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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu093233
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Oncologia Clinica
Paciente de 63 anos de idade, tabagista, apresenta hematúria persistente. A investigação diagnóstica revelou tratar-se de carcinoma de bexiga. Foi tratado inicialmente com gencitabina e cisplatina neoadjuvantes, por quatro ciclos, seguidos de cirurgia radical. Estadiamento cirúrgico: ypT3 ypN0 M0. Expressão de PD-L1 superior a 1%.Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
  1. AHá evidência de ganho em sobrevida global com o uso de nivolumabe adjuvante.
  2. BHá evidência de ganho em sobrevida global com o uso de durvalumabe adjuvante.
  3. CHá evidência de ganho em sobrevida livre de progressão com o uso de nivolumabe adjuvante.
  4. DNão há evidência de ganho em sobrevida com o uso de imunoterapia.
  5. EO paciente tem indicação de tratamento adjuvante com gencitabina e cisplatina, dois ciclos.
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GabaritoA — Há evidência de ganho em sobrevida global com o uso de nivolumabe adjuvante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de bexiga: terapia adjuvante com imunoterapia

Gabarito: letra A. O paciente, com carcinoma urotelial de bexiga invasivo (ypT3 ypN0 M0) após quimioterapia neoadjuvante e cistectomia radical, tem indicação de nivolumabe adjuvante, pois há evidência de ganho em sobrevida livre de doença e sobrevida global nesse cenário, conforme os estudos CheckMate 274 e, mais recentemente, o ensaio que embasa essa conduta. A alternativa B está incorreta porque o durvalumabe é utilizado no contexto de doença localmente avançada não ressecável (após quimiorradioterapia), não no adjuvante pós-cirúrgico do câncer de bexiga.

O tratamento do câncer de bexiga com invasão muscular (CIM) é um desafio oncológico que evoluiu significativamente. O padrão histórico é a cistectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral, precedida, quando possível, de quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina (esquema gencitabina + cisplatina ou MVAC), que demonstrou ganho de sobrevida global em estudos de fase III. No caso apresentado, o paciente recebeu exatamente essa abordagem: quatro ciclos de gencitabina e cisplatina neoadjuvantes, seguidos de cirurgia radical, com estadiamento patológico ypT3 ypN0 M0 — ou seja, doença residual invasiva na peça cirúrgica, mas sem comprometimento linfonodal.

A grande questão que se coloca é: após a cirurgia, qual o melhor tratamento adjuvante? Historicamente, a quimioterapia adjuvante com cisplatina era uma opção, mas com benefício modesto e toxicidade relevante. Nos últimos anos, a imunoterapia emergiu como uma alternativa promissora. O estudo CheckMate 274 avaliou o nivolumabe adjuvante versus placebo em pacientes com CIM de alto risco (ypT3-ypT4a ou ypN+ após quimioterapia neoadjuvante, ou pT3-pT4a ou pN+ sem quimioterapia neoadjuvante). Os resultados demonstraram melhora significativa na sobrevida livre de doença (DFS) em toda a população, e, em análise subsequente, também ganho em sobrevida global (OS), especialmente no subgrupo com expressão de PD-L1 ≥ 1%. O paciente em questão, com ypT3 ypN0 e PD-L1 > 1%, se encaixa perfeitamente nesse perfil, tornando o nivolumabe adjuvante a conduta correta.

É importante distinguir os papéis dos diferentes agentes de imunoterapia no câncer urotelial. Enquanto o nivolumabe tem indicação adjuvante pós-cistectomia, o durvalumabe é utilizado no tratamento de pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático que não progridem após quimioterapia à base de platina (estudo JAVELIN Bladder 100, na verdade, avaliou avelumabe; o durvalumabe tem indicação no câncer de pulmão não pequenas células após quimiorradioterapia). A alternativa B, portanto, troca o agente correto, explorando a confusão entre os inibidores de checkpoint.

A alternativa E, que sugere quimioterapia adjuvante com gencitabina e cisplatina, também está incorreta. Após quimioterapia neoadjuvante, a repetição do mesmo esquema no adjuvante não é uma prática estabelecida, e a imunoterapia é a opção preferencial nesse cenário. Além disso, a alternativa D nega qualquer evidência de ganho com imunoterapia, o que contraria os dados robustos do CheckMate 274.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre os agentes de imunoterapia e seus respectivos contextos de uso. O candidato que memoriza que "imunoterapia adjuvante é benéfica" pode cair na alternativa B, mas o conhecimento específico de que o nivolumabe é o agente com evidência no adjuvante do câncer de bexiga é o que define a resposta correta.

Imunoterapia adjuvante no câncer de bexiga
  • 1Nivolumabe (CheckMate 274)
    • Ganho em sobrevida livre de doença
    • Ganho em sobrevida global
    • Perfil: ypT3-ypT4a ou ypN+ pós QT neoadjuvante
    • PD-L1 ≥ 1% (maior benefício)
  • 2Durvalumabe
    • Uso: CPNPC pós quimiorradioterapia
    • Sem indicação adjuvante no urotelial
  • 3Quimioterapia adjuvante (gemcitabina + cisplatina)
    • Sem benefício após QT neoadjuvante
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O nivolumabe adjuvante demonstrou, no estudo CheckMate 274, ganho em sobrevida livre de doença e, em análise subsequente, em sobrevida global para pacientes com carcinoma urotelial de alto risco após cistectomia, especialmente naqueles com PD-L1 ≥ 1%. O paciente, com ypT3 ypN0 e PD-L1 > 1%, é exatamente o perfil que se beneficia dessa terapia. A alternativa está correta ao afirmar que há evidência de ganho em sobrevida global com o uso de nivolumabe adjuvante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O durvalumabe não tem indicação adjuvante no câncer de bexiga. Seu papel estabelecido é no tratamento de pacientes com carcinoma de pulmão não pequenas células localmente avançado, após quimiorradioterapia concomitante, sem progressão. No câncer urotelial, o agente com evidência adjuvante é o nivolumabe. A alternativa troca o agente correto, explorando a confusão entre os inibidores de PD-1/PD-L1.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Embora o nivolumabe adjuvante tenha demonstrado ganho em sobrevida livre de doença (DFS), o enunciado da alternativa C omite o ganho em sobrevida global (OS), que também foi demonstrado. A alternativa A é mais completa e correta ao afirmar o ganho em OS. Além disso, a alternativa C, ao focar apenas na DFS, pode ser considerada incompleta, mas o erro principal é que a alternativa A é a mais abrangente e correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirmar que "não há evidência de ganho em sobrevida com o uso de imunoterapia" é falso. O estudo CheckMate 274 demonstrou ganho em sobrevida livre de doença e sobrevida global com nivolumabe adjuvante em pacientes com câncer de bexiga de alto risco. A alternativa contraria diretamente as evidências disponíveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A repetição de quimioterapia adjuvante com gencitabina e cisplatina após quimioterapia neoadjuvante não é uma prática estabelecida. Após a cirurgia, a imunoterapia adjuvante com nivolumabe é a opção preferencial, conforme demonstrado no CheckMate 274. A alternativa sugere um esquema sem evidência de benefício nesse contexto.

Gabarito: letra A — nivolumabe adjuvante, com evidência de ganho em sobrevida global.

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