Paciente de 52 anos apresenta fraqueza progressiva há seis meses, com dificuldade para subir escadas e levantar-se de cadeiras. O exame neurológico evidencia fraqueza proximal nos membros inferiores e superiores, sem envolvimento ocular. A eletroneuromiografia mostra padrão miopático e a biópsia muscular revela inflamação endomisial com invasão de fibras musculares por linfócitos T CD8+. Os níveis de creatina quinase (CK) estão elevados.Com relação ao diagnóstico e manejo dessa condição, assinale a alternativa correta.
AO diagnóstico mais provável é distrofia muscular de cinturas, sendo necessário exame genético para confirmação.
BO envolvimento ocular é um achado comum na polimiosite, auxiliando na diferenciação com outras miopatias inflamatórias.
CO tratamento inicial envolve corticosteroides em altas doses, sendo a adição de imunossupressores, como metotrexato ou azatioprina, considerada em casos refratários ou para redução da dose de corticosteroides.
DA biópsia muscular revela depósitos de imunocomplexos na membrana basal e atrofia perifascicular; achados típicos da polimiosite.
EA ausência de autoanticorpos exclui a possibilidade de polimiosite, sendo necessário investigar miopatias metabólicas.
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GabaritoC — O tratamento inicial envolve corticosteroides em altas doses, sendo a adição de imunossupressores, como metotrexato ou azatioprina, considerada em casos refratários ou para redução da dose de corticosteroides.
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Miopatias inflamatórias: polimiosite e diagnóstico diferencial
Gabarito: letra C. O quadro descrito — fraqueza proximal simétrica, CK elevada, padrão miopático na eletroneuromiografia e biópsia com inflamação endomisial e invasão de fibras por linfócitos T CD8+ — é clássico de polimiosite, cujo tratamento inicial é com corticosteroides em altas doses, reservando-se imunossupressores (metotrexato, azatioprina) para casos refratários ou como poupadores de corticoide. As demais alternativas trocam conceitos-chave da doença.
A polimiosite é uma miopatia inflamatória idiopática, de caráter autoimune, que cursa com fraqueza muscular proximal e simétrica, acometendo principalmente a cintura pélvica e escapular. O diagnóstico se apoia na tríade clínica, laboratorial (CK elevada) e eletrofisiológica (padrão miopático), sendo a biópsia muscular o exame confirmatório. O achado histológico típico é a inflamação endomisial com invasão de fibras musculares não necróticas por linfócitos T CD8+, exatamente como descrito no enunciado. Esse padrão contrasta com a dermatomiosite, na qual a inflamação é predominantemente perimisial e perivascular, com atrofia perifascicular e depósitos de complemento (C5b-9) nos capilares — e não imunocomplexos na membrana basal, como afirma a alternativa D.
O tratamento da polimiosite baseia-se na imunossupressão. A primeira linha é a prednisona em altas doses (1 mg/kg/dia), que costuma promover melhora clínica e redução da CK. Quando há resposta inadequada, efeitos colaterais significativos ou necessidade de redução da dose de corticoide, adicionam-se imunossupressores como metotrexato ou azatioprina. Essa é a conduta consagrada na literatura e na prática clínica, e é exatamente o que a alternativa C afirma.
A distinção entre polimiosite e outras miopatias é essencial. A distrofia muscular de cinturas (LGMD) também causa fraqueza proximal, mas tem caráter hereditário, evolução mais lenta e, na biópsia, não apresenta o infiltrado inflamatório invasivo típico da polimiosite — embora possa haver inflamação secundária. O diagnóstico é genético, mas não é o caso do paciente, cuja biópsia é francamente inflamatória. Já a dermatomiosite cursa com rash cutâneo característico (heliótropo, pápulas de Gottron) e, na biópsia, atrofia perifascicular — achado que a alternativa D atribui erroneamente à polimiosite. O envolvimento ocular (ptose, oftalmoparesia) é raro nas miopatias inflamatórias e, quando presente, sugere fortemente miastenia gravis ou distrofia oculofaríngea — não é um achado comum da polimiosite, como afirma a alternativa B.
A alternativa E também incorre em erro ao afirmar que a ausência de autoanticorpos exclui a polimiosite. Embora anticorpos como anti-Jo-1 (síndrome antissintetase) e anti-SRP estejam associados a formas específicas, sua ausência não exclui o diagnóstico, que é essencialmente clínico-histopatológico. Muitos pacientes com polimiosite são soronegativos. A alternativa A, por sua vez, sugere distrofia muscular de cinturas, mas o quadro inflamatório agudo/subagudo com biópsia típica de polimiosite torna esse diagnóstico improvável — o exame genético não é o passo inicial diante de um padrão inflamatório claro.
Guarde a fronteira que separa as alternativas: polimiosite = inflamação endomisial com invasão por CD8+ e tratamento com corticoide em altas doses; dermatomiosite = atrofia perifascicular e rash cutâneo; distrofia de cinturas = doença genética, sem infiltrado inflamatório invasivo. É nesse contraste que a questão se resolve.
Miopatias inflamatórias
1Polimiosite
Fraqueza proximal simétrica
CK elevada
Biópsia: inflamação endomisial com CD8+
Tratamento: corticoide em altas doses
Refratário: imunossupressor (MTX/azatioprina)
2Dermatomiosite
Rash cutâneo (heliótropo, Gottron)
Biópsia: atrofia perifascicular
Depósitos de complemento (C5b-9)
3Distrofia de cinturas (LGMD)
Hereditária
Sem infiltrado inflamatório invasivo
Diagnóstico genético
4Miastenia gravis
Envolvimento ocular (ptose, oftalmoparesia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O diagnóstico mais provável não é distrofia muscular de cinturas. Embora essa distrofia também cause fraqueza proximal, a biópsia com inflamação endomisial e invasão de fibras por linfócitos T CD8+ é o achado patognomônico da polimiosite, não da LGMD. Além disso, a evolução de seis meses com CK elevada e padrão miopático é compatível com miopatia inflamatória. O exame genético seria indicado se houvesse suspeita de distrofia, mas o quadro inflamatório claro direciona para polimiosite.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O envolvimento ocular não é um achado comum na polimiosite. Na verdade, a fraqueza ocular (ptose, oftalmoparesia) é rara nas miopatias inflamatórias e, quando presente, deve levantar suspeita de miastenia gravis ou distrofia oculofaríngea. A polimiosite poupa a musculatura ocular, e o enunciado reforça isso ao afirmar "sem envolvimento ocular". A banca inverte o conhecimento: o envolvimento ocular é um achado que ajuda a excluir polimiosite, não a confirmá-la.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento inicial da polimiosite é com corticosteroides em altas doses (prednisona 1 mg/kg/dia). A adição de imunossupressores como metotrexato ou azatioprina é considerada em casos refratários, na presença de efeitos colaterais do corticoide ou como estratégia para reduzir a dose do corticoide (efeito poupador de esteroide). Essa é a conduta padrão na prática clínica e na literatura, e a alternativa a descreve com precisão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A biópsia descrita — depósitos de imunocomplexos na membrana basal e atrofia perifascicular — é típica da dermatomiosite, não da polimiosite. Na dermatomiosite, há atrofia perifascicular e depósitos de complemento (C5b-9) nos capilares, além de inflamação perimisial. Na polimiosite, o achado é inflamação endomisial com invasão de fibras por linfócitos T CD8+, como no enunciado. A alternativa troca os padrões histológicos das duas doenças.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ausência de autoanticorpos não exclui o diagnóstico de polimiosite. Embora anticorpos como anti-Jo-1 e anti-SRP estejam associados a formas específicas, muitos pacientes são soronegativos, e o diagnóstico é essencialmente clínico-histopatológico. A investigação de miopatias metabólicas seria indicada em quadros com dor episódica, mioglobinúria ou fraqueza desencadeada por exercício — não é o caso do paciente, que tem fraqueza progressiva e biópsia inflamatória típica.