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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu093196
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Oncologia Cirúrgica
No manejo cirúrgico dos tumores borderline de ovário, qual das características favorece a indicação de tratamento conservador?
  1. APresença de implantes peritoneais invasivos.
  2. BAcometimento bilateral com citologia positiva.
  3. CDesejo reprodutivo e ausência de invasão estromal.
  4. DElevação persistente de CA-125 no pós-operatório.
  5. ETumor com padrão micropapilar e mutação BRCA1.
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GabaritoC — Desejo reprodutivo e ausência de invasão estromal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumores borderline de ovário: critérios para tratamento conservador

Gabarito: letra C. O tratamento conservador (preservação da fertilidade) nos tumores borderline de ovário é indicado quando a paciente tem desejo reprodutivo e o tumor não apresenta invasão estromal — ou seja, quando o risco de recidiva e progressão é baixo e a cirurgia radical pode ser adiada sem comprometer a sobrevida. As demais alternativas trazem características que, ao contrário, contraindican a conduta conservadora ou indicam doença mais agressiva.

Os tumores borderline de ovário (também chamados de tumores de baixo potencial de malignidade) ocupam uma zona intermediária entre os tumores benignos e os carcinomas francamente invasores. Eles se caracterizam por proliferação epitelial atípica, mas sem invasão estromal destrutiva — essa é a diferença histológica central que define o grupo e que explica por que o prognóstico é tão bom, com sobrevida em 5 anos superior a 95% nos estágios iniciais. O tratamento clássico é cirúrgico, com estadiamento completo, mas a grande particularidade desses tumores é que, em casos selecionados, é possível preservar o útero e um ovário, mantendo a fertilidade sem prejuízo oncológico.

A decisão entre cirurgia radical (histerectomia total + anexectomia bilateral + omentectomia) e cirurgia conservadora (ooforectomia ou cistectomia unilateral, com preservação do útero e do ovário contralateral) depende de um equilíbrio entre o risco de recidiva e o desejo reprodutivo da paciente. Os critérios que favorecem a conduta conservadora são: doença em estágio inicial (FIGO I), tumor unilateral, ausência de invasão estromal, ausência de implantes peritoneais invasivos, ausência de citologia peritoneal positiva e, fundamentalmente, o desejo reprodutivo da paciente. Por outro lado, a presença de implantes peritoneais invasivos, o acometimento bilateral com citologia positiva, a elevação persistente de CA-125 no pós-operatório e o padrão micropapilar (associado a comportamento mais agressivo) são fatores que apontam para doença mais avançada ou de maior risco, contraindican a preservação da fertilidade.

Na prática, a conduta conservadora é uma opção segura para mulheres jovens, com tumor borderline unilateral, sem invasão estromal e sem implantes peritoneais invasivos, desde que haja desejo reprodutivo e possibilidade de acompanhamento rigoroso. A recidiva pode ocorrer, mas geralmente é tardia e também borderline, podendo ser tratada com nova cirurgia. O que a banca explora nesta questão é exatamente a fronteira entre os fatores que favorecem e os que contraindican a preservação da fertilidade: o candidato precisa reconhecer que o desejo reprodutivo e a ausência de invasão estromal são os pilares da indicação conservadora, enquanto as demais características listadas são marcadores de agressividade ou de doença residual.

Guarde o critério decisivo: tratamento conservador = desejo reprodutivo + tumor sem invasão estromal (e sem outros fatores de risco). É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Tratamento conservador (tumores borderline)
  • 1Favorecem
    • Desejo reprodutivo
    • Ausência de invasão estromal
    • Tumor unilateral
    • Citologia peritoneal negativa
  • 2Contraindicam
    • Implantes peritoneais invasivos
    • Acometimento bilateral
    • Citologia positiva
    • CA-125 elevado no pós-op
    • Padrão micropapilar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença de implantes peritoneais invasivos é um fator de mau prognóstico e contraindica o tratamento conservador. Implantes invasivos indicam doença disseminada na cavidade peritoneal com potencial de progressão, exigindo cirurgia radical e estadiamento completo. A banca troca o cenário: quem tem implantes invasivos não é candidata à preservação da fertilidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O acometimento bilateral com citologia positiva (presença de células neoplásicas no líquido peritoneal) também contraindica a conduta conservadora. A bilateralidade e a citologia positiva são marcadores de doença mais extensa e de maior risco de recidiva, o que torna a cirurgia radical a opção mais segura. A preservação da fertilidade fica reservada para casos de doença unilateral e sem disseminação peritoneal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O desejo reprodutivo e a ausência de invasão estromal são exatamente os critérios que favorecem a indicação de tratamento conservador. A ausência de invasão estromal é a característica histológica que define o tumor borderline e garante baixo potencial de malignidade; o desejo reprodutivo é o motivo clínico que justifica preservar o útero e o ovário contralateral. Juntos, eles tornam a cirurgia conservadora uma opção segura e eficaz.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A elevação persistente de CA-125 no pós-operatório é um sinal de doença residual ou recidiva, não um fator que favorece a conduta conservadora. O CA-125 é um marcador tumoral utilizado no monitoramento; sua persistência elevada após a cirurgia indica que há doença ativa, exigindo investigação e tratamento adicional, e não a preservação da fertilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O padrão micropapilar é uma variante histológica associada a comportamento mais agressivo nos tumores borderline, com maior risco de recidiva e de transformação invasiva. A mutação BRCA1, por sua vez, confere predisposição genética ao câncer de ovário e está associada a maior risco de doença bilateral e de progressão. Ambos os fatores contraindican o tratamento conservador, pois indicam maior risco oncológico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os fatores que favorecem e os que contraindicam a cirurgia conservadora. O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa A ou B, que trazem características de doença mais agressiva, mas o comando pede exatamente o oposto: o que favorece a preservação da fertilidade. A chave é lembrar que o tratamento conservador é reservado para tumores de baixo risco, sem invasão estromal e sem disseminação peritoneal, em pacientes com desejo reprodutivo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre tumores borderline de ovário, monte um checklist mental dos critérios de indicação de cirurgia conservadora: (1) desejo reprodutivo; (2) tumor unilateral; (3) ausência de invasão estromal; (4) ausência de implantes peritoneais invasivos; (5) citologia peritoneal negativa. Qualquer alternativa que traga um fator de agressividade (implantes invasivos, bilateralidade, citologia positiva, CA-125 elevado, padrão micropapilar) é automaticamente incorreta.

Gabarito: letra C

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