Homem de 67 anos, hipertenso de longa data e sem acompanhamento médico regular, dá entrada no pronto-socorro com déficit motor súbito à esquerda, cefaleia intensa e rebaixamento do nível de consciência. A tomografia computadorizada de crânio, encontra-se a seguir.(https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fj %2Fanp%2Fa%2FrYV49hvG7mV9MP8vRkxNgJg%2F%3Fformat%3Dpdf%2 6lang%3Dpt&psig=AOvVaw3DQEZ8OMFOj6pCJPnASmg6&ust=173998784 1048000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBQQjRxqFwoTCI jd__zlzYsDFQAAAAAdAAAAABAE)Qual das seguintes condutas é a mais apropriada nesse caso?
AAdministração imediata de trombolítico intravenoso para reverter o quadro neurológico.
BControle rigoroso da pressão arterial, visando PAS entre 140-160 mmHg e suporte neurológico intensivo.
CIndicação de anticoagulação com heparina de baixo peso molecular para prevenir trombose venosa profunda.
DIndicação imediata de cirurgia para evacuação do hematoma em todos os pacientes com hemorragia supratentorial.
EUso precoce de antiagregantes plaquetários para reduzir o risco de eventos trombóticos futuros.
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GabaritoB — Controle rigoroso da pressão arterial, visando PAS entre 140-160 mmHg e suporte neurológico intensivo.
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Hemorragia intraparenquimatosa hipertensiva: conduta na emergência
Gabarito: letra B. O quadro clínico — déficit motor súbito à esquerda, cefaleia intensa, rebaixamento do nível de consciência em hipertenso crônico — associado à TC de crânio mostrando sangramento intraparenquimatoso (lesão hiperdensa) fecha o diagnóstico de hemorragia intraparenquimatosa hipertensiva (HIP). Nesse cenário, a conduta mais apropriada é o controle rigoroso da pressão arterial (PAS entre 140–160 mmHg) e suporte neurológico intensivo, pois a HIP é uma contraindicação absoluta à trombólise e o controle pressórico é a medida que reduz a expansão do hematoma e a mortalidade.
A hemorragia intraparenquimatosa (HIP) é um tipo de acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH) que ocorre pela ruptura de pequenos vasos penetrantes, quase sempre em decorrência de hipertensão arterial crônica mal controlada — exatamente o perfil do paciente do enunciado (67 anos, hipertenso de longa data, sem acompanhamento). As localizações mais frequentes são putâmen e globo pálido (35–56%), cápsula interna (46%) e regiões subcorticais (30%). O diagnóstico é confirmado pela TC de crânio sem contraste, que é o padrão-ouro para hemorragia aguda, mostrando lesão hiperdensa. No pronto-socorro, a prioridade é estabilizar o paciente e evitar a expansão do hematoma, que ocorre em cerca de 25% dos casos inicialmente alertas e é a principal causa de deterioração neurológica.
O manejo da HIP aguda tem três pilares: controle pressórico rigoroso, suporte neurológico intensivo (monitorização, prevenção de complicações, avaliação neurocirúrgica se necessário) e medidas de suporte geral (controle glicêmico, prevenção de trombose venosa profunda com métodos mecânicos, profilaxia de convulsões quando indicado). O controle da pressão arterial é a intervenção mais importante nas primeiras horas: a meta é manter a PAS entre 140 e 160 mmHg, pois pressões mais altas aumentam o risco de expansão do hematoma e pressões muito baixas podem comprometer a perfusão cerebral. A anticoagulação e os antiagregantes plaquetários são contraindicados na fase aguda da hemorragia, pois aumentam o sangramento. A cirurgia de evacuação é reservada para casos selecionados (hematomas cerebelares > 3 cm, hidrocefalia obstrutiva, deterioração neurológica), não sendo indicada para todos os pacientes com hemorragia supratentorial.
A grande pegadinha desta questão é a tentação de tratar o caso como um AVC isquêmico e administrar trombolítico. O trombolítico intravenoso (alteplase) é a conduta de escolha no AVC isquêmico agudo, mas é absolutamente contraindicado na hemorragia intracraniana, pois agravaria o sangramento. A distinção entre AVC isquêmico e hemorrágico é feita pela neuroimagem — e a TC do enunciado mostra claramente a hemorragia. Outra armadilha é a anticoagulação com heparina de baixo peso molecular para prevenção de TVP: embora a profilaxia de TVP seja importante, na fase aguda da HIP deve-se preferir métodos mecânicos (compressão pneumática intermitente), reservando a heparina para após 48–72 horas, quando o risco de expansão do hematoma diminui. A alternativa que menciona cirurgia para todos os pacientes com hemorragia supratentorial também está errada, pois a indicação cirúrgica é seletiva. Por fim, o uso precoce de antiagregantes plaquetários é contraindicado na fase aguda da hemorragia, pois aumenta o risco de ressangramento.
Guarde a fronteira que decide esta questão: hemorragia = contraindicação absoluta à trombólise e à anticoagulação; a conduta é controle pressórico rigoroso + suporte intensivo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A administração de trombolítico intravenoso (alteplase) é a conduta de escolha no AVC isquêmico agudo, não na hemorragia. Na HIP, a trombólise é absolutamente contraindicada, pois o trombolítico lisa o coágulo que está contendo o sangramento, aumentando a expansão do hematoma e a mortalidade. O enunciado deixa claro que se trata de hemorragia (TC com lesão hiperdensa), portanto a trombólise seria um erro grave.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O controle rigoroso da pressão arterial, visando PAS entre 140–160 mmHg, é a conduta mais apropriada na HIP aguda. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para expansão do hematoma, e o controle pressórico reduz essa complicação. O suporte neurológico intensivo (monitorização em UTI, avaliação neurocirúrgica, prevenção de complicações) é essencial para o manejo adequado. Esta alternativa contempla os dois pilares do tratamento da HIP: controle pressórico e suporte intensivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A anticoagulação com heparina de baixo peso molecular (HBPM) para prevenção de trombose venosa profunda (TVP) é uma medida importante, mas não deve ser iniciada precocemente na fase aguda da HIP. A anticoagulação aumenta o risco de expansão do hematoma. A profilaxia de TVP na fase aguda deve ser feita com métodos mecânicos (compressão pneumática intermitente), e a HBPM pode ser iniciada após 48–72 horas, quando o risco de sangramento diminui. Além disso, a alternativa não aborda o controle pressórico, que é a prioridade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cirurgia para evacuação do hematoma não é indicada para todos os pacientes com hemorragia supratentorial. A indicação cirúrgica é seletiva, reservada para casos específicos: hematomas cerebelares com diâmetro > 3 cm, hidrocefalia obstrutiva, deterioração neurológica progressiva ou hematomas lobares superficiais com efeito de massa significativo. A maioria dos pacientes com hemorragia supratentorial é tratada clinicamente, com controle pressórico e suporte intensivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso precoce de antiagregantes plaquetários (como AAS) é contraindicado na fase aguda da hemorragia intracraniana, pois aumenta o risco de ressangramento e expansão do hematoma. Os antiagregantes são indicados para prevenção secundária de eventos trombóticos (AVC isquêmico, doença arterial coronariana), mas não na fase aguda da HIP. Se o paciente já usava antiagregantes, pode ser necessário reverter o efeito, mas não se deve iniciar o uso precocemente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre AVC isquêmico e hemorrágico. O candidato que lê "déficit motor súbito" e pensa em trombólise cai na alternativa A. Mas a TC mostra hemorragia, e a trombólise é contraindicada. Outra armadilha é a profilaxia de TVP com HBPM: embora seja importante, na fase aguda da HIP deve-se usar métodos mecânicos, não anticoagulantes. Fique atento: hemorragia = contraindicação absoluta à trombólise e à anticoagulação.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com um caso de AVC, o primeiro passo é diferenciar isquêmico de hemorrágico pela neuroimagem. Se for hemorrágico, elimine imediatamente as alternativas que mencionam trombolítico, anticoagulante ou antiagregante. A conduta correta será sempre controle pressórico rigoroso + suporte intensivo. Memorize a meta de PAS entre 140–160 mmHg na HIP aguda.