Com relação às complicações da quimioterapia em pacientes cirúrgicos, assinale a alternativa correta.
AA neutropenia febril é rara em esquemas com antraciclinas.
BO uso de fator estimulador de colônia de granulócitos profilático reduz risco de complicações infecciosas.
CA toxicidade mucosa não interfere na decisão de ressecabilidade.
DNão há contraindicação cirúrgica em pacientes com leucopenia.
EA quimioterapia não interfere na cicatrização de feridas operatórias.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O uso de fator estimulador de colônia de granulócitos profilático reduz risco de complicações infecciosas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Complicações da quimioterapia em pacientes cirúrgicos
Gabarito: letra B. O uso profilático de fator estimulador de colônia de granulócitos (G-CSF) é uma medida reconhecida para reduzir o risco de complicações infecciosas, especialmente neutropenia febril, em pacientes submetidos a quimioterapia mielotóxica. As demais alternativas apresentam afirmações incorretas sobre as complicações da quimioterapia, como a falsa ideia de que a neutropenia febril é rara com antraciclinas ou que a toxicidade mucosa não influencia a decisão cirúrgica.
A quimioterapia citotóxica, ao atacar células de rápida divisão, afeta diretamente a medula óssea, levando à mielossupressão. Isso resulta em neutropenia (diminuição dos neutrófilos), que é o principal fator de risco para infecções graves. A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela presença de febre (temperatura oral ≥ 38,3°C em uma única medida ou ≥ 38,0°C sustentada por uma hora) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos < 500 células/µL ou com expectativa de queda abaixo desse valor nas próximas 48 horas. Essa condição é particularmente comum com esquemas que contêm antraciclinas (como doxorrubicina e epirrubicina), que são drogas altamente mielotóxicas, contrariando a alternativa A.
A profilaxia com G-CSF é indicada para pacientes com alto risco de neutropenia febril, definido por fatores como idade avançada, doença avançada, histórico de neutropenia febril em ciclos anteriores, quimioterapia de alta intensidade ou presença de comorbidades. O G-CSF estimula a produção de neutrófilos pela medula óssea, encurtando o período de neutropenia e, consequentemente, reduzindo a incidência de infecções e complicações infecciosas. As diretrizes da ASCO (American Society of Clinical Oncology) recomendam o uso profilático de G-CSF quando o risco de neutropenia febril é ≥ 20%, o que é o caso de muitos esquemas com antraciclinas, como o AC-T dose-densa. Essa é a base da alternativa B, que está correta.
A toxicidade mucosa (mucosite) é uma complicação frequente da quimioterapia, caracterizada por inflamação e ulceração da mucosa oral e gastrointestinal. A mucosite grave pode causar dor intensa, disfagia, desnutrição e, mais importante, aumentar o risco de infecções sistêmicas, pois a barreira mucosa fica comprometida, permitindo a translocação bacteriana. Em pacientes cirúrgicos, a mucosite grave pode atrasar a cirurgia, pois a cicatrização de anastomoses pode ser prejudicada, e o risco de infecção pós-operatória aumenta. Portanto, a toxicidade mucosa interfere sim na decisão de ressecabilidade, contrariando a alternativa C.
A leucopenia (diminuição dos leucócitos, incluindo neutrófilos) é uma contraindicação relativa para cirurgia eletiva. Operar um paciente com leucopenia grave aumenta o risco de infecção do sítio cirúrgico, sepse e má cicatrização. A decisão de operar deve ser individualizada, considerando a urgência do procedimento, o grau de leucopenia e a capacidade de suporte hematológico. Em geral, a cirurgia é adiada até a recuperação da contagem de neutrófilos, a menos que seja uma emergência. A alternativa D, que afirma não haver contraindicação, está incorreta.
A quimioterapia interfere na cicatrização de feridas operatórias. Drogas citotóxicas inibem a proliferação celular, incluindo fibroblastos e células endoteliais, que são essenciais para a formação de tecido de granulação e angiogênese. Além disso, a neutropenia e a imunossupressão aumentam o risco de infecção da ferida. O momento ideal para a cirurgia em relação à quimioterapia é uma questão complexa, geralmente aguardando a recuperação da medula óssea (contagem de neutrófilos adequada) e a resolução dos efeitos tóxicos agudos. A alternativa E, que nega essa interferência, está incorreta.
A pegadinha central desta questão é a banca apresentar afirmações que parecem plausíveis, mas que contrariam o conhecimento consolidado sobre as complicações da quimioterapia. O candidato que não domina o tema pode ser levado a acreditar que a neutropenia febril é rara ou que a quimioterapia não afeta a cicatrização, quando na verdade são complicações bem documentadas e que exigem manejo cuidadoso. A alternativa B é a única que reflete uma conduta baseada em evidências e diretrizes.
Complicações da quimioterapia: Neutropenia febril (Emergência oncológica, Comum com antraciclinas, Não é rara); Profilaxia com G-CSF (Reduz complicações infecciosas, Risco ≥ 20% (ASCO)); Toxicidade mucosa (Interfere na ressecabilidade, Risco de translocação bacteriana); Leucopenia (Contraindicação relativa à cirurgia, Adiar até recuperação medular); Cicatrização (Quimioterapia interfere, Inibe fibroblastos e angiogênese)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A neutropenia febril não é rara em esquemas com antraciclinas; pelo contrário, é uma complicação frequente e esperada, pois as antraciclinas (doxorrubicina, epirrubicina) são drogas altamente mielotóxicas. O risco de neutropenia febril com esses esquemas é significativo, frequentemente acima de 20%, o que justifica inclusive o uso profilático de G-CSF. A afirmação inverte a realidade clínica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso profilático de fator estimulador de colônia de granulócitos (G-CSF) é uma estratégia comprovada para reduzir o risco de complicações infecciosas, principalmente neutropenia febril, em pacientes submetidos a quimioterapia mielotóxica. As diretrizes da ASCO recomendam a profilaxia primária com G-CSF quando o risco de neutropenia febril é ≥ 20%, o que se aplica a muitos esquemas com antraciclinas e outros agentes mielotóxicos. O G-CSF encurta a duração da neutropenia, diminuindo a janela de vulnerabilidade a infecções.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A toxicidade mucosa (mucosite) interfere diretamente na decisão de ressecabilidade. A mucosite grave compromete a barreira mucosa, aumentando o risco de translocação bacteriana e infecção sistêmica. Além disso, a mucosite pode prejudicar a cicatrização de anastomoses e aumentar o risco de complicações pós-operatórias. Portanto, a presença de mucosite grave pode contraindicar ou adiar uma cirurgia eletiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A leucopenia é uma contraindicação relativa para cirurgia. Pacientes com leucopenia grave (especialmente neutropenia) têm risco aumentado de infecção do sítio cirúrgico, sepse e deiscência de anastomose. A cirurgia eletiva deve ser adiada até a recuperação da contagem de neutrófilos (geralmente > 1.500/µL). Apenas cirurgias de emergência podem ser realizadas, com suporte hematológico adequado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A quimioterapia interfere na cicatrização de feridas operatórias. As drogas citotóxicas inibem a proliferação de fibroblastos e células endoteliais, essenciais para a formação de tecido de granulação e angiogênese. Além disso, a imunossupressão e a neutropenia aumentam o risco de infecção da ferida. O momento da cirurgia deve ser planejado para minimizar esses efeitos, geralmente aguardando a recuperação medular.