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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu093147
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Neurologia
A hipertensão intracraniana pode ter diversas etiologias, incluindo tumores cerebrais, hemorragias, distúrbios do líquido cerebrospinal e edema cerebral.Em relação ao manejo inicial da HIC, assinale a alternativa correta.
  1. AA hiperventilação profilática deve ser instituída de forma rotineira para reduzir a pressão intracraniana a longo prazo.
  2. BA monitoração da pressão intracraniana (PIC) está indicada em todos os pacientes com rebaixamento do nível de consciência.
  3. CA elevação da cabeceira do leito em 30 graus e a manutenção de uma normocapnia são medidas iniciais recomendadas para controle da PIC.
  4. DO uso de soluções hipotônicas, como soro glicosado, é preferível para manter a perfusão cerebral nesses pacientes.
  5. EA craniectomia descompressiva está indicada para todos os casos de hipertensão intracraniana refratária.
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GabaritoC — A elevação da cabeceira do leito em 30 graus e a manutenção de uma normocapnia são medidas iniciais recomendadas para controle da PIC.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão intracraniana: manejo inicial

Gabarito: letra C. A elevação da cabeceira do leito em 30 graus e a manutenção da normocapnia são medidas iniciais recomendadas para o controle da pressão intracraniana (PIC), pois otimizam a drenagem venosa cerebral e evitam a vasodilatação cerebral secundária à hipercapnia. As demais alternativas apresentam condutas incorretas ou com indicações restritas, como a hiperventilação profilática, que é prejudicial a longo prazo.

A hipertensão intracraniana (HIC) é definida como a elevação sustentada da PIC acima de 22 mmHg por mais de 5 minutos. A pressão de perfusão cerebral (PPC) é calculada pela fórmula PPC = PAM − PIC, e valores aceitáveis giram em torno de 70 mmHg. Quando a PIC aumenta sem elevação correspondente da pressão arterial média (PAM), a PPC cai, comprometendo a perfusão cerebral e podendo levar a dano encefálico irreversível. O manejo inicial visa, portanto, reduzir a PIC e manter a PPC adequada, evitando lesões secundárias.

As medidas iniciais de suporte incluem a elevação da cabeceira do leito em 30 graus, que melhora o retorno venoso cerebral e reduz o volume sanguíneo intracraniano. A normocapnia (PaCO2 entre 35 e 40 mmHg) é fundamental, pois a hipercapnia causa vasodilatação cerebral e aumento da PIC, enquanto a hipocapnia excessiva (PaCO2 < 30 mmHg) pode causar vasoconstrição cerebral e isquemia. Por isso, a hiperventilação deve ser reservada como medida de resgate em casos de herniação cerebral iminente, e não como terapia profilática de rotina.

Outras medidas iniciais incluem sedação e analgesia adequadas, controle da temperatura (normotermia), controle glicêmico e controle da pressão arterial. O uso de soluções hipotônicas, como soro glicosado, é contraindicado, pois pode piorar o edema cerebral. Em vez disso, utilizam-se agentes osmóticos como manitol ou solução salina hipertônica para reduzir a PIC em situações de emergência. A monitorização invasiva da PIC não é indicada para todos os pacientes com rebaixamento do nível de consciência, mas sim para aqueles com HIC confirmada ou em risco iminente de desenvolvê-la, como em trauma cranioencefálico grave. A craniectomia descompressiva é uma opção terapêutica para casos selecionados de HIC refratária, como infartos cerebrais malignos ou hematomas com efeito de massa, e não para todos os casos.

A banca explora a confusão entre medidas de suporte inicial e terapias de resgate. A alternativa C descreve corretamente as medidas iniciais, enquanto as demais apresentam condutas que ou são prejudiciais (hiperventilação profilática, soluções hipotônicas) ou têm indicações restritas (monitorização da PIC, craniectomia).

Manejo inicial da HIC
  • 1Medidas de suporte
    • Cabeceira a 30°
    • Normocapnia (PaCO2 35–40)
    • Sedação e analgesia
    • Normotermia e controle glicêmico
  • 2Medidas de resgate
    • Hiperventilação (herniação iminente)
    • Manitol ou salina hipertônica
    • Craniectomia descompressiva (casos selecionados)
  • 3Contraindicações
    • Soluções hipotônicas (soro glicosado)
    • Hiperventilação profilática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hiperventilação profilática não deve ser instituída de forma rotineira. A hiperventilação reduz a PIC ao causar hipocapnia e vasoconstrição cerebral, mas o uso prolongado pode levar a isquemia cerebral. Ela é indicada apenas como medida de resgate temporária em casos de herniação cerebral iminente, e não como terapia de manutenção a longo prazo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A monitoração da PIC não está indicada em todos os pacientes com rebaixamento do nível de consciência. Ela é recomendada para pacientes com HIC confirmada ou em risco de desenvolvê-la, como aqueles com trauma cranioencefálico grave (Glasgow ≤ 8) ou com lesões que cursam com edema cerebral significativo. Em outras situações, como na HIC por neoplasia, a monitorização invasiva não é rotineiramente indicada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A elevação da cabeceira do leito em 30 graus e a manutenção da normocapnia são medidas iniciais recomendadas para o controle da PIC. A elevação da cabeceira melhora a drenagem venosa cerebral, reduzindo o volume sanguíneo intracraniano. A normocapnia evita tanto a vasodilatação cerebral (hipercapnia) quanto a vasoconstrição excessiva (hipocapnia), mantendo o fluxo sanguíneo cerebral adequado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de soluções hipotônicas, como soro glicosado, é contraindicado em pacientes com HIC, pois pode piorar o edema cerebral ao reduzir a osmolaridade plasmática e favorecer a entrada de água no parênquima cerebral. Em vez disso, utilizam-se soluções hipertônicas (como NaCl 3% ou manitol) para reduzir a PIC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A craniectomia descompressiva não está indicada para todos os casos de HIC refratária. Ela é uma opção terapêutica para casos selecionados, como infartos cerebrais malignos (síndrome da artéria cerebral média maligna) ou hematomas com efeito de massa significativo, especialmente em pacientes jovens. A decisão deve considerar a idade, o prognóstico e a percepção da família sobre o risco de sequelas graves.

Gabarito: letra C

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