No manejo cirúrgico dos tumores borderline de ovário, qual das características favorece a indicação de tratamento conservador?
APresença de implantes peritoneais invasivos.
BAcometimento bilateral com citologia positiva.
CDesejo reprodutivo e ausência de invasão estromal.
DElevação persistente de CA-125 no pós-operatório.
ETumor com padrão micropapilar e mutação BRCA1.
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GabaritoC — Desejo reprodutivo e ausência de invasão estromal.
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Tumores borderline de ovário: critérios para tratamento conservador
Gabarito: letra C. O tratamento conservador (preservação da fertilidade) nos tumores borderline de ovário é indicado quando a paciente tem desejo reprodutivo e o tumor não apresenta invasão estromal — ou seja, quando o risco de recidiva e progressão é baixo e a cirurgia radical pode ser adiada sem comprometer a sobrevida. As demais alternativas trazem características que, ao contrário, contraindican a conduta conservadora ou indicam doença mais agressiva.
Os tumores borderline de ovário (também chamados de tumores de baixo potencial de malignidade) ocupam uma zona intermediária entre os tumores benignos e os carcinomas francamente invasores. Eles se caracterizam por proliferação epitelial atípica, mas sem invasão estromal destrutiva — essa é a diferença histológica central que define o grupo e que explica por que o prognóstico é tão bom, com sobrevida em 5 anos superior a 95% nos estágios iniciais. O tratamento clássico é cirúrgico, com estadiamento completo, mas a grande particularidade desses tumores é que, em casos selecionados, é possível preservar o útero e um ovário, mantendo a fertilidade sem prejuízo oncológico.
A decisão entre cirurgia radical (histerectomia total + anexectomia bilateral + omentectomia) e cirurgia conservadora (ooforectomia ou cistectomia unilateral, com preservação do útero e do ovário contralateral) depende de um equilíbrio entre o risco de recidiva e o desejo reprodutivo da paciente. Os critérios que favorecem a conduta conservadora são: doença em estágio inicial (FIGO I), tumor unilateral, ausência de invasão estromal, ausência de implantes peritoneais invasivos, ausência de citologia peritoneal positiva e, fundamentalmente, o desejo reprodutivo da paciente. Por outro lado, a presença de implantes peritoneais invasivos, o acometimento bilateral com citologia positiva, a elevação persistente de CA-125 no pós-operatório e o padrão micropapilar (associado a comportamento mais agressivo) são fatores que apontam para doença mais avançada ou de maior risco, contraindican a preservação da fertilidade.
Na prática, a conduta conservadora é uma opção segura para mulheres jovens, com tumor borderline unilateral, sem invasão estromal e sem implantes peritoneais invasivos, desde que haja desejo reprodutivo e possibilidade de acompanhamento rigoroso. A recidiva pode ocorrer, mas geralmente é tardia e também borderline, podendo ser tratada com nova cirurgia. O que a banca explora nesta questão é exatamente a fronteira entre os fatores que favorecem e os que contraindican a preservação da fertilidade: o candidato precisa reconhecer que o desejo reprodutivo e a ausência de invasão estromal são os pilares da indicação conservadora, enquanto as demais características listadas são marcadores de agressividade ou de doença residual.
Guarde o critério decisivo: tratamento conservador = desejo reprodutivo + tumor sem invasão estromal (e sem outros fatores de risco). É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.
Tratamento conservador (tumores borderline)
1Favorecem
Desejo reprodutivo
Ausência de invasão estromal
Tumor unilateral
Citologia peritoneal negativa
2Contraindicam
Implantes peritoneais invasivos
Acometimento bilateral
Citologia positiva
CA-125 elevado no pós-op
Padrão micropapilar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A presença de implantes peritoneais invasivos é um fator de mau prognóstico e contraindica o tratamento conservador. Implantes invasivos indicam doença disseminada na cavidade peritoneal com potencial de progressão, exigindo cirurgia radical e estadiamento completo. A banca troca o cenário: quem tem implantes invasivos não é candidata à preservação da fertilidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O acometimento bilateral com citologia positiva (presença de células neoplásicas no líquido peritoneal) também contraindica a conduta conservadora. A bilateralidade e a citologia positiva são marcadores de doença mais extensa e de maior risco de recidiva, o que torna a cirurgia radical a opção mais segura. A preservação da fertilidade fica reservada para casos de doença unilateral e sem disseminação peritoneal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O desejo reprodutivo e a ausência de invasão estromal são exatamente os critérios que favorecem a indicação de tratamento conservador. A ausência de invasão estromal é a característica histológica que define o tumor borderline e garante baixo potencial de malignidade; o desejo reprodutivo é o motivo clínico que justifica preservar o útero e o ovário contralateral. Juntos, eles tornam a cirurgia conservadora uma opção segura e eficaz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A elevação persistente de CA-125 no pós-operatório é um sinal de doença residual ou recidiva, não um fator que favorece a conduta conservadora. O CA-125 é um marcador tumoral utilizado no monitoramento; sua persistência elevada após a cirurgia indica que há doença ativa, exigindo investigação e tratamento adicional, e não a preservação da fertilidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O padrão micropapilar é uma variante histológica associada a comportamento mais agressivo nos tumores borderline, com maior risco de recidiva e de transformação invasiva. A mutação BRCA1, por sua vez, confere predisposição genética ao câncer de ovário e está associada a maior risco de doença bilateral e de progressão. Ambos os fatores contraindican o tratamento conservador, pois indicam maior risco oncológico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os fatores que favorecem e os que contraindicam a cirurgia conservadora. O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa A ou B, que trazem características de doença mais agressiva, mas o comando pede exatamente o oposto: o que favorece a preservação da fertilidade. A chave é lembrar que o tratamento conservador é reservado para tumores de baixo risco, sem invasão estromal e sem disseminação peritoneal, em pacientes com desejo reprodutivo.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre tumores borderline de ovário, monte um checklist mental dos critérios de indicação de cirurgia conservadora: (1) desejo reprodutivo; (2) tumor unilateral; (3) ausência de invasão estromal; (4) ausência de implantes peritoneais invasivos; (5) citologia peritoneal negativa. Qualquer alternativa que traga um fator de agressividade (implantes invasivos, bilateralidade, citologia positiva, CA-125 elevado, padrão micropapilar) é automaticamente incorreta.