Ressecabilidade de Tumores de Pâncreas
Gabarito: letra C. Tumores que envolvem menos de 180° da artéria mesentérica superior são considerados potencialmente ressecáveis, conforme os critérios atuais de ressecabilidade do adenocarcinoma de pâncreas. A alternativa correta reflete exatamente o critério de envolvimento arterial parcial, que permite a ressecção cirúrgica com intenção curativa.
A ressecabilidade de tumores de pâncreas é um conceito central na oncologia cirúrgica, pois define quais pacientes podem se beneficiar de cirurgia curativa. O adenocarcinoma de pâncreas é uma neoplasia agressiva, e apenas 10 a 20% dos casos são diagnosticados em estágio ressecável. A avaliação pré-operatória por imagem (tomografia computadorizada com protocolo de pâncreas) é essencial para determinar a extensão do tumor e sua relação com os vasos sanguíneos adjacentes.
Os critérios atuais para ressecabilidade incluem: ausência de metástases a distância e ausência de comprometimento tumoral das artérias principais (artéria mesentérica superior, tronco celíaco e artéria hepática comum). O comprometimento venoso requer permeabilidade vascular, e os critérios para ressecabilidade dependerão da experiência do cirurgião e da capacidade dele de realizar uma reconstrução vascular.
A classificação em categorias ressecável, ressecável limítrofe, localmente avançada e metastática é clinicamente útil. A invasão arterial é um fator crítico: o envolvimento de até 180° da artéria mesentérica superior ou do tronco celíaco é considerado ressecável limítrofe, enquanto o envolvimento maior que 180° ou a oclusão arterial torna o tumor irressecável. A invasão venosa, por sua vez, não exclui totalmente a cirurgia, pois a ressecção venosa com reconstrução pode ser realizada em centros especializados.
A biópsia por punção não é obrigatória em todos os casos antes da cirurgia. Em pacientes com tumor ressecável e suspeita clínica e radiológica forte de adenocarcinoma, a cirurgia pode ser realizada sem biópsia prévia, evitando o risco de complicações e atraso no tratamento. A biópsia é indicada em casos de dúvida diagnóstica, doença localmente avançada ou metastática, ou antes de terapia neoadjuvante.
A alternativa C está correta porque o envolvimento de menos de 180° da artéria mesentérica superior é um critério de ressecabilidade limítrofe, permitindo a cirurgia com intenção curativa. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes, como a invasão do tronco celíaco (que é critério de irressecabilidade), a ausência de metástases hepáticas (que é essencial para a indicação cirúrgica), a invasão venosa (que não exclui totalmente a cirurgia) e a biópsia obrigatória (que não é necessária em todos os casos).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A presença de invasão do tronco celíaco é critério de irressecabilidade, não de ressecabilidade. O envolvimento do tronco celíaco, assim como da artéria mesentérica superior e da artéria hepática comum, contraindica a ressecção curativa, pois a ressecção dessas artérias não é viável na maioria dos casos. A alternativa inverte o conceito, apresentando um critério de irressecabilidade como se fosse de ressecabilidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ausência de metástases hepáticas é fundamental para a indicação cirúrgica. A presença de metástases a distância, incluindo metástases hepáticas, é critério de irressecabilidade, pois a cirurgia curativa não é possível quando há doença metastática. A alternativa afirma que a ausência de metástases hepáticas não interfere na indicação cirúrgica, o que é incorreto: a ausência de metástases é um dos principais critérios para a ressecabilidade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Tumores que envolvem menos de 180° da artéria mesentérica superior são considerados potencialmente ressecáveis. Esse é um critério clássico de ressecabilidade limítrofe: o envolvimento arterial parcial (menos de 180°) permite a ressecção cirúrgica, enquanto o envolvimento maior que 180° ou a oclusão arterial torna o tumor irressecável. A alternativa está correta e reflete os critérios atuais de ressecabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A invasão venosa não exclui totalmente a possibilidade de cirurgia curativa. O comprometimento venoso, como a invasão da veia mesentérica superior ou da veia porta, pode ser tratado com ressecção venosa e reconstrução vascular, desde que haja permeabilidade vascular e experiência cirúrgica. A alternativa afirma que a invasão venosa exclui totalmente a cirurgia, o que é incorreto, pois a ressecção venosa é possível em casos selecionados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A biópsia por punção não é obrigatória em todos os casos antes da cirurgia. Em pacientes com tumor ressecável e forte suspeita clínica e radiológica de adenocarcinoma, a cirurgia pode ser realizada sem biópsia prévia, evitando riscos e atrasos. A biópsia é indicada em casos de dúvida diagnóstica, doença localmente avançada ou metastática, ou antes de terapia neoadjuvante. A alternativa generaliza indevidamente, tornando obrigatório um procedimento que é seletivo.
Gabarito: letra C