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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093245
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Recém-nascido, do sexo masculino, idade gestacional de 38 semanas, peso de nascimento de 3.050 gramas, parto normal, com apgar de 1o e 5o minutos, de 9 e 9. Com 44 horas de vida, recebendo leite materno exclusivo, apresenta-se em bom estado, corado, hidratado, e ictérico zona I, sem outras alterações no exame físico. Mãe – Tipagem sanguínea: O Rh positivo. Recém-nascido – Tipagem sanguínea: O Rh negativo. Com 67 horas de vida, o recém-nascido está em aleitamento materno, apresenta-se ictérico zona II, sem outras alterações. Os exames revelaram: bilirrubinas – total 10,1 mg/dL; direta 0,4 mg/dL; indireta 9,7 mg/dL.Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
  1. AIcterícia pelo leite materno.
  2. BIcterícia fisiológica.
  3. CIcterícia por incompatibilidade Rh.
  4. DIcterícia por deficiência de G6PD.
  5. EIcterícia colestática.
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GabaritoB — Icterícia fisiológica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra B. A hipótese mais provável é a icterícia fisiológica, pois o recém-nascido a termo, com 67 horas de vida, apresenta icterícia em zona II, com bilirrubina total de 10,1 mg/dL (predomínio de indireta), valor abaixo do limiar de fototerapia para a idade (≥ 15 mg/dL entre 49-72 horas), sem fatores de risco para hiperbilirrubinemia patológica. A incompatibilidade Rh é excluída porque a mãe é Rh positivo e o bebê Rh negativo, tornando impossível a sensibilização materna.

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, condição extremamente comum no período neonatal, acometendo cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos pré-termo. Ela ocorre como consequência da adaptação do recém-nascido ao metabolismo da bilirrubina: há maior produção (pela maior massa eritrocitária e menor vida média das hemácias), menor capacidade de captação hepática e menor atividade da enzima glicuroniltransferase, responsável pela conjugação. O resultado é o acúmulo de bilirrubina indireta (não conjugada), que se deposita na pele e mucosas, conferindo a coloração amarelada.

A distinção fundamental entre icterícia fisiológica e patológica se dá por critérios clínicos e laboratoriais. A fisiológica surge após 24 horas de vida, com pico entre o 2º e o 4º dia no a termo, e valores de bilirrubina que permanecem abaixo dos limiares de risco para neurotoxicidade. Já a patológica é suspeitada quando a icterícia aparece nas primeiras 24 horas, quando os valores ultrapassam os percentis de risco ou quando há sinais de doença hemolítica, colestase ou infecção. A progressão cefalocaudal da icterícia (zona I → II → III...) é um guia clínico útil, mas a dosagem sérica é o método definitivo de avaliação.

No caso apresentado, o recém-nascido é a termo (38 semanas), com peso adequado (3.050 g), Apgar normal, em aleitamento materno exclusivo, sem fatores de risco para hemólise ou colestase. A icterícia surgiu após 44 horas (portanto, após as primeiras 24 horas), progrediu de zona I para zona II, e a bilirrubina total de 10,1 mg/dL com predomínio de indireta (9,7 mg/dL) está dentro do esperado para a idade. O valor é inferior ao limiar de fototerapia para 49-72 horas de vida (≥ 15 mg/dL), o que reforça o caráter fisiológico. A ausência de bilirrubina direta elevada (0,4 mg/dL) afasta colestase, e a tipagem sanguínea (mãe O Rh+, bebê O Rh-) exclui incompatibilidade Rh, pois a mãe não possui o antígeno D para sensibilizar-se contra o filho.

A pegadinha central desta questão está na tentação de associar qualquer icterícia neonatal a uma causa patológica, especialmente quando há dados laboratoriais disponíveis. A banca explora a confusão entre icterícia fisiológica e as causas patológicas, oferecendo alternativas que seriam plausíveis em outros contextos, mas que não se aplicam a este caso. O critério decisivo é a combinação de: idade de início (> 24h), valor de bilirrubina (abaixo do limiar de risco), predomínio de fração indireta e ausência de fatores de risco. Guarde esses quatro pilares: é exatamente neles que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A icterícia pelo leite materno (tardia) ocorre após a primeira semana de vida, geralmente entre o 7º e o 14º dia, com pico por volta da 2ª a 3ª semana. É uma causa de hiperbilirrubinemia indireta prolongada, associada a fatores presentes no leite materno que inibem a conjugação hepática. No caso, a icterícia surge com 44 horas de vida, período compatível com a fisiológica, e não com a forma tardia. Além disso, o bebê está em aleitamento materno exclusivo, mas isso não é suficiente para o diagnóstico, que exige o padrão temporal característico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A icterícia fisiológica é a hipótese mais provável. O recém-nascido é a termo, com início da icterícia após 24 horas de vida, progressão cefalocaudal (zona I → II), bilirrubina total de 10,1 mg/dL com predomínio de indireta, valor abaixo do limiar de fototerapia para a idade (≥ 15 mg/dL entre 49-72 horas). Não há fatores de risco para hiperbilirrubinemia patológica, como icterícia precoce, doença hemolítica, prematuridade, perda de peso > 7%, ou sinais de colestase. O diagnóstico é clínico-laboratorial, e o manejo consiste em acompanhamento e estímulo ao aleitamento materno.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A incompatibilidade Rh é excluída pela tipagem sanguínea: a mãe é Rh positivo e o recém-nascido é Rh negativo. Para que ocorra doença hemolítica por Rh, a mãe deve ser Rh negativo e o bebê Rh positivo, pois a mãe produziria anticorpos anti-D contra as hemácias fetais. Neste caso, a mãe não possui o antígeno D, portanto não há como desenvolver anticorpos contra o filho. Além disso, a doença hemolítica por Rh costuma ser mais grave, com icterícia precoce (nas primeiras 24 horas), anemia e hepatoesplenomegalia, o que não se observa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A deficiência de G6PD é uma causa de hemólise e hiperbilirrubinemia indireta, mas é um diagnóstico que exige suspeita clínica (icterícia precoce, anemia, história familiar, origem étnica) e confirmação laboratorial (dosagem da enzima). No caso, não há nenhum dado que sugira essa condição: o recém-nascido está em bom estado, sem anemia, sem icterícia precoce e sem fatores de risco. A deficiência de G6PD é um fator de risco para hiperbilirrubinemia importante, mas não é a hipótese mais provável em um bebê a termo, saudável, com icterícia fisiológica típica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A icterícia colestática é caracterizada pelo predomínio de bilirrubina direta (conjugada), geralmente com valores > 2 mg/dL ou > 20% da bilirrubina total. No caso, a bilirrubina direta é de apenas 0,4 mg/dL (cerca de 4% do total), o que afasta completamente a colestase. Além disso, a colestase costuma cursar com acolia fecal, colúria, hepatoesplenomegalia e icterícia de início mais tardio ou persistente. O recém-nascido apresenta-se em bom estado, com icterícia de padrão fisiológico, sem qualquer sinal de doença hepatobiliar.

Gabarito: letra B

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