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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu093144
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neurologia
Paciente de 45 anos, previamente hígido, apresenta há 7 dias quadro progressivo de fraqueza em membros inferiores, evoluindo para os membros superiores. Relata parestesias nos pés e dificuldade para caminhar. Ao exame físico, observa-se arreflexia generalizada, fraqueza muscular proximal e distal, além de sinais de disfunção autonômica, como episódios de hipertensão e taquicardia. O LCR revela dissociação albuminocitológica.Diante desse quadro clínico, assinale a alternativa correta sobre o manejo dessa condição.
  1. AO tratamento com corticoides é a primeira linha de escolha, pois reduz significativamente o tempo de recuperação.
  2. BA plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa (IVIg) são terapias eficazes, devendo ser iniciadas precocemente em casos moderados a graves.
  3. CA análise do LCR tipicamente demonstra pleocitose intensa e aumento da proteína, auxiliando no diagnóstico diferencial com meningites virais.
  4. DA fraqueza muscular na SGB progride de forma assimétrica, frequentemente poupando os membros inferiores e afetando inicialmente os membros superiores.
  5. EA biópsia do nervo é essencial para a confirmação diagnóstica e deve ser realizada em todos os casos suspeitos antes do início do tratamento.
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GabaritoB — A plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa (IVIg) são terapias eficazes, devendo ser iniciadas precocemente em casos moderados a graves.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Guillain-Barré: manejo e tratamento

Gabarito: letra B. Na síndrome de Guillain-Barré (SGB), a plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa (IVIg) são terapias eficazes e devem ser iniciadas precocemente em casos moderados a graves, idealmente em até 2 semanas do início dos sintomas. O uso de corticoides não se mostrou vantajoso, podendo até retardar a melhora. O diagnóstico é clínico, com apoio do LCR (dissociação albuminocitológica) e eletroneuromiografia, sendo a biópsia de nervo desnecessária na maioria dos casos.

A SGB é uma polirradiculoneuropatia aguda, de natureza autoimune, que se manifesta classicamente com fraqueza muscular progressiva e ascendente, arreflexia e parestesias, podendo cursar com disfunção autonômica. O quadro clínico descrito — fraqueza ascendente, arreflexia, parestesias e disautonomia — é típico. O LCR mostra dissociação albuminocitológica, ou seja, aumento de proteínas sem pleocitose significativa, o que ajuda a diferenciar de meningites virais, que cursam com pleocitose.

O tratamento modificador da doença é composto por plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa. A combinação das duas terapias não se mostrou mais eficaz do que uma delas isoladamente. A escolha entre elas depende da disponibilidade local do serviço de saúde: a plasmaférese requer cateter de hemodiálise e equipe treinada, enquanto a imunoglobulina tem alto custo. O início precoce, idealmente em até 2 semanas do início dos sintomas, melhora a chance de resposta, com diminuição de até 50% do tempo de recuperação e menor chance de sequela motora.

Os corticoides não são recomendados no tratamento da SGB, pois não trazem benefício e podem retardar a melhora. A dor neuropática é comum e pode ser tratada com opioides que agem em receptores NMDA, como tramadol e metadona, além de adjuvantes como gabapentina, pregabalina, carbamazepina e inibidores duais de recaptação de noradrenalina e serotonina.

O prognóstico é variável, com mortalidade em torno de 5%, principalmente por complicações respiratórias, disautonomia e infecções. Cerca de 20% dos pacientes severamente acometidos não conseguem andar após 6 meses. Fatores associados a pior desfecho incluem idade avançada e quadro diarreico prévio.

A avaliação da força muscular é feita pela escala do Medical Research Council (MRC), que varia de 0 a 5 em cada grupo muscular, totalizando até 60 pontos. A fraqueza na SGB é tipicamente simétrica e ascendente, afetando inicialmente os membros inferiores e progredindo para os superiores, com acometimento distal mais proeminente que o proximal.

O diagnóstico diferencial inclui outras neuropatias periféricas, miastenia gravis, doenças da placa neuromuscular e miopatias. A diferenciação entre SGB e polineuropatia do doente crítico (PDC) pode ser feita pela história clínica: a PDC surge após internação prolongada e ventilação mecânica, enquanto a SGB é suspeita em caso de infecção recente, dor muscular e acometimento facial.

Guarde a fronteira entre o tratamento eficaz (plasmaférese e IVIg) e o ineficaz (corticoides): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Diagnóstico
Clínico (fraqueza ascendente simétrica + arreflexia)
LCR: dissociação albuminocitológica
Eletroneuromiografia
2Tratamento eficaz
Plasmaférese
Imunoglobulina IV
Início precoce (até 2 semanas)
3Tratamento ineficaz
Corticoides (podem retardar melhora)
4Diagnóstico diferencial
Meningite viral (pleocitose)
Polineuropatia do doente crítico
Síndrome de Guillain-Barré
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Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico (Clínico (fraqueza ascendente simétrica + arreflexia), LCR: dissociação albuminocitológica, Eletroneuromiografia); Tratamento eficaz (Plasmaférese, Imunoglobulina IV, Início precoce (até 2 semanas)); Tratamento ineficaz (Corticoides (podem retardar melhora)); Diagnóstico diferencial (Meningite viral (pleocitose), Polineuropatia do doente crítico)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tratamento com corticoides não é a primeira linha de escolha na SGB. Estudos demonstraram que os corticoides não trazem benefício e podem até retardar a melhora dos pacientes. A alternativa inverte o papel da terapia: enquanto a plasmaférese e a IVIg são eficazes, os corticoides são contraindicados.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa (IVIg) são as terapias modificadoras de doença eficazes na SGB. Devem ser iniciadas precocemente, idealmente em até 2 semanas do início dos sintomas, em casos moderados a graves. A combinação das duas não é superior ao uso isolado, e a escolha depende da disponibilidade local.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A análise do LCR na SGB demonstra dissociação albuminocitológica, ou seja, aumento de proteínas sem pleocitose significativa. A alternativa afirma o oposto, descrevendo pleocitose intensa, o que é característico de meningites virais, não da SGB. Essa distinção é fundamental para o diagnóstico diferencial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fraqueza muscular na SGB progride de forma simétrica e ascendente, afetando inicialmente os membros inferiores e evoluindo para os superiores. A alternativa descreve progressão assimétrica, poupando membros inferiores e afetando primeiro os superiores, o que contraria o padrão clássico da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A biópsia do nervo não é essencial para a confirmação diagnóstica da SGB. O diagnóstico é clínico, apoiado por LCR (dissociação albuminocitológica) e eletroneuromiografia. A biópsia de nervo é reservada para casos selecionados em centros especializados, não sendo realizada em todos os casos suspeitos antes do início do tratamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento eficaz (plasmaférese e IVIg) e o ineficaz (corticoides). Na SGB, ao contrário de muitas doenças autoimunes, os corticoides não são a primeira linha e podem até piorar o prognóstico. Lembre-se: a tríade "plasmaférese + IVIg + início precoce" é a chave do manejo.

NÃO CAIA NESSA!

Para fixar o diagnóstico, memorize a tríade clássica: fraqueza ascendente simétrica + arreflexia + dissociação albuminocitológica no LCR. Se a alternativa trouxer "pleocitose" ou "assimetria", está errada. E nunca associe corticoides ao tratamento da SGB — essa é a pegadinha mais recorrente.

Gabarito: letra B

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