcL | 50.000–80.000/mcL (D) |
RN em ECMO | 50.000–100.000/mcL | 150.000/mcL (E) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta alternativa afirma que RN < 72 horas com plaquetas < 200.000/mcL e hemorragias significativas devem receber transfusão. O erro está no limiar de 200.000/mcL, que é extremamente alto e não corresponde a nenhuma indicação transfusional em neonatologia. Mesmo em sangramentos significativos, o limiar para transfusão é de 50.000/mcL (ou 100.000/mcL em sangramento de SNC), nunca 200.000/mcL. A banca troca o limiar por um valor que seria considerado normal para um RN, induzindo o candidato a pensar que qualquer sangramento com plaquetas abaixo de 200.000 exige transfusão — o que não é verdade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa correta. Em RN a termo e pré-termo acima de 1 kg, sem sangramentos ou complicações, a transfusão profilática de plaquetas é indicada quando a contagem é inferior a 20.000–25.000/mcL. Esse é o limiar estabelecido pelas diretrizes de neonatologia para RN estáveis, sem outras comorbidades. A alternativa espelha exatamente a recomendação: RN sem sangramento, sem instabilidade, com plaquetas abaixo de 20.000–25.000/mcL, devem receber transfusão profilática para prevenir hemorragia espontânea.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa afirma que RN com instabilidade hemodinâmica, comprometimento do estado geral, apneias e plaquetas < 80.000/mcL devem receber transfusão. O erro está no limiar de 80.000/mcL, que é alto demais para essa situação. Em RN com instabilidade clínica, o limiar para transfusão é de 50.000/mcL (ou 100.000/mcL em sangramento de SNC), não 80.000/mcL. A banca troca o limiar por um valor intermediário que não corresponde a nenhuma indicação específica, confundindo o candidato que não domina a tabela de limiares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa afirma que RN pré-termo extremos (< 1 kg ou IG < 28 semanas) sem evidências de sangramento, com plaquetas entre 50.000 e 80.000/mcL nas primeiras 24 horas de vida, devem receber transfusão. O erro está no limiar: em RN prematuros extremos sem sangramento, a transfusão profilática é indicada apenas quando as plaquetas estão abaixo de 20.000–25.000/mcL, não entre 50.000 e 80.000/mcL. A banca apresenta um limiar que seria adequado para RN com sangramento ou instabilidade, mas não para RN estáveis, mesmo sendo prematuros extremos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa afirma que RN submetidos a ECMO com plaquetas abaixo de 150.000/mcL devem receber transfusão. O erro está no limiar de 150.000/mcL, que é alto demais. Em RN em ECMO, o limiar para transfusão de plaquetas é de 50.000–100.000/mcL, dependendo da presença de sangramento. O valor de 150.000/mcL não corresponde a nenhuma indicação estabelecida, sendo um distrator que confunde o candidato ao apresentar um número próximo do normal.
Gabarito: letra B