Paciente de 76 anos, previamente independente para atividades da vida diária, passou a apresentar progressiva dificuldade de memória recente, desorientação espacial e alterações comportamentais nos últimos dois anos. O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) revelou pontuação de 18/30, indicando déficits significativos em funções cognitivas compatíveis com demência moderada. A análise dos domínios cognitivos avaliados pelo MEEM mostrou orientação temporal e espacial comprometidas, atenção e cálculo prejudicados, memória recente alterada, com falha na recordação de palavras previamente apresentadas e linguagem e praxia preservadas em parte, mas com indícios de dificuldades na repetição e comando de múltiplas etapas. Após exames complementares, foi diagnosticado com Doença de Alzheimer.Em relação ao manejo farmacológico dessa condição, assinale a alternativa correta.
AO uso de rivastigmina ou donepezil pode proporcionar uma melhora cognitiva discreta e retardar a progressão funcional da doença.
BA memantina é recomendada para os estágios iniciais da doença, pois melhora significativamente a função cognitiva e reverte déficits de memória.
CAntipsicóticos, como risperidona e olanzapina, são indicados como primeira linha para todos os pacientes com Alzheimer, independentemente da presença de sintomas comportamentais.
DO uso de inibidores da acetilcolinesterase deve ser suspenso precocemente devido à sua baixa eficácia e alto risco de efeitos adversos.
EA imunoterapia com anticorpos monoclonais já demonstrou reversão completa da patologia, e é o tratamento padrão para Alzheimer.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — O uso de rivastigmina ou donepezil pode proporcionar uma melhora cognitiva discreta e retardar a progressão funcional da doença.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo farmacológico da Doença de Alzheimer
Gabarito: letra A. Na Doença de Alzheimer (DA), os inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina e galantamina) são a base do tratamento sintomático nas fases leve a moderada, proporcionando melhora cognitiva discreta e retardando a progressão funcional, conforme diretrizes e literatura médica. As demais alternativas contêm erros conceituais graves sobre a indicação e os efeitos desses fármacos.
A DA é a causa mais comum de demência, caracterizada por perda progressiva de neurônios corticais, placas amiloides e emaranhados neurofibrilares. O processo começa no hipocampo e córtex entorrinal, espalhando-se para áreas de associação. A deficiência relativa de acetilcolina cortical, resultante da perda de neurônios no núcleo basal de Meynert, fornece a base racional para o tratamento com inibidores da acetilcolinesterase. Esses fármacos aumentam a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, melhorando a neurotransmissão colinérgica e, consequentemente, os sintomas cognitivos.
O tratamento atual da DA não é curativo nem modifica a história natural da doença. Os medicamentos disponíveis são sintomáticos e produzem benefício modesto, geralmente inferior a 4 pontos na escala ADAS-cog (que vai até 70 pontos) após 6 meses de uso. A melhora média é pequena, mas clinicamente relevante em parte dos pacientes, justificando a manutenção do tratamento naqueles que respondem. Menos de 50% dos pacientes apresentam melhora significativa na impressão clínica com input do cuidador, a ponto de justificar a manutenção do tratamento.
A escolha do fármaco depende do estágio da doença. Os inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) são indicados para DA leve a moderada. A memantina, um antagonista glutamatérgico, é indicada para DA moderada a grave, podendo ser usada em monoterapia ou combinada aos anticolinesterásicos. O paciente do enunciado tem MEEM 18/30, compatível com demência moderada, sendo elegível para tratamento com inibidor da acetilcolinesterase, como donepezila ou rivastigmina.
A banca explora a confusão entre os papéis dos diferentes fármacos e a expectativa irreal de reversão da doença. É fundamental saber que: (1) os anticolinesterásicos melhoram discretamente a cognição e retardam a progressão funcional; (2) a memantina é para fases moderada a grave, não para estágios iniciais; (3) antipsicóticos são reservados para sintomas comportamentais graves, não são primeira linha para todos; (4) os anticolinesterásicos não devem ser suspensos precocemente, pois têm eficácia comprovada; (5) a imunoterapia com anticorpos monoclonais ainda não é tratamento padrão e não reverte a patologia.
Tratamento farmacológico da DA: Inibidores da acetilcolinesterase (DA leve a moderada, Melhora cognitiva discreta, Retarda progressão funcional, Donepezila, rivastigmina, galantamina); Memantina (DA moderada a grave, Antagonista glutamatérgico, Monoterapia ou combinada); Antipsicóticos (Não são primeira linha, Reservados p/ sintomas graves); Imunoterapia (Não reverte patologia, Não é padrão)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. A rivastigmina e o donepezil são inibidores da acetilcolinesterase, indicados para DA leve a moderada. Eles proporcionam melhora cognitiva discreta e retardam a progressão funcional da doença, conforme descrito na literatura. O benefício é modesto, mas real, e justifica o uso na prática clínica. O paciente do caso, com MEEM 18/30 (demência moderada), é elegível para esse tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A memantina é um antagonista glutamatérgico indicado para DA moderada a grave, não para estágios iniciais. Além disso, não melhora significativamente a função cognitiva nem reverte déficits de memória — seu benefício é modesto e sintomático, sem capacidade de reversão. A alternativa inverte a indicação do fármaco e superestima seus efeitos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Antipsicóticos como risperidona e olanzapina não são indicados como primeira linha para todos os pacientes com Alzheimer. São reservados para o manejo de sintomas comportamentais e psicológicos graves (agitação, psicose) que não respondem a medidas não farmacológicas, e seu uso deve ser criterioso devido ao risco aumentado de eventos adversos, incluindo mortalidade em idosos. A alternativa generaliza indevidamente a indicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os inibidores da acetilcolinesterase não devem ser suspensos precocemente. Embora o benefício seja modesto, eles têm eficácia comprovada em melhorar ou estabilizar os sintomas cognitivos e funcionais. A suspensão precoce privaria o paciente de um tratamento que pode retardar a progressão. A alternativa contradiz a prática clínica baseada em evidências.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A imunoterapia com anticorpos monoclonais (como aducanumab e lecanemab) não demonstrou reversão completa da patologia e não é o tratamento padrão para Alzheimer. Esses fármacos estão em investigação, com benefícios modestos e riscos significativos (como edema cerebral e micro-hemorragias). A alternativa superestima os efeitos e a indicação dessa terapia.