Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093119
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neonatologia
Um recém-nascido (RN) com 36 semanas de idade gestacional, filho de mãe com diabetes descompensado, apresenta tremores e irritabilidade nas primeiras horas de vida.Considerando essas informações, qual das condutas a seguir é a mais adequada inicialmente e por quê?
ARealizar dosagens seriadas de glicemia, pois o RN é filho de mãe diabética, com risco de hiperinsulinismo.
BAdministrar glicose por via endovenosa imediatamente, independentemente da dosagem inicial de glicose, por tratar-se de um RN sintomático.
CRealizar monitoramento do cálcio iônico nas primeiras 6 horas de vida, pois tremores e irritabilidade são sintomas exclusivos de hipocalcemia neonatal.
DSolicitar exames de magnésio sérico de urgência, pois a hipomagnesemia é a causa mais comum de tremores em RN com sofrimento perinatal.
EAguardar o início da amamentação e reavaliar após 24 horas, pois os distúrbios metabólicos tendem a se resolver espontaneamente com a nutrição enteral.
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GabaritoA — Realizar dosagens seriadas de glicemia, pois o RN é filho de mãe diabética, com risco de hiperinsulinismo.
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Hipoglicemia neonatal em recém-nascido de mãe diabética
Gabarito: letra A. O recém-nascido (RN) de mãe com diabetes descompensado apresenta risco elevado de hipoglicemia neonatal por hiperinsulinismo, e a conduta inicial mais adequada é realizar dosagens seriadas de glicemia para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento. A hipoglicemia neonatal é definida como glicemia < 40 mg/dL nas primeiras 24 horas de vida, e o rastreamento sistemático é essencial nesse grupo de risco.
O hiperinsulinismo neonatal é a principal causa de hipoglicemia em filhos de mães diabéticas. Durante a gestação, a hiperglicemia materna atravessa a placenta e estimula o pâncreas fetal a produzir quantidades excessivas de insulina. Após o nascimento, com a interrupção do aporte contínuo de glicose materna, esse excesso de insulina persiste e provoca queda rápida da glicemia neonatal. Os sintomas clássicos incluem tremores, irritabilidade, hipotonia, letargia, sucção débil, apneia e, em casos graves, convulsões. O quadro clínico apresentado pelo RN da questão — tremores e irritabilidade nas primeiras horas de vida — é altamente sugestivo de hipoglicemia, mas esses sintomas são inespecíficos e podem ocorrer em outras condições, como hipocalcemia, hipomagnesemia, sepse e encefalopatia hipóxico-isquêmica.
A conduta inicial diante de um RN sintomático com risco de hipoglicemia é a dosagem imediata da glicemia capilar (dextro) e a confirmação laboratorial. Se a glicemia estiver baixa, inicia-se o tratamento com aleitamento materno ou fórmula láctea, se o RN estiver clinicamente estável e com sucção efetiva. Caso a glicemia permaneça baixa ou o RN apresente sintomas graves, está indicada a administração de glicose por via endovenosa. A dosagem seriada de glicemia é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e evitar tanto a hipoglicemia prolongada quanto a hiperglicemia de rebote. O rastreamento deve ser realizado em intervalos regulares (geralmente a cada 3-4 horas) nas primeiras 24-48 horas de vida, ou até que a glicemia se estabilize.
A alternativa B sugere administrar glicose endovenosa imediatamente, independentemente da dosagem inicial. Essa conduta é inadequada, pois a glicemia deve ser sempre medida antes de iniciar a infusão de glicose, exceto em situações de emergência com sintomas graves e impossibilidade de dosagem imediata. A administração empírica de glicose pode mascarar o diagnóstico, dificultar a avaliação da resposta ao tratamento e causar hiperglicemia, que também é prejudicial ao RN. A alternativa C afirma que tremores e irritabilidade são sintomas exclusivos de hipocalcemia neonatal, o que é incorreto, pois esses sintomas são inespecíficos e podem ocorrer em diversas condições, incluindo hipoglicemia, hipomagnesemia, sepse e abstinência de drogas. A alternativa D sugere que a hipomagnesemia é a causa mais comum de tremores em RN com sofrimento perinatal, o que também é incorreto, pois a hipoglicemia é a causa mais frequente de tremores nesse contexto. A alternativa E propõe aguardar o início da amamentação e reavaliar após 24 horas, o que é perigoso, pois a hipoglicemia neonatal pode causar danos neurológicos irreversíveis se não for tratada prontamente.
A distinção fundamental entre as alternativas está na prioridade da conduta: confirmar o diagnóstico por meio da dosagem de glicemia antes de qualquer intervenção terapêutica. A alternativa A é a única que segue essa lógica, pois propõe a dosagem seriada de glicemia como primeiro passo, reconhecendo o risco de hiperinsulinismo no RN de mãe diabética. As demais alternativas ou propõem condutas precipitadas (B), ou focam em diagnósticos menos prováveis (C e D), ou adiam a intervenção de forma perigosa (E).
1Dosar glicemia capilar imediata
2Confirmar laboratorialmente
3RN estável e sucção efetiva
4Aleitamento/fórmula
5Reavaliar glicemia em 3-4h
6Persistir baixa ou sintomas graves
7Glicose endovenosa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta mais adequada é realizar dosagens seriadas de glicemia, pois o RN é filho de mãe diabética, com risco de hiperinsulinismo. O hiperinsulinismo é a principal causa de hipoglicemia neonatal nesse grupo, e a dosagem seriada permite confirmar o diagnóstico, monitorar a resposta ao tratamento e evitar complicações neurológicas. O rastreamento deve ser iniciado nas primeiras horas de vida e repetido em intervalos regulares até a estabilização glicêmica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A administração de glicose endovenosa imediatamente, independentemente da dosagem inicial, é inadequada. A glicemia deve ser sempre medida antes de iniciar a infusão de glicose, exceto em emergências com sintomas graves e impossibilidade de dosagem imediata. A administração empírica pode mascarar o diagnóstico, dificultar a avaliação da resposta ao tratamento e causar hiperglicemia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Tremores e irritabilidade não são sintomas exclusivos de hipocalcemia neonatal. Esses sintomas são inespecíficos e podem ocorrer em hipoglicemia, hipomagnesemia, sepse, encefalopatia hipóxico-isquêmica e abstinência de drogas. A hipocalcemia é uma causa possível, mas não exclusiva, e o monitoramento do cálcio iônico não é a conduta inicial prioritária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipomagnesemia não é a causa mais comum de tremores em RN com sofrimento perinatal. A hipoglicemia é a causa mais frequente de tremores nesse contexto, especialmente em filhos de mães diabéticas. A dosagem de magnésio sérico pode ser indicada em casos específicos, mas não é a conduta inicial mais adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aguardar o início da amamentação e reavaliar após 24 horas é perigoso, pois a hipoglicemia neonatal pode causar danos neurológicos irreversíveis se não for tratada prontamente. O RN sintomático com risco de hipoglicemia deve ser avaliado e tratado imediatamente, não se deve aguardar a resolução espontânea dos distúrbios metabólicos.