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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu093136
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neurologia
Paciente de 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 18 anos, apresenta queixas de formigamento, queimação e dormência progressiva nos pés, que agora se estendem até a região dos tornozelos. Ele também relata dificuldades para manter o equilíbrio, principalmente no escuro, e episódios ocasionais de dor lancinante nos membros inferiores. O exame neurológico revela redução da sensibilidade vibratória nos maléolos mediais, hiporreflexia aquileia bilateral e força preservada nos membros inferiores.Com base nesse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
  1. AA neuropatia apresentada pelo paciente é predominantemente motora, caracterizando uma neuropatia focal diabética com risco elevado de perda funcional dos membros inferiores.
  2. BO padrão de comprometimento sensitivo distal simétrico observado sugere um mecanismo predominantemente vasculopático, sendo a neuropatia desmielinizante o achado histológico mais comum.
  3. CO tratamento envolve controle rigoroso da glicemia, sendo a única abordagem comprovadamente eficaz na prevenção e progressão da neuropatia diabética. Medicamentos como gabapentinoides e antidepressivos tricíclicos podem ser utilizados para alívio sintomático.
  4. DA presença de sintomas autonômicos, como hipotensão postural, bexiga neurogênica e gastroparesia são achados típicos da polineuropatia diabética distal simétrica e precedem os sintomas sensitivos em quase todos os pacientes.
  5. EO diagnóstico da neuropatia diabética distal é confirmado pela análise do líquor, na qual se espera encontrar dissociação albuminocitológica, reforçando a hipótese de um mecanismo inflamatório subjacente.
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GabaritoC — O tratamento envolve controle rigoroso da glicemia, sendo a única abordagem comprovadamente eficaz na prevenção e progressão da neuropatia diabética. Medicamentos como gabapentinoides e antidepressivos tricíclicos podem ser utilizados para alívio sintomático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neuropatia Diabética Periférica: Diagnóstico e Tratamento

Gabarito: letra C. O caso descreve a forma mais comum de neuropatia diabética — a polineuropatia distal simétrica (PDS) —, cujo tratamento se baseia no controle glicêmico rigoroso (única medida comprovadamente eficaz na prevenção e progressão) e no manejo sintomático da dor com gabapentinoides e antidepressivos tricíclicos, entre outros. As demais alternativas erram ao classificar a neuropatia como motora/focal, atribuir mecanismo vasculopático predominante, afirmar que sintomas autonômicos precedem os sensitivos ou indicar liquor para o diagnóstico.

A neuropatia diabética é uma complicação crônica do diabetes mellitus, definida como a presença de sintomas e/ou sinais de disfunção dos nervos periféricos em pacientes diabéticos, após exclusão de outras causas. A forma mais frequente é a polineuropatia distal simétrica (PDS), que acomete primeiro os membros inferiores, em padrão "bota e luva", com progressão lenta e ascendente. O quadro clínico típico inclui parestesias (formigamento), dormência, queimação, dor lancinante, hipoestesia distal, hiporreflexia ou arreflexia aquileia, redução da sensibilidade vibratória e ataxia proprioceptiva (dificuldade de equilíbrio no escuro). A força muscular costuma estar preservada nas fases iniciais, sendo o comprometimento predominantemente sensitivo.

O mecanismo fisiopatológico da PDS é multifatorial, envolvendo principalmente hiperglicemia crônica, estresse oxidativo, formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), disfunção mitocondrial e inflamação de baixo grau. O dano é predominantemente axonal, com degeneração walleriana e perda de fibras nervosas, e não desmielinizante primário. Embora a microangiopatia (vasculopatia) contribua para a neuropatia, o mecanismo predominante é metabólico, não vasculopático. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em anamnese e exame físico detalhado (sensibilidade térmica, dolorosa, vibratória, proprioceptiva e reflexos). Exames complementares como eletroneuromiografia, testes quantitativos de sensibilidade e biópsia de pele são reservados para casos atípicos ou quando há dúvida diagnóstica. O liquor não tem papel no diagnóstico da neuropatia diabética distal; a dissociação albuminocitológica é característica de polirradiculopatias inflamatórias, como a síndrome de Guillain-Barré.

O tratamento da neuropatia diabética tem dois pilares: (1) controle glicêmico rigoroso, que é a única intervenção comprovadamente eficaz na prevenção e na progressão da doença, especialmente no diabetes tipo 1, mas também relevante no tipo 2; e (2) tratamento sintomático da dor neuropática, com fármacos de primeira linha como gabapentina, pregabalina (gabapentinoides), duloxetina, venlafaxina (inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina) e amitriptilina (antidepressivo tricíclico). A escolha do fármaco baseia-se na gravidade dos sintomas, comorbidades, custo e efeitos colaterais. Em casos refratários, pode-se combinar fármacos de classes diferentes ou utilizar opioides, capsaicina tópica, lidocaína tópica, entre outros.

A neuropatia autonômica diabética é outra forma comum, que pode ocorrer isoladamente ou associada à PDS. Manifesta-se com hipotensão postural, gastroparesia, enteropatia (constipação ou diarreia), disfunção erétil, bexiga neurogênica e sudorese anormal. No entanto, os sintomas autonômicos não precedem os sensitivos na PDS; eles são uma entidade distinta, embora possam coexistir. A amiotrofia diabética (polirradiculopatia lombossacral) é uma forma incomum, com fraqueza e atrofia musculares proximais, diferente do quadro sensitivo distal do paciente.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir o candidato com características de outras formas de neuropatia diabética (focal, autonômica, amiotrófica) ou com mecanismos fisiopatológicos incorretos, além de sugerir exames diagnósticos inadequados. O aluno deve reconhecer o padrão clássico de PDS e associá-lo ao tratamento correto: controle glicêmico + fármacos sintomáticos.

Neuropatia diabética
  • 1Polineuropatia distal simétrica (PDS)
    • Padrão "bota e luva"
    • Predomínio sensitivo
    • Mecanismo metabólico (axonal)
    • Diagnóstico clínico
    • Tratamento
      • Controle glicêmico rigoroso
      • Sintomático: gabapentinoides, ADT, duloxetina
  • 2Autonômica
    • Hipotensão postural, gastroparesia, bexiga neurogênica
    • Não precede a PDS
  • 3Focal (amiotrofia)
    • Assimétrica, componente motor
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A neuropatia apresentada é predominantemente sensitiva, não motora. O paciente tem formigamento, queimação, dormência, dor lancinante, redução da sensibilidade vibratória e hiporreflexia aquileia, com força preservada — tudo isso aponta para comprometimento sensitivo distal simétrico, típico da PDS. A neuropatia focal diabética (como a mononeuropatia ou amiotrofia) é assimétrica e pode ter componente motor, mas não é o caso. A alternativa erra ao classificar como "predominantemente motora" e "neuropatia focal diabética".

Alternativa B — ❌ Incorreta

O padrão sensitivo distal simétrico sugere mecanismo metabólico, não vasculopático predominante. A hiperglicemia crônica leva a dano axonal por estresse oxidativo, AGEs e disfunção mitocondrial. O achado histológico mais comum é a degeneração axonal, não a desmielinização. A alternativa inverte o mecanismo fisiopatológico e o achado histológico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que o tratamento envolve controle glicêmico rigoroso, sendo a única abordagem comprovadamente eficaz na prevenção e progressão da neuropatia diabética. Além disso, menciona corretamente o uso de gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) e antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) para alívio sintomático da dor neuropática. Esses fármacos são considerados primeira linha no tratamento da dor neuropática diabética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os sintomas autonômicos (hipotensão postural, bexiga neurogênica, gastroparesia) são típicos da neuropatia autonômica diabética, que é uma entidade distinta da PDS. Embora possam coexistir, eles não precedem os sintomas sensitivos na PDS. A alternativa erra ao afirmar que precedem em quase todos os pacientes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O diagnóstico da neuropatia diabética distal é clínico, baseado em anamnese e exame físico. O liquor não é utilizado para confirmar o diagnóstico; a dissociação albuminocitológica é característica de polirradiculopatias inflamatórias (ex.: Guillain-Barré), não da neuropatia diabética. A alternativa sugere um exame inadequado e um mecanismo inflamatório que não é o predominante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com características de outras formas de neuropatia diabética (focal, autonômica, amiotrófica) e com mecanismos fisiopatológicos incorretos. O aluno deve reconhecer o padrão clássico de PDS (sensitivo distal simétrico) e associá-lo ao tratamento correto: controle glicêmico + fármacos sintomáticos. Fique atento: a neuropatia autonômica é uma entidade distinta, não precede a PDS, e o diagnóstico é clínico, não liquor.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de neuropatia diabética, memorize o padrão clássico: sensitivo distal simétrico, em "bota e luva", com parestesias, dormência, queimação, dor lancinante, hipoestesia, hiporreflexia e ataxia proprioceptiva. O tratamento é sempre controle glicêmico + fármacos sintomáticos (gabapentinoides, duloxetina, amitriptilina). Desconfie de alternativas que mencionem mecanismo vasculopático, desmielinização, liquor ou sintomas autonômicos precedentes.

Gabarito: letra C

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