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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu093211
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Oncologia Cirúrgica
Uma paciente retorna à consulta com resultado citopatológico do colo uterino mostrando: células glandulares atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas, não podendo afastar lesão de alto grau (AGC – atypical glandular cells).Com base nas diretrizes atuais, assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada.
  1. AIndicar conização do colo uterino para afastar invasão por adenocarcinoma.
  2. BRepetir o exame citopatológico em 3 meses para confirmar a alteração.
  3. CEncaminhar a paciente para colposcopia.
  4. DIndicar histerectomia total, preferencialmente por via minimamente invasiva.
  5. ESolicitar exame de HPV de alto risco antes de qualquer conduta invasiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Encaminhar a paciente para colposcopia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conduta no AGC (células glandulares atípicas de significado indeterminado)

Gabarito: letra C. Diante de um resultado citopatológico com células glandulares atípicas de significado indeterminado (AGC), a conduta inicial mais adequada, conforme as diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), é encaminhar a paciente para colposcopia — sempre associada à repetição da citologia de canal (cytobrush). As demais alternativas propõem condutas precipitadas (conização, histerectomia) ou insuficientes (repetir citologia isoladamente, solicitar HPV antes de qualquer conduta), que não correspondem ao manejo inicial recomendado.

O AGC é um achado citológico que indica atipia em células glandulares, podendo representar desde alterações reativas benignas até lesões pré-neoplásicas ou neoplásicas, inclusive adenocarcinoma. Por isso, a investigação deve ser imediata e direcionada, mas não cirúrgica de primeira linha. A colposcopia é o exame que permite visualizar o colo uterino com magnificação e identificar possíveis lesões, guiando biópsias quando necessário. A repetição da citologia de canal é complementar, pois as lesões glandulares frequentemente se originam no canal endocervical, área de difícil avaliação apenas pela citologia convencional.

A tabela do INCA para condutas diante de resultados citopatológicos com alterações pré-malignas ou malignas é clara ao estabelecer, para o AGC, a realização de colposcopia e repetição da citologia de canal, com biópsia se houver lesão cervical. A conização é reservada para casos específicos, como persistência do AGC após nova citologia, e não como conduta inicial. A histerectomia é ainda mais radical, indicada apenas quando há confirmação de malignidade ou lesão que a justifique. Repetir a citologia em 3 meses, sem colposcopia, atrasa o diagnóstico de uma possível lesão glandular de alto grau. O teste de HPV, embora útil no rastreamento, não é o passo inicial diante de um AGC já diagnosticado.

A distinção crucial é entre o manejo do AGC e o de outras alterações citológicas, como ASC-US ou LSIL, que podem ser acompanhadas com repetição da citologia. O AGC, por sua associação mais forte com lesões glandulares e adenocarcinoma, exige investigação colposcópica imediata. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que seriam adequadas para outros achados, mas não para o AGC. O critério decisivo é: AGC = colposcopia imediata + citologia de canal, nunca conduta expectante ou cirúrgica de primeira linha.

AGC (células glandulares atípicas)
  • 1Conduta inicial (INCA)
    • Colposcopia imediata
    • Citologia de canal (cytobrush)
    • Biópsia se lesão visível
  • 2Condutas inadequadas
    • Conização (só se persistência)
    • Histerectomia (só se malignidade)
    • Repetir citologia isolada (atrasa)
    • HPV antes da colposcopia (não muda conduta)
  • 3Por que é imediato?
    • Origem no canal endocervical
    • Associação com adenocarcinoma
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A conização do colo uterino é um procedimento cirúrgico que não é a conduta inicial diante de um AGC. Conforme as diretrizes do INCA, a conização é recomendada apenas em situações específicas, como a persistência do AGC após nova citologia, independentemente do diagnóstico de doença escamosa, ou quando a biópsia do colo é negativa e a nova citologia mantém o diagnóstico de AGC. A conduta inicial é sempre a colposcopia, que vai direcionar a necessidade de biópsia e, posteriormente, avaliar se a conização é indicada. A alternativa erra ao antecipar um procedimento invasivo sem a investigação diagnóstica prévia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Repetir o exame citopatológico em 3 meses é uma conduta inadequada para o AGC. Essa estratégia de repetição da citologia é reservada para outros achados, como ASC-US em mulheres com idade ≥ 30 anos (repetir em 6 meses) ou LSIL (repetir em 6 meses). No caso do AGC, a conduta é imediata: realizar colposcopia e repetir a citologia de canal (cytobrush). A repetição isolada da citologia, sem colposcopia, atrasa a investigação de uma possível lesão glandular de alto grau ou adenocarcinoma, comprometendo o diagnóstico precoce. A alternativa confunde o manejo do AGC com o de lesões escamosas de menor potencial.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Encaminhar a paciente para colposcopia é exatamente a conduta inicial recomendada pelas diretrizes do INCA para o AGC. A tabela de condutas para alterações pré-malignas ou malignas estabelece: "Células glandulares atípicas de significado indeterminado – quaisquer (AGC-US): Realizar colposcopia e repetir a citologia de canal (cytobrush)". A colposcopia permite a visualização direta do colo uterino e do canal endocervical, identificando lesões que devem ser biopsiadas. É o primeiro passo da investigação, essencial para afastar ou confirmar lesão de alto grau ou adenocarcinoma. A alternativa está correta ao indicar a colposcopia como conduta inicial, alinhada à recomendação de investigação imediata e direcionada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Indicar histerectomia total, preferencialmente por via minimamente invasiva, é uma conduta extremamente radical e prematura diante de um AGC. A histerectomia é um tratamento cirúrgico definitivo, reservado para casos de malignidade confirmada (como adenocarcinoma invasor) ou lesões que não podem ser tratadas por métodos conservadores. No AGC, ainda não há confirmação de neoplasia; a investigação inicial é colposcópica, com biópsia se necessário. A histerectomia só seria considerada após o diagnóstico definitivo de uma lesão que a justifique, nunca como primeira conduta diante de um resultado citológico indeterminado. A alternativa ignora todo o fluxo de investigação diagnóstica e propõe um tratamento desproporcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar exame de HPV de alto risco antes de qualquer conduta invasiva não é a conduta inicial recomendada para o AGC. Embora o teste de HPV seja útil no rastreamento do câncer de colo uterino, diante de um AGC já diagnosticado, a prioridade é a investigação colposcópica imediata. O resultado do HPV não mudaria a conduta inicial, que é a colposcopia com repetição da citologia de canal. A alternativa inverte a ordem dos passos: o HPV é um exame de rastreamento, não de confirmação diagnóstica, e não deve retardar a investigação de uma possível lesão glandular. A conduta correta é encaminhar para colposcopia, conforme as diretrizes do INCA.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o manejo do AGC e o de outras alterações citológicas. O candidato pode ser tentado a repetir a citologia (como no ASC-US) ou a solicitar HPV (como no rastreamento), mas o AGC exige colposcopia imediata. Lembre-se: AGC é sinal de alerta para lesão glandular — a investigação não pode ser adiada nem substituída por exames de triagem.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, compare as condutas do INCA: ASC-US → repetir citologia (6 ou 12 meses); ASC-H → colposcopia imediata; AGC → colposcopia + citologia de canal; LSIL → repetir citologia em 6 meses. O AGC é o único que associa colposcopia à citologia de canal desde o início, refletindo a necessidade de investigar o canal endocervical, onde as lesões glandulares costumam se originar.

Gabarito: letra C — encaminhar a paciente para colposcopia é a conduta inicial mais adequada, conforme as diretrizes do INCA para células glandulares atípicas de significado indeterminado.

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