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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu093232
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Oncologia Clinica
Paciente de 75 anos de idade, sem comorbidades relevantes, após a realização de exames de rotina, tem o diagnóstico recente de adenocarcinoma de próstata Gleason 8. Não apresenta sintomas obstrutivos. Exames de imagem revelam três metástases ósseas, assintomáticas e sem fatores de risco para fratura.Para esse caso, a melhor conduta é:
  1. Aprostatectomia radical seguida de observação.
  2. Banálogos de LHRH.
  3. Cradioterapia em próstata seguida de análogo de LHRH.
  4. Dorquiectomia ou análogo de LHRH, associada a abiraterona.
  5. Equimioterapia sistêmica com docetaxel associada a orquiectomia.
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GabaritoD — orquiectomia ou análogo de LHRH, associada a abiraterona.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de próstata metastático: terapia de privação androgênica combinada

Gabarito: letra D. Para adenocarcinoma de próstata metastático (Gleason 8, metástases ósseas), a conduta de primeira linha é a terapia de privação androgênica (orquiectomia ou análogo de LHRH) associada a um dos quatro agentes que demonstraram ganho de sobrevida global em ensaios clínicos randomizados: abiraterona, docetaxel, enzalutamida ou apalutamida. A alternativa D combina corretamente a castração com a abiraterona, um inibidor de CYP17A1.

O câncer de próstata é o segundo tumor mais comum em homens, e o adenocarcinoma representa mais de 95% dos casos. O escore de Gleason é fundamental para o prognóstico e manejo: o Gleason 8 (4+4, 3+5 ou 5+3) corresponde ao grupo de grau 4 da OMS/ISUP, caracterizando doença de alto risco. Quando o paciente já apresenta doença metastática (estágio M1), o tratamento curativo local (prostatectomia radical ou radioterapia na próstata isoladamente) perde espaço, e a terapia sistêmica torna-se o pilar do manejo.

A terapia de privação androgênica (TPA) — seja por castração cirúrgica (orquiectomia bilateral) ou química (análogos de LHRH) — é a base do tratamento do câncer de próstata metastático. Historicamente, a TPA isolada era o padrão, mas ensaios clínicos randomizados demonstraram que a combinação da TPA com determinados agentes prolonga a sobrevida global. Os quatro medicamentos que comprovadamente agregam benefício quando associados à TPA são: abiraterona (inibidor de CYP17A1), docetaxel (quimioterapia), enzalutamida e apalutamida (antagonistas do receptor de androgênio).

A escolha entre os quatro agentes depende de fatores como perfil de toxicidade, comorbidades e disponibilidade. A abiraterona é um inibidor da enzima CYP17A1, que bloqueia a síntese de androgênios em todas as fontes (testículos, adrenais e tumor). O docetaxel é uma quimioterapia que também demonstrou benefício, mas é mais tóxico e geralmente reservado para pacientes com maior volume de doença ou sintomas. A enzalutamida e a apalutamida são antagonistas do receptor de androgênio, com mecanismo diferente da abiraterona.

No caso apresentado, o paciente tem 75 anos, sem comorbidades relevantes, com doença metastática óssea assintomática. A alternativa D (orquiectomia ou análogo de LHRH associada a abiraterona) é a conduta mais adequada, pois combina a TPA com um dos agentes que comprovadamente aumentam a sobrevida global. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas incompletas.

Câncer de próstata metastático (M1)
  • 1Tratamento curativo local
    • Prostatectomia radical
    • Radioterapia isolada na próstata
  • 2Terapia de privação androgênica (TPA)
    • Orquiectomia bilateral
    • Análogos de LHRH
  • 3TPA + agente que aumenta sobrevida
    • Abiraterona (inibidor de CYP17A1)
    • Docetaxel (quimioterapia)
    • Enzalutamida (antagonista do receptor)
    • Apalutamida (antagonista do receptor)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A prostatectomia radical é um tratamento curativo para doença localizada, não para doença metastática. Em pacientes com metástases ósseas, a cirurgia radical na próstata não é indicada como tratamento primário, pois não aborda a doença sistêmica. A observação após a cirurgia também não é conduta adequada para doença metastática de alto risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A terapia de privação androgênica isolada (análogos de LHRH) foi o padrão histórico, mas ensaios clínicos randomizados demonstraram que a combinação com abiraterona, docetaxel, enzalutamida ou apalutamida prolonga a sobrevida global. A TPA isolada não é mais a melhor conduta de primeira linha para doença metastática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia na próstata associada a análogo de LHRH é uma opção para doença localizada de alto risco ou para doença oligometastática, mas não é a conduta padrão para doença metastática extensa. No caso, o paciente tem três metástases ósseas, e a radioterapia local não é o tratamento sistêmico adequado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de terapia de privação androgênica (orquiectomia ou análogo de LHRH) com abiraterona é uma das opções de primeira linha para câncer de próstata metastático sensível à castração. A abiraterona é um inibidor de CYP17A1 que demonstrou ganho de sobrevida global quando associada à TPA em ensaios clínicos randomizados. Esta é a conduta mais adequada para o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A quimioterapia com docetaxel associada à orquiectomia é uma opção válida, mas não é a melhor conduta de primeira linha para todos os pacientes. A abiraterona é preferível em muitos casos por ter melhor perfil de toxicidade e ser tão eficaz quanto o docetaxel. Além disso, a alternativa D é mais completa e adequada ao perfil do paciente.

Gabarito: letra D

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