Homem de 45 anos foi atendido na emergência após sofrer uma queda de altura. A tomografia de crânio encontra-se a seguir.(https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fj%2F rb%2Fa%2Fq8FxMFHx6VyBjmLvJnVNChf%2F%3Flang%3Dpt&psig=AOvVaw2 ATnROKFO8InWPDwkvIStP&ust=1739989651593000&source=images&cd=vfe &opi=89978449&ved=0CBQQjRxqFwoTCKjX2dzszYsDFQAAAAAdAAAAABAE)Com base nesses achados, qual é o diagnóstico mais provável?
AHematoma subdural agudo.
BContusão cerebral.
CHemorragia subaracnóidea traumática.
DHematoma epidural.
EHematoma intraparenquimatoso.
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GabaritoD — Hematoma epidural.
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Hematomas intracranianos traumáticos: diagnóstico por imagem
Gabarito: letra D. Em um paciente com trauma craniano por queda de altura, a presença de uma coleção sanguínea biconvexa (lenticular) na tomografia de crânio é o achado clássico do hematoma epidural, que se acumula entre a calota craniana e a dura-máter, geralmente por lesão da artéria meníngea média. As demais alternativas apresentam padrões de imagem distintos, como veremos a seguir.
O hematoma epidural é uma emergência neurocirúrgica que ocorre em cerca de 1 a 4% dos traumatismos cranianos, sendo mais comum em adultos jovens. A causa mais frequente é a fratura do osso temporal, que lacera a artéria meníngea média, levando ao acúmulo de sangue no espaço virtual entre a dura-máter e o crânio. Como a dura-máter é firmemente aderida às suturas cranianas, o sangramento tende a se limitar a um único compartimento, adquirindo o formato biconvexo ou lenticular na tomografia. Clinicamente, o paciente pode apresentar o clássico intervalo lúcido (perda de consciência seguida de recuperação e posterior deterioração neurológica), embora esse sinal esteja presente em apenas cerca de 20 a 50% dos casos. O tratamento é cirúrgico, com craniotomia para evacuação do hematoma, e o prognóstico é excelente se o diagnóstico for precoce.
Para diferenciar os tipos de hemorragia intracraniana, é fundamental analisar a morfologia e a localização da coleção na tomografia. O hematoma epidural é biconvexo e não cruza as suturas cranianas. O hematoma subdural agudo, por sua vez, tem formato de crescente (semilunar), cruza as suturas, mas não ultrapassa a linha média, e está associado à lesão de veias corticais ou pontes venosas. A hemorragia subaracnóidea traumática aparece como sangue nos sulcos e cisternas, seguindo o espaço subaracnóideo. A contusão cerebral é uma lesão parenquimatosa com áreas de hemorragia e edema, geralmente nos lobos frontal e temporal. O hematoma intraparenquimatoso é uma coleção sanguínea dentro do parênquima cerebral, com formato irregular.
A banca explora a confusão entre o hematoma epidural e o subdural, que são os dois tipos mais comuns de hemorragia extra-axial. A chave para diferenciá-los é a forma: biconvexa (lenticular) para o epidural e crescente (semilunar) para o subdural. Além disso, o epidural geralmente está associado a fratura de crânio e não cruza as suturas, enquanto o subdural cruza as suturas e está mais relacionado a trauma com aceleração/desaceleração, como em quedas em idosos ou pacientes anticoagulados. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Hematomas intracranianos
1Extra-axiais
Epidural
Formato biconvexo (lenticular)
Não cruza suturas
Fratura temporal / artéria meníngea média
Subdural agudo
Formato crescente (semilunar)
Cruza suturas
Lesão de veias pontes
2Intra-axiais
Contusão cerebral
Hemorragia puntiforme + edema
Lobos frontal e temporal
Hematoma intraparenquimatoso
Coleção irregular no parênquima
3Subaracnóidea traumática
Sangue nos sulcos e cisternas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O hematoma subdural agudo apresenta-se na tomografia como uma coleção hiperdensa em formato de crescente (semilunar), que cruza as suturas cranianas e se distribui sobre a convexidade cerebral. A imagem descrita no enunciado, com coleção biconvexa, é característica do hematoma epidural, não do subdural. A confusão entre esses dois tipos é a pegadinha clássica da banca.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A contusão cerebral é uma lesão do parênquima encefálico, geralmente nos lobos frontal e temporal, que se manifesta na tomografia como áreas de hemorragia puntiforme ou heterogênea associadas a edema. Não se apresenta como uma coleção extra-axial biconvexa, como descrito no caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hemorragia subaracnóidea traumática é caracterizada pela presença de sangue no espaço subaracnóideo, preenchendo os sulcos e as cisternas da base. Na tomografia, aparece como hiperdensidade linear seguindo o trajeto dos sulcos, e não como uma coleção biconvexa extra-axial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O hematoma epidural é a coleção sanguínea que se acumula entre a calota craniana e a dura-máter, adquirindo o formato biconvexo (lenticular) na tomografia, como descrito no enunciado. É causado, na maioria dos casos, por fratura do osso temporal com laceração da artéria meníngea média, e não cruza as suturas cranianas devido à aderência da dura-máter. O diagnóstico é eminentemente tomográfico, e o tratamento é cirúrgico de urgência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hematoma intraparenquimatoso é uma coleção sanguínea dentro do parênquima cerebral, com formato irregular e heterogêneo, geralmente associado a contusão ou lesão vascular. Não se apresenta como uma coleção extra-axial biconvexa, como descrito no caso.
A regra de ouro para a prova: hematoma epidural = biconvexo (lenticular), não cruza suturas; hematoma subdural = crescente (semilunar), cruza suturas. Essa distinção morfológica é o critério mais cobrado pelas bancas em questões de trauma craniano.