Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu093135
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neurologia
A hipersonia idiopática é um distúrbio caracterizado por excessiva necessidade de sono e dificuldade em acordar, sem causa identificável.Em relação ao diagnóstico e tratamento dessa condição, assinale a alternativa correta.
  1. ANa hipersonia idiopática, além de episódios de cataplexia, observa-se latência menor do sono REM no Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS).
  2. BO tratamento de primeira linha inclui o uso de benzodiazepínicos para indução do sono.
  3. CA hipersonia idiopática diferencia-se da narcolepsia pela ausência de cataplexia e pela latência maior do sono REM no Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS).
  4. DO diagnóstico pode ser feito apenas com base na história clínica, sem necessidade de exames complementares.
  5. EO tratamento curativo inclui a reposição de orexina; substância deficiente nesses pacientes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A hipersonia idiopática diferencia-se da narcolepsia pela ausência de cataplexia e pela latência maior do sono REM no Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipersonia idiopática: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra C. A hipersonia idiopática diferencia-se da narcolepsia pela ausência de cataplexia e pela latência maior do sono REM no Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS). Enquanto a narcolepsia tipo 1 cursa com cataplexia e latência do REM menor ou igual a 8 minutos no TLMS, a hipersonia idiopática não apresenta cataplexia e o TLMS mostra latência média do sono reduzida, mas sem episódios de REM ao despertar (SOREMPs).

A hipersonia idiopática é um distúrbio do sono de origem central, caracterizado por sonolência diurna excessiva persistente, mesmo após uma noite de sono adequada ou prolongada, e por dificuldade em despertar (intoxicação pelo sono). Diferentemente da narcolepsia, não há cataplexia, paralisia do sono ou alucinações hipnagógicas. O diagnóstico exige a exclusão de outras causas de sonolência, como privação de sono, apneia obstrutiva do sono, efeito de medicamentos e transtornos psiquiátricos. Para isso, são necessários exames complementares: a polissonografia (PSG) e o Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS). Na PSG, observa-se eficiência do sono normal ou alta, com latência do sono reduzida. No TLMS, a latência média do sono é menor ou igual a 8 minutos, mas, ao contrário da narcolepsia, não há dois ou mais SOREMPs (episódios de REM ao adormecer).

O tratamento da hipersonia idiopática é sintomático, não curativo. A primeira linha inclui estimulantes, como modafinil, metilfenidato e anfetaminas, que promovem a vigília. Medidas de higiene do sono e cochilos programados também são recomendados. Não há tratamento curativo, e a reposição de orexina (hipocretina), embora seja uma promessa terapêutica na narcolepsia tipo 1, não é aplicável à hipersonia idiopática, pois os níveis desse neuropeptídeo estão normais nesses pacientes. Benzodiazepínicos são contraindicados, pois pioram a sonolência diurna.

A distinção entre hipersonia idiopática e narcolepsia é o ponto central da questão. A narcolepsia tipo 1 é causada pela perda de neurônios produtores de orexina no hipotálamo, resultando em cataplexia e níveis baixos de orexina no líquido cefalorraquidiano. A narcolepsia tipo 2 não tem cataplexia, mas apresenta SOREMPs no TLMS. A hipersonia idiopática, por sua vez, não tem cataplexia nem SOREMPs, e a latência do sono REM é normal ou aumentada. A tabela abaixo resume as diferenças:

Critério

Hipersonia idiopática

Narcolepsia tipo 1

Narcolepsia tipo 2

Cataplexia

Ausente

Presente

Ausente

Latência do sono no TLMS

≤ 8 min

≤ 8 min

≤ 8 min

SOREMPs no TLMS

Ausentes (0 ou 1)

≥ 2

≥ 2

Orexina no LCR

Normal

Baixa

Normal

Tratamento de primeira linha

Estimulantes

Estimulantes + anticatapléticos

Estimulantes

A banca explora a confusão entre os dois distúrbios, oferecendo alternativas que misturam características. A pegadinha está em associar cataplexia e latência reduzida do REM à hipersonia idiopática, quando esses são marcadores da narcolepsia. O candidato deve lembrar que a hipersonia idiopática é um diagnóstico de exclusão, sem marcadores biológicos específicos, e que o TLMS mostra ausência de SOREMPs.

1Diagnóstico
Exclusão de outras causas
PSG: sono eficiente
TLMS: latência ≤ 8 min
Sem SOREMPs
2Diferenciais
Sem cataplexia
Orexina normal
3Tratamento
Estimulantes (1ª linha)
Higiene do sono
Sem cura
Hipersonia idiopática
LEVELsoulevel.com.br
Hipersonia idiopática: Diagnóstico (Exclusão de outras causas, PSG: sono eficiente, TLMS: latência ≤ 8 min, Sem SOREMPs); Diferenciais (Sem cataplexia, Orexina normal); Tratamento (Estimulantes (1ª linha), Higiene do sono, Sem cura)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que na hipersonia idiopática há episódios de cataplexia e latência menor do sono REM no TLMS. Isso é o oposto do que ocorre: a cataplexia é exclusiva da narcolepsia tipo 1, e a latência do sono REM no TLMS é normal ou aumentada na hipersonia idiopática, não reduzida. A presença de SOREMPs (latência do REM ≤ 15 min) é um critério para narcolepsia, não para hipersonia idiopática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tratamento de primeira linha da hipersonia idiopática não inclui benzodiazepínicos. Esses fármacos são depressoras do sistema nervoso central e pioram a sonolência diurna. A primeira linha são os estimulantes (modafinil, metilfenidato, anfetaminas), que promovem a vigília. Benzodiazepínicos são usados, por exemplo, em alguns distúrbios do sono, como insônia, mas não na hipersonia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a hipersonia idiopática diferencia-se da narcolepsia pela ausência de cataplexia e pela latência maior do sono REM no TLMS. Na narcolepsia, há cataplexia (tipo 1) e SOREMPs no TLMS, indicando latência do REM reduzida. Na hipersonia idiopática, não há cataplexia e o TLMS não mostra SOREMPs, ou seja, a latência do REM é normal ou aumentada. Essa é a distinção fundamental entre os dois distúrbios.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O diagnóstico de hipersonia idiopática não pode ser feito apenas com base na história clínica. É necessário excluir outras causas de sonolência, o que exige exames complementares, como polissonografia (PSG) e Teste de Latência Múltipla do Sono (TLMS). A PSG avalia a qualidade do sono e exclui apneia e outros distúrbios; o TLMS mede a latência do sono e a presença de SOREMPs. Sem esses exames, o diagnóstico é apenas presuntivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não há tratamento curativo para a hipersonia idiopática, e a reposição de orexina não é indicada, pois os níveis desse neuropeptídeo estão normais nesses pacientes. A deficiência de orexina é característica da narcolepsia tipo 1, e a reposição é uma área de pesquisa, mas não é um tratamento estabelecido nem para a narcolepsia. O tratamento da hipersonia idiopática é sintomático, com estimulantes e medidas de higiene do sono.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato associando cataplexia e latência reduzida do REM à hipersonia idiopática, quando esses são marcadores da narcolepsia. Lembre-se: a hipersonia idiopática é um diagnóstico de exclusão, sem cataplexia e sem SOREMPs no TLMS. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar hipersonia idiopática de narcolepsia, foque em dois pontos: presença de cataplexia (só na narcolepsia tipo 1) e presença de SOREMPs no TLMS (≥2 na narcolepsia, ausentes na hipersonia idiopática). Se a alternativa mencionar cataplexia ou SOREMPs, ela não se refere à hipersonia idiopática.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu093135