O topiramato, medicamento usado no tratamento de enxaqueca e também como anticonvulsivante, tem como principais efeitos colaterais oculares:
Amiopia aguda e aumento súbito da PIO.
Bceratopatia verticilata e depósitos na cápsula anterior do cristalino.
Cedema corneano e catarata subcapsular posterior.
Díris bombé e uveíte anterior.
Emaculopatia tóxica e neurite óptica.
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GabaritoA — miopia aguda e aumento súbito da PIO.
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Efeitos colaterais oculares do topiramato
Gabarito: letra A. O topiramato, anticonvulsivante também usado na profilaxia da enxaqueca, pode causar como efeitos colaterais oculares a miopia aguda e o aumento súbito da pressão intraocular (PIO), geralmente associados a um quadro de glaucoma agudo de ângulo fechado bilateral. Essa é uma reação adversa bem documentada na literatura oftalmológica e farmacológica, e é exatamente o que a alternativa A descreve.
O topiramato é um fármaco com múltiplos mecanismos de ação, incluindo o bloqueio de canais de sódio, a potencialização GABAérgica e a inibição da anidrase carbônica. É justamente essa última ação que se relaciona com os efeitos colaterais oculares. A inibição da anidrase carbônica no corpo ciliar leva a uma série de alterações que culminam em um quadro peculiar: o cristalino e o corpo ciliar sofrem edema, o que desloca o complexo íris-cristalino anteriormente, estreitando ou fechando o ângulo da câmara anterior. Isso resulta em duas manifestações clínicas principais: a miopia aguda (por aumento do poder dióptrico do cristalino) e o aumento súbito da PIO (por bloqueio do fluxo do humor aquoso). O quadro costuma ser bilateral, de início agudo, e pode ocorrer em dias ou semanas após o início do tratamento, sendo reversível com a suspensão da medicação e tratamento clínico adequado.
É importante distinguir esse mecanismo do glaucoma primário de ângulo fechado, que ocorre em olhos com anatomia predisponente. No caso do topiramato, o mecanismo é diferente: não é uma predisposição anatômica, mas sim o edema do corpo ciliar e do cristalino que provoca o fechamento angular secundário. Por isso, o quadro pode ocorrer em pacientes sem fatores de risco anatômicos prévios. O tratamento envolve a suspensão do fármaco, uso de hipotensores oculares, cicloplégicos e, em casos refratários, pode ser necessária a iridotomia a laser, embora a simples suspensão da droga geralmente resolva o quadro.
A banca explora aqui a associação direta entre o mecanismo de ação do fármaco (inibição da anidrase carbônica) e seus efeitos colaterais oculares. O candidato que conhece os efeitos adversos clássicos do topiramato — miopia aguda e glaucoma agudo de ângulo fechado — acerta a questão. As demais alternativas trazem efeitos colaterais oculares de outras classes de medicamentos ou condições oftalmológicas que não se relacionam com o topiramato. Vamos analisar cada uma.
Efeito colateral ocular
Topiramato (gabarito)
Amiodarona/Cloroquina
Corticosteroides
Análogos de prostaglandinas
Etambutol/Tamoxifeno
Miopia aguda e aumento súbito da PIO
✅ (inibição da anidrase carbônica → edema do corpo ciliar/cristalino)
❌
❌
❌
❌
Ceratopatia verticilata e depósitos na cápsula anterior do cristalino
❌
✅ (amiodarona, cloroquina/hidroxicloroquina; mióticos/sais de ouro)
Topiramato — efeitos oculares: Mecanismo (Inibição da anidrase carbônica, Edema do corpo ciliar e cristalino, Fechamento angular secundário); Manifestações (Miopia aguda, Aumento súbito da PIO); Tratamento (Suspensão do fármaco, Hipotensores oculares, Cicloplégicos)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão os principais efeitos colaterais oculares do topiramato: miopia aguda e aumento súbito da PIO. O mecanismo, como explicado, envolve a inibição da anidrase carbônica, que leva a edema do corpo ciliar e do cristalino, deslocamento anterior do complexo íris-cristalino, estreitamento do ângulo e consequente aumento da pressão intraocular. A miopia aguda ocorre pelo aumento do poder refrativo do cristalino edemaciado. Esse é um quadro clássico, bem documentado, e a alternativa está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa menciona ceratopatia verticilata e depósitos na cápsula anterior do cristalino. A ceratopatia verticilata (ou cornea verticillata) é um efeito colateral típico de fármacos que se acumulam nos lisossomas das células epiteliais da córnea, como a amiodarona, a cloroquina e a hidroxicloroquina. Já os depósitos na cápsula anterior do cristalino são característicos do uso de mióticos (como a pilocarpina) ou de sais de ouro. Nenhum desses efeitos é descrito para o topiramato. A banca troca os efeitos colaterais de outras drogas pelos do topiramato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa cita edema corneano e catarata subcapsular posterior. O edema corneano pode ocorrer em diversas condições, como distrofias endoteliais ou aumento agudo da PIO, mas não é um efeito colateral clássico e específico do topiramato. A catarata subcapsular posterior é um efeito colateral bem conhecido do uso crônico de corticosteroides, não do topiramato. A banca associa aqui efeitos oculares de outras drogas ou condições ao topiramato, o que torna a alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa menciona íris bombé e uveíte anterior. A íris bombé é uma complicação de uveítes anteriores crônicas, com formação de sinéquias posteriores que bloqueiam o fluxo do humor aquoso. A uveíte anterior pode ser idiopática ou associada a doenças sistêmicas (como espondiloartropatias) ou a certos medicamentos (como os análogos de prostaglandinas, que podem causar uveíte e edema macular cistoide). Não é um efeito colateral descrito para o topiramato. A banca troca os efeitos de outras drogas ou condições pelo efeito do topiramato.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa cita maculopatia tóxica e neurite óptica. A maculopatia tóxica é um efeito colateral clássico do uso crônico de hidroxicloroquina/cloroquina (maculopatia em olho de boi) e da tamoxifeno. A neurite óptica pode ser causada por diversos fármacos, como o etambutol (usado no tratamento da tuberculose), a amiodarona e o linezolida. Nenhum desses efeitos é descrito para o topiramato. A banca, novamente, associa efeitos colaterais de outras drogas ao topiramato, tornando a alternativa incorreta.
Gabarito: letra A — miopia aguda e aumento súbito da PIO são os efeitos colaterais oculares clássicos do topiramato, mediados pela inibição da anidrase carbônica e consequente edema do corpo ciliar e do cristalino.